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Simpósios Temáticos


Relação dos Simpósios Temáticos aprovados


01. Conquista, Evangelização e Poder Eclesiástico no Contexto Ibero-Americano

Coordenadores:

Descrição:

Integrando-se ao esforço de revisão radical do paradigma da conquista, de reavaliação dos desdobramentos dos contatos inter-étnicos e interculturais e de uma ampla releitura do processo de evangelização, este Simpósio Temático se propõe a refletir sobre os múltiplos sentidos da conquista, da evangelização e da implantação de instituições eclesiásticas na América, durante o período que se estende do século XVI ao XIX.

Bibliografia:

AGNOLIN, Adone. Jesuítas e Selvagens: a negociação da fé no encontro catequético-ritual americano-tupi (sécs. XVI-XVII). São Paulo: Humanitas, 2007.
BOXER, Charles R. A Igreja militante e a expansão Ibérica (1440-1770). São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
BURRIEZA SANCHÉZ, Javier. Jesuitas en Indias: entre la utopía y el conflicto: trabajos y misiones de la Compañía de Jesús en la América moderna. Valladolid: Universidad de Valladolid, 2007.
CALAINHO, Daniela B. Agentes da fé. Familiares da Inquisição Portuguesa no Brasil Colonial. São Paulo: EDUSC, 2006.
CASTELNAU-L’ESTOILE, Charlotte. Operários de uma vinha estéril. Os jesuítas e a conversão dos índios no Brasil (1580-1620). Bauru,SP: EDUSC, 2006.
FEITLER, Bruno. Nas malhas da consciência. Igreja e Inquisição no Brasil. São Paulo: Alameda, 2007.
MASSIMI, Marina. Palavras, almas e corpos no Brasil colonial. São Paulo: Loyola, 2005.
MATTOS, Izabel Missagia de. Civilização e Revolta. Os Botocudos e a Catequese na Província de Minas. Bauru,SP: EDUSC, 2004.
MONTERO, Paula (org.). Deus na Aldeia. Missionários, índios e mediação cultural. São Paulo: Globo, 2006.
POMPA, Cristina. Religião como Tradução. Missionários, tupi e tapuia no Brasil colonial. Bauru,SP: EDUSC, 2003.
VAINFAS, R; FEITLER, B.; LAGE, L. A inquisição em xeque. Temas, controvérsias, estudos de caso. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2006.

Justificativa:

Nos últimos quinze anos, no contexto da historiografia brasileira, paralelamente ao boom de estudos a respeito da história administrativa da América portuguesa, tem ocorrido uma significativa renovação nos estudos acerca da difusão do cristianismo, das práticas de missionação e catequese, das irmandades no contexto social da colônia, da ação jurídica do poder eclesiástico (em particular, do tribunal da Inquisição) bem como de tantos outros temas que dizem respeito à ação dos representantes do clero nos territórios americanos.
Assim sendo, o objetivo deste Simpósio é reunir os estudiosos que têm colaborado neste processo de revitalização deste campo de estudos, de modo a fortalecer a discussão acadêmica em torno dos temas em questão, fomentando um debate enriquecedor e renovador, que dê conta dos aportes da Antropologia e de outras ciências sociais à historiografia recente.


02. A Abolição da Escravidão e a Construção dos Conceitos de Liberdade, Raça e Tutela nas Américas

Coordenadores:

Descrição: 

Dos finais do século XVIII, passando pelas abolições do tráfico de escravos e processos de emancipação e pós-emancipação, as diferentes sociedades da América escravista produziram idéias, conceitos e projetos que refletiam a respeito da liberdade dos afro-descendentes. Senhores de escravos, seus ideólogos e os ascendentes estados nacionais, juntamente com os cientistas naturais, viajantes e pensadores sociais procuraram conceituar os lugares geográficos e sociais nos quais os afro-descendentes poderiam gozar de uma liberdade restrita e tutelada. Ao mesmo tempo, escravos, libertos e outros grupos sociais menos comprometidos com a escravidão buscaram requalificar o conceito de liberdade colocado em pauta pelas elites, preenchendo-o com significados políticos, sociais e culturais amplos e variados. O objetivo deste Simpósio Temático é refletir sobre o processo de emancipação dos escravos nas Américas, a partir do ponto de vista da história social e das idéias, com especial ênfase no Brasil, nos Estados Unidos e no Caribe. Para tal, o Simpósio Temático pretende colocar em discussão pesquisas recentes sobre os temas das abolições da escravidão e do tráfico de escravos, processos de emancipação dos escravos e africanos livres e conceitos de raça/clima e mestiçagem no período, tomados como indicadores das diferentes percepções sociais a respeito da inserção/exclusão dos libertos nas sociedades americanas pós-emancipação. A reflexão sobre os processos de emancipação e abolição da escravidão colocada em pauta por este Simpósio Temático espera, assim, ampliar a compreensão do significado histórico das abolições e da agência dos afro-descendentes na construção deste processo.

Bibliografia: 

BURIN, Eric. Slavery and the Peculiar Solution. A History of the American Colonization Society. Gainesville: University Press of Florida, 2005.
COSTA, Emília Viotti da. Coroas de Glória, Lágrimas de Sangue. São Paulo: Cia das Letras, 1998.
DUBOIS, Laurent. A Colony of Citizens. Revolution & Slave Emancipation in the French Caribbean, 1787-1804. Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 2004.
FONER, Eric. Nada Além da Liberdade. São Paulo: Paz e Terra, 1983.
FREDRICKSON, George M. The Black Image in the White Mind. The Debate on Afro-American Character and Destiny, 1817-1914. Hanover, NH: Wesleyan University Press,1987.
GOMES, Flavio dos Santos; CUNHA, Olívia Maria Gomes da (orgs). Quase-Cidadão. Histórias e Antropologias da pós-emancipação no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2007.
HODES, Martha (org.). Sex, Love, Race. Crossing Boundaries in North American History. New York, New York University Press, 1999.
HORNE, Gerald. The Deepest South. The United States, Brazil, and the African Slave Trade. New York, New York University Press, 2007.
MACHADO, Maria Helena P. T. Brazil Through the Eyes of William James. Letters, Diaries, and Drawings, 1865-66. Cambridge: David Rockefeller Center for Latin American Studies/ Harvard University Press, 2006.
MACHADO, Maria Helena P. T. O Plano e o Pânico. Os Movimentos Sociais na Década da Abolição, Rio de Janeiro/São Paulo: Editora da UFRJ/Edusp, 1994.
MAY, Robert E. The Southern Dream of a Caribbean Empire, 1854-1861. Gainesville: University Press of Florida, 2002.
SANNEH, Lamin. Abolitionists Abroad. American Blacks and the Making of Modern West Africa. Cambridge: Harvard University Press, 1999.
SCOTT, Rebecca J., Emancipação Escrava em Cuba. São Paulo: Paz e Terra, 1991
SLENES, Robert, “Malungu, Ngoma Vem! A África Coberta e Descoberta do Brasil”. Revista da USP, São Paulo: no.12, 1991-1992, pp.48-67.

Justificativa:

De maneira geral, este Simpósio Temático responde ao desafio de analisar os processos de abolição dos escravos nas Américas para além de seu enquadramento como movimento restrito ao âmbito das políticas formais e sob controle das elites. Por meio da consideração de temas e abordagens variados, tais como ciência natural, antropologia, fotografias, literatura de viagem, romances, diários, cartas, processos criminais e outros relatos, o Simpósio Temático pretende facilitar a realização de uma análise amplificada dos processos de emancipação dos escravos nas Américas, alargando a compreensão das abolições como processos sociais multifacetados e complexos. Localizando sua discussão para além das esferas públicas do estado e políticas de mão-de-obra, este Seminário Temático pretende discutir como as abolições foram precedidas e acompanhadas por profunda reconfiguração das percepções sociais sobre o lugar dos afro-descendentes nas sociedades pós-emancipadas.

03. As Teias que a Família Tece

Coordenadores:

Descrição: 

Nas últimas décadas o estudo da família tem atraído a atenção de especialistas de diferentes áreas. No campo da História, as análises sobre esta instituição têm crescido de maneira espetacular, tanto no Brasil como no exterior, e os inúmeros trabalhos que vêm a público têm contribuído de forma decisiva para o debate. Neste contexto de intensas discussões sobre a temática da família, o Simpósio Nacional da ANPUH têm sido um fórum privilegiado e, nos últimos eventos, já se tornou uma tradição um Simpósio Temático. Para a ANPUH de 2009, queremos manter o espaço que reúne muitos pesquisadores e, se possível, gostaríamos de repetir a experiência que tem sido sempre muito rica.
O crescimento do estudo da família entre os historiadores veio, inicialmente, dos trabalhos produzidos no âmbito de Demografia Histórica, sobretudo a partir das décadas de 1980 e 1990. Contudo, os estudos sobre a família se alargaram de tal maneira, principalmente por conta do diálogo com as Ciências Sociais, que as recentes pesquisas não se limitam apenas ao estudo do aspecto demográfico, embora este continue a fornecer elementos importantes para a compreensão da organização e das dinâmicas familiares.
Essa abertura a outras áreas se justifica pela complexidade do tema, pois a compreensão dos sistemas familiares do passado não pode restringir-se ao estudo das variáveis demográficas, até por conta das múltiplas situações de vida contempladas pela família, como instituição básica de praticamente todas as sociedades.
A ampliação desse universo, para além do núcleo constituído por pais e filhos e/ou co-residentes, englobando a parentela, ganhou cada vez mais atenção dos estudiosos, a partir do diálogo interdisciplinar com a Antropologia e Sociologia.
Fundamental ainda foi a contribuição teórico-metodológica advinda da micro-história e da proposta da redução da escala de abordagem, que procura sobressair o comportamento social dos atores históricos.

Bibliografia:  

Anderson, M. Elementos para a História da Família Ocidental, 1500-1914. Lisboa: Editorial Querco. 1984
Bjerg, M. e H. Otero, Eds. Inmigración y redes sociales en la Argentina Moderna. Tandil (Argentina): Centro de Estudios Migratorios Latinoamericanos (CEMLA), p.241ed. 1995.
Kertzer, David I. and Barbagli, Marzio (eds). The History of the European
Family, 2 vols. New Haven and London: Yale University Press, 2001.
Levi, G. Family and Kinds - a few thoughts. Journal of Family History, v.15, n.4, p.567-578. 1990.
Míguez, E. Microhistoria, redes sociales e historia de las migraciones: ideas sugestivas e fuentes parcas. In: M. Bjerg e H. Otero (Ed.). Inmigración y redes sociales en la Argentina Moderna. Tandil (Argentina): Centro de Estudios Migratorios latinoamericanos (CEMLA), 1995. Microhistoria, redes sociales e historia de las migraciones: ideas sugestivas e fuentes parcas, p.23-34
Moutoukias, Z. Narración y análisis en la observación de vínculos y dinámicas sociales: el concepto de red personal en la historia social y económica. In: M. Bjerg e H. Otero (Ed.). Inmigración y redes sociales en la Argentina Moderna. Tandil (Argentina): Centro de Estudios Migratorios latinoamericanos (CEMLA), 1995. Narración y análisis en la observación de vínculos y dinámicas sociales: el concepto de red personal en la historia social y económica, p.221-241
Poussou, Jean-Pierre et Robin-Romero, Isabelle (dir.) Histoire des familles,
de la démographie et des comportements, en hommage à Jean-Pierre Bardet.
Paris: PUPS, 2007
Ruggiu, François-Joseph. L'individu et la famille dans les sociétés urbaines
anglaise et française (1720-1780). Paris: PUPS, 2007.
Trévisi, Marion. Au Coeur de la parenté. Oncles et tantes dans la France des
Lumières. Paris: PUPS, 2008.
Truzzi, O. e A. S. V. Scott. Redes migratórias: revisão conceitual e uma aplicação. 30° Encontro Anual da ANPOCS. Caxambu: ANPOCS, 2006.

Justificativa:  

A observação possibilitada através dos jogos de escala permitiu uma abertura a discussões relativas às estratégias familiares e às redes de parentesco para as sociedades do Antigo Regime, já que se admite que toda  ação social é vista como resultado de uma constante negociação, manipulação, escolhas, decisões do indivíduo, diante de uma realidade normativa que, entretanto, oferece muitas possibilidades de interpretações e liberdades pessoais.
Se estivermos de acordo com esta afirmação, uma questão de relevo para o historiador passa a ser a análise das margens de manobra que são utilizadas pelos indivíduos (e/ou famílias) para lidar com os sistemas normativos existentes, aproveitando-se de suas brechas e/ou contradições. Portanto, a questão das redes sociais adquire um papel fundamental quando se opta pela redução da escala de abordagem.
Considerando a importância da noção de estratégias familiares e de redes sociais, temos um universo rico e complexo a ser explorado, que pode se valer tanto de fontes produzidas por instituições laicas quanto eclesiásticas. Desta maneira, se consegue elementos fundamentais para o estudo das redes, constituídas tanto através dos vínculos de consangüinidade e/ou aliança, quanto a partir de relações de outra natureza.
É objetivo deste Simpósio, aprofundar as reflexões sobre as estratégias familiares e as redes sociais inscritas no universo complexo da sociedade luso-brasileira, e que vêm atraindo cada vez mais a atenção dos historiadores da família, através da exploração de fontes de caráter variado, de cunho quantitativo ou qualitativo. Portanto, serão acolhidos trabalhos  que apresentem resultados de pesquisa nesta perspectiva e/ou que discutam questões de caráter teórico-metodológico no âmbito da problemática que é o fio condutor da proposta, qual seja, a família como objeto de pesquisa para o historiador.


04. Ciências Biomédicas e Saúde em Perspectiva Histórica

Coordenadores:

Descrição:    

O simpósio “Ciências Biomédicas e Saúde em Perspectiva Histórica” faz parte da programação geral do Grupo de Estudos de História da Ciência e da Tecnologia (GEHCT/ANPUH), e pretende estimular o debate entre os pesquisadores dedicados a temas vinculados às ciências biomédicas, à saúde e às doenças e à sua abordagem como objetos da história social, política, econômica, cultural e intelectual, com destaque para os seguintes eixos de reflexão:
1) A importância da ‘saúde’ e da ‘doença’ como recursos analíticos para a compreensão de temas como: a construção do Estado-Nação, ‘civilização’, modernização e desenvolvimento; relações internacionais, intercâmbios e circulação de idéias e trocas intelectuais por meio de congressos, sociedades, academias e periódicos; movimentos nacionalistas; processos de expansão da autoridade pública; respostas locais/nacionais a políticas internacionais; profissionalização de carreiras e institucionalização de disciplinas; debates éticos em pesquisas científicas; diferentes concepções de natureza, raça e integração de populações e grupos sociais; práticas, agentes, artes de curar e outras medicinas.
2) Os desafios colocados ao historiador diante da multiplicidade de agentes e instituições que interagem na rede de interesses, resistências, transformações, recepções e negociações que configuram a medicina e a saúde, havendo a necessidade de se ampliar a noção de fontes para este campo de pesquisa.
3) O diálogo transdisciplinar suscitado pelas novas abordagens em história das ciências na história da medicina, saúde, doenças e vice-versa; os impasses e convergências teórico-metodológicas desta proximidade e as novas perspectivas em andamento para a área.

Bibliografia:    

ARMUS, Diego. Entre médicos y curanderos: cultura, historia y enfermedad en la América Latina moderna. Buenos Aires; Grupo Editorial Norma, 2002.
BENCHIMOL, Jaime. Dos micróbios aos mosquitos: febre amarela e a revolução pasteuriana no Brasil. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 1999.
CUETO, Marcos. O valor da saúde. História da organização pan-americana da saúde. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2007.
CHALHOUB, Sidney (Org.). Artes e ofícios de curar no Brasil: capítulos de história social. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2003.
FEE, Elizabeth e PORTER, Dorothy. “Public health, preventive medicine and professionalization: England and America in the nineteenth century”. In Andrew Wear (ed.), Medicine in society, historical essays. Cambridge, Cambridge University Press, 1992.
HOCHMAN, Gilberto & ARMUS, Diego (orgs.). Cuidar, Controlar, Curar. Ensaios Históricos sobre saúde e doença na América Latina e no Caribe. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003.
KROPF, Simone. “Conhecimento médico e construção social das doenças: algumas questões conceituais”. In: KREIMER, Pablo; THOMAS, Hernán, et al. Producción y uso social de conocimientos. Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2004.
LIMA, Nísia Trindade; CARVALHO, Maria Alice Rezende de. O Argumento Histórico nas Análises de Saúde Coletiva. In: Sônia Fleury. (Org.). Saúde Coletiva? Questionando a onipotência do social. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1992.
MAIO, Marcos Chor; SANTOS, Ricardo Ventura. (Org.). Raça, Ciência e Sociedade. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/CCBB, 1996.
PORTER, Dorothy. Health, Civilization and the State - A history of public health from ancient to modern times. Londres, Routledge, 1999.
ROSEN, George. Uma História da Saúde Pública. São Paulo, Unesp- Hucitec, 1994.
ROSENBERG, Charles; GOLDEN, Janet (editors). Framing Disease - Studies in Cultural History. New Brunswick, Rutgers University Press, 1997.

Justificativa:    

Tal proposta justifica-se pela dinâmica que as áreas de História das Ciências e História da Medicina e da Saúde, atualmente já configuradas como campos disciplinares, vêm desenvolvendo na historiografia do país, através de programas de pós-graduação especializados, de publicações de ampla circulação e do diálogo com outras abordagens do conhecimento histórico.

05. Cultura Visual, Imagem e História

Coordenadores:

Descrição:    

Os agentes que produzem e veiculam a imagem, assim como os diferentes suportes desta, já há muito se tornaram, para o historiador, fonte de pesquisa e objeto de reflexão. Não obstante, o campo da cultura visual vem se estruturando de forma contínua e tem-se aberto em diversas análises que implicam estudo e tratamento de diferentes fontes, produção e entendimento de novas linguagens e diálogo com outras disciplinas, tais como a sociologia, a filosofia e a história da arte, a antropologia visual e a arquitetura, as novas mídias e tecnologias.
O Simpósio Temático-  Cultura Visual, Imagem e História visa, assim, reunir trabalhos e investigações no campo da história, em busca da análise formal da imagem como linguagem e da problematização do estatuto da visualidade.

Bibliografia:    

BAXANDALL, Michael. O Olhar Renascente e Padrões de Intenção. BIANCO, Bela & LEITE,Miriam L.Moreira. (orgs.). Desafios da imagem: fotografia, iconografia e vídeo nas ciências sociais.
BRENNAN, Teresa & JAY, Martin. (eds.). Vision in context. Historical and contemporary perspectives on sight. London: Routledge, 1996.
BRYSON, Norman. HOLLY,Michael Ann & MOXEY, Keith. (eds.). Visual culture. Images and interpretations.
CARDOSO, Ciro F.S. & MAUAD, Ana Maria.“História e imagem: o exemplo da fotografia e do cinema”. In CARDOSO, Ciro F.S. & VAINFAS, Ronaldo. (Orgs.). Domínios da História.
CARVALHO, Vânia Carneiro de. & LIMA, Solange Ferraz de. “Fotografia e História: ensaio bibliográfico”. In Anais do Museu Paulista.
DIKOVITSKAYA, Margaret. Visual culture: the study of the visual after the cultural turn.
 EVANS, Jessica e HALL, Stuart (eds.). Visual culture: the reader. London: Sage, 1999.
GRUZINKI, Serge. A guerra das imagens: de Cristóvão Colombo a Blade Runner (1492-2019).
HALL, Stuart (ed.). Representation: cultural representations and signifying practices. London: Sage Publications, 2003.
HOLLY, Michael Ann & MOXEY, Keith. (eds.). Visual culture. Images and interpretations.
JENKS, Chris. (ed.). Visual culture. London: Routledge, 1995.
KNAUSS, Paulo. O desafio de fazer História com imagens: arte e cultura visual In ArtCultura.
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de Fontes visuais, cultura visual, História visual. Balanço provisório, propostas cautelares. RBH e “A fotografia como documento. Robert Capa e o miliciano abatido na Espanha: sugestões para um estudo histórico”. In Tempo
MIRZOEFF, Nicholas. An introduction to visual culture. SORLIN, Pierre. “Enganosas e indispensáveis, as imagens, testemunhas da História”. In Estudos Históricos VOVELLE,Michel. Imagens e imaginário na História. WALKER, John A. & CHAPLIN, Sarah. Visual culture: an introduction.
Revista Eletrônica Studium (Unicamp). Cadernos de Antropologia e Imagem (Rio de Janeiro).
Journal of Visual Culture(Londres).

Justificativa:    

O Simpósio Temático Cultura Visual, Imagem e História tem como proposta de trabalho o tema da cultura visual a partir de uma perspectiva crítica e histórico-social. O grupo alia-se ao Grupo de Pesquisa em Cultura Visual, Imagem e História, do Diretório dos grupos de pesquisa do CNPq, existente desde 2002. Este grupo analisa fontes históricas de pesquisa como objetos de análise na condição de teorias e interpretações de sua atuação na sociedade contemporânea. Desse modo, as fontes midiáticas (fotografia, imprensa, rádio, cinema, música popular) são compreendidas dentro de seu próprio funcionamento, observando a difusão de signos, seu discurso-prática e sua atuação na constituição dos sujeitos sociais dentro do campo da história. Estuda a gênese dos meios de comunicação de massa no Brasil e trabalha com a elaboração de um circuito de produção, circulação, divulgação e sociabilidade nos séculos XIX-XX, permeada por um debate acerca do campo de linguagem, da história, das narrativas e temporalidades. Trabalhos de graduação, especialização, mestrado e doutorado estão sendo desenvolvidos no âmbito do grupo, que se reúne regularmente aos moldes de Simpósio Temático nas ANPUH regionais e nacionais, e em eventos nacionais e internacionais. Em 2003 (ANPUH Nacional) o Grupo conduziu seu primeiro Simpósio Temático, e prosseguiu no ano de 2004 na ANPUH Regional de Campinas. No Simposio Nacional de História de 2005, o Grupo de Pesquisa fundou, com a aval da Assembléia Geral, o GT Cultura Visual, Imagem e História,com associados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em 2006, o Grupo participou ativamente da ANPUH Regional de Assis;em 2007,da ANPUH Nacional na Unisinos, Rio Grande do Sul, tendo estabelecido novas sistemáticas de trabalho que incluíram debatedores e palestrantes convidados. No ano de 2008 o grupo atuou no Encontro Anpuh Regional em São Paulo e prepara, para a Anpuh Nacional de 2009 a sua primeira publicação.

06. Dinâmica Imperial no Antigo Regime Português: séculos XVI-XVIII

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio almeja entender a dinâmica política e econômica do império ultramarino luso e das instâncias que influíram em tal dinâmica. Priorizando os séculos XVI ao XVIII, parte-se do pressuposto de que a organização do império luso da época foi presidida por concepções de monarquia (universus) e de auto-governo das comunidades (república). Em outras palavras, se pretende analisar a atuação das câmaras municipais (abastecimento, ordenanças, justiça ordinária, etc.) e das hierarquias sociais a elas subjacentes na dinâmica imperial lusa. Da mesma forma, o Simpósio discutirá a conexão de tais repúblicas com os poderes do centro (Coroa, Igreja, casas aristocráticas, etc.) e as redes comerciais na gestão da monarquia pluricontinental.
Há menos de dez anos atrás, provavelmente, isto causaria surpresa no meio acadêmico. Em finais do século XX, dificilmente alguém que tivesse a teoria da dependência como referência pensaria na possibilidade da periferia, e de suas respectivas elites locais, interferir nos rumos da economia mundo européia. Porém, o surgimento da noção de autoridades negociadas (Greene, 1994. Cf. também Hespanha, 1994; Elliot, 1992), possibilitou entender a gestão dos impérios ultramarinos sob novas perspectivas. Isto é, ao lado do príncipe e dos conselhos palacianos do reino, os poderes locais também atuavam na gestão da dinâmica imperial.
Hoje em dia é cada vez mais difundida a concepção de que Monarquia Corporativa prevalecia no Sul da Europa. Leia-se: o príncipe era a cabeça da sociedade, mas não se confundia com ela. As comunidades tinham a capacidade do auto-governo e de interpretarem o governo do príncipe (Le Roy Ladurie, 1989; Lempérière, 2004, Skinner, 2006). Isto valia não só para o Velho Mundo, mas também para as conquistas americanas e demais partes do império ultramarino.
Por fim, o Simpósio integra pesquisadores do grupo Antigo Regime nos Trópicos: Centro de Estudos sobre a Dinâmica Imperial no Mundo Português, sécs. XVI-XIX.

Bibliografia:

Elliot, J.H., “A Europa of Composite Monarchies”, in: Past and Present, #137, 1992.
Ferreira, Roberto Guedes, Egressos do Cativeiro. Trabalho, família, aliança e mobilidade social.
FRAGOSO, João, GOUVÊA, Maria de Fátima S. & BICALHO, Maria Fernanda B. (Org.). O Antigo Regime nos Trópicos: a dinâmica imperial portuguesa (séculos XVI e XVII). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2001
Gouvêa, Maria de Fátima & Fragoso, João (org) Na Trama das Redes: política e negócios no império português, séculos XVI- XVIII, Civilização Brasileira (no prelo).
Garavaglia, Juan. “El Mercado Interno Colonial a Fines del Siglo XVIII: Mexico y el Peru”, in: BONILLA, Heraclio (org.). El Sistema Colonial en la America Española. Barcelona, Critica, pp. 218-238, 1991.
Greene, Jack. Negociated Authorities. Essays in Colonial Political and Constitutional History. Charlottesville and London. University Press of Virginia, 1994.
HESPANHA, Antônio, M., As vésperas do Leviathan. Coimbra, Liv. Almedina, 1994.
Lempérière, Annick. Entre Dieu et le roi, la République. Mexico, XVIe - XIXe siècles. Paris, Les Belles Lettres, 2004
LE ROY LADURIE, E., O Estado Monárquico, 1460 – 1610. São Paulo, Cia das Letras, 1989.
MONTEIRO, Nuno Gonçalo. O Crespúculo dos Grandes (1750-1832). Lisboa, Imprensa Nacional da Casa da Moeda, 1998.
Perez Herrero, Pedro, La América Colonial (1492-1763). Política y sociedade. Madrid; Síntesis, 2002, pp. 133-137.
SAMPAIO, Antônio C.J. de . Na Curva do Tempo, na encruzilhada do Império: Hierarquização social e estratégias de classe, a produção da exclusão (Rio de Janeiro, c. 1650 - c. 1750). Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, 2003.
Skinner, Quentin, As Fundações do Pensamento Político Moderno. São Paulo, Cia das Letras, 2006.
XAVIER, Ângela Barreto, A Invenção de Goa. Poder Imperial e conversões culturais nso séculos XVI e XVII. Lisboa: ICS, 2008

Justificativa:    

Desde a década de 1970, alguns trabalhos vêm questionando o “esquematismo excessivo” na história do Brasil colônia. No caso, a sociedade brasileira se resumiria em senhores e escravos e a colônia seria um simples corolário da expansão mercantil européia. Até fins dos anos de 1980, tal questionamento concentrou-se no estudo das estruturas internas da sociedade colonial brasileira. Tratava-se, não de negar a existência do fato colonial, mas não reduzir tudo a ele. Voltados, sobretudo, para o estudo da sociedade escravista, demonstrava-se a existência de uma importante autonomia da América lusa perante as conjunturas européias. Buscava-se ampliar o escopo de análise para além da relação metrópole-colônia, incorporando também África e Ásia. Nos anos 90, esse esforço encontrou uma notável correspondência na historiografia internacional, em especial, na renovação de estudos sobre Impérios ultramarinos e Estados modernos. Em meio a este debate, a Monarquia surge como cabeça da sociedade, mas sem se confundir com ela. A partir deste momento, no caso português, a idéia de um império ultramarino hierarquizado e rígido é substituída por uma de monarquia pluricontinetal caracterizada pela presença de um poder central fraco demais para impor-se pela coerção, mas forte o suficiente para negociar seus interesses com os múltiplos poderes existentes no reino e nas conquistas.
Atualmente, a questão que tem mais dinamizado o debate historiográfico é o estudo das especificidades e diferenças que marcaram as diversas áreas ultramarinas que compunham o vasto Império português entre os séculos XVI e o XVIII. Para melhor analisar todas essas questões, o Simpósio Temático proposto visa discutir o Governo das Gentes na monarquia pluricontinetal: câmaras municipais, oficiais régios (letrados e militares), Igreja e casas aristocráticas no processo decisório do império ultramarino português.

07. Discursos e Representações: Jogos de Gênero

Coordenadores:

Descrição:    

A proposta deste Simpósio Temático é reunir pesquisadoras e pesquisadores que tem discutido as relações de gênero em geral e as masculinidades, em particular, no campo dos discursos, das políticas e das representações. Gênero é aqui problematizado como uma categoria de análise relacional e que atravessa comportamentos, imagens, discursos articulando-se a outras categorias na forma de jogos que envolvem identificações, estratégias e também práticas discursivas e corporais.

Bibliografia:    

BUTLER, Judith. Problemas de gênero. Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
PEDRO, Joana Maria. Traduzindo o debate: o uso da categoria gênero na pesquisa histórica. Revista História. São Paulo: Editora UNESP, 2005, vol. 24 (1), p. 77-98.
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz. Nordestino- uma invenção do falo. Uma história do gênero masculino (Nordeste – 1920-1940). Maceió: Edições Catavento, 2003.
GREEN, James N. Além do carnaval. São Paulo: Unesp, 2000.
NICHOLSON, Linda. Interpretando o gênero. Revista Estudos Feministas, vol 8, n. 2, Florianópolis, 2000. pp. 9-41.
Revista Brasileira de História, Dossiê Gênero e História. vol.27 no.54 São Paulo Dec. 2007.

Justificativa:    

Tendo nascido a partir das inquietações abertas pelos movimentos feministas e pelos estudos “de mulheres”, o campo dos estudos de gênero abriu-se recentemente para uma discussão que envolve tanto os discursos e representações no feminino quanto no masculino, na medida em que a categoria gênero é pensada como relacional. Ao propor o gênero como um dos elementos que conformam comportamentos e relações sociais nas sociedades humanas, estabelecendo diferenças e hierarquias, estas questões emergem com grande importância para a compreensão de fenômenos culturais e políticos A partir dos discursos que utilizam as características de virilidade, por exemplo, normalmente associadas ao gênero masculino, é possível compreender movimentos culturais, fenômenos políticos e dinâmicas sociais que, de outra maneira, perderiam parte de seu sentido. As representações das feminilidades e masculinidades, como campos de disputas e forças, mas também como imagens que produzem sentidos e que são manipuladas nos discursos, têm aos poucos recebido alguma atenção de historiadores e outros estudiosos e estudiosas sociais. Ao mesmo tempo, queremos enfatizar o caráter estratégico das identificações de gênero, que muitas vezes são usadas nos jogos sociais. Os movimentos sociais, as reivindicações de categorias que se identificam com um dos gêneros, as publicidades políticas e comerciais, se apropriam do gênero como um de seus instrumentos mais consistentes para atingir objetivos bem demarcados. Questões como a utilização de categorias como a masculinidade hegemônica e a dominação masculina, precisam ser pensadas a partir das pesquisas que utilizam tais instrumentos de análise para a construção de sentidos históricos e sociais inovadores para compreensão do social.

08. Dizer Sim à Existência: Ética e Subjetividade na História

Coordenadores:

Descrição:    

Contra uma cultura que privilegia o negativo, que aposta na retórica em lugar da paresia (falar franco com risco); que conhece sobejamente a misoginia, mas não a filoginia (o amor pelas mulheres); que acredita na moral normatizadora, ao invés de investir nas práticas da liberdade constitutivas da tradição greco-romana; enfim, que valoriza o poder, a competição e a hierarquia, ao invés das relações de amizade e solidariedade, os pensamentos muito positivos de Foucault e Deleuze, inspirados em Nietzsche, assim como os feminismos e os anarquismos contemporâneos apontam para saídas interessantes. Para Nietzsche, dizer sim não significa uma aceitação passiva do instituído, não se trata do Sim do asno de Zaratustra, para quem afirmar é carregar o peso do mundo, é assumir a realidade tal qual ela é, já que ele é sensível apenas àquilo que tem sobre o lombo, àquilo a que chama de real. Como explica Deleuze: “o asno carrega inicialmente o peso dos valores cristãos; depois, quando Deus está morto, carrega o peso dos valores humanistas, humanos – demasiado humanos; finalmente, o peso do real, quando há não há valor algum.” (DELEUZE, 2006, 159) E adverte que, na verdade, o asno diz Não, pois “é a todos os produtos do nihilismo que ele diz sim”. O afirmar de que aqui falamos diz respeito à transformação, à criação, à dança, à profanação e à vida.
Nessa direção, propomos, nesse Simpósio Temático, a apresentação e a discussão de pesquisas históricas que focalizem os saberes e as práticas que, em diferentes momentos históricos, e em seus exercícios críticos, afirmam a existência, apostam na liberdade e na construção de valores éticos praticados por novas subjetividades; enfim, que potencializam a vida em nossa atualidade.

Bibliografia:    

ABRAHAM, Thomas. El ultimo Foucault. Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 2003
AGAMBEN, G Homo sacer: El poder soberano y la nuda vida. Valencia: Pre-Textos, 1998
______ Infância e História. Destruição da experiência e origem da história.Belo
Horizonte : Editora da UFMG, 2005
ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. (2a.ed.) São Paulo: Editora Perspectiva,1972
______ Origens do Totalitarismo. Totalitarismo, o paroxismo do poder.Rio de Janeiro:
Editora Documentário, 1979.
DELEUZE, G. A Ilha Deserta. São Paulo: Iluminuras, 2006.
______Nietzsche e a Filosofia. Porto: Res Editora, s/d.
______Francis Bacon Lógica da Sensação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007
DERRIDA, J. Políticas da Amizade. Porto: Campo das Letras, 2003
DUARTE, A. O pensamento à sombra da ruptura. Política e Filosofia em Hannah Arendt.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.
FOUCAULT, M. La Naissance de la Biopolitique. Paris: Seuil/Gallimard, 2004a
______A Hermenêutica do Sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 2004b
______Dits et Ecrits, vol IV. Paris: Gallimard, 1994
______História da Sexualidade. Vol.II O uso dos prazeres. Rio de Janeiro : Graal, 1985a ;
______História da Sexualidade. Vol III O cuidado de si. Rio de Janeiro : Graal, 1985b ;
FUNARI, P.P.;RAGO, M. Subjetividades antigas e modernas. SP: Annablume, 2008
LINS, D.;GADELHA, S. Nietzsche e Deleuze: que pode o corpo.Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2002
RAGO, M. “Feminizar é preciso. Por uma cultura filógina”. São Paulo em Perspectiva,
Revista da Fundação SEADE, vol.15, n.3, p.58-66, jul-set 2001.
SWAIN, T.N.; MUNIZ, Diva G. (Org.) Mulheres em ação. Práticas discursivas, práticas
políticas. Florianópolis: Editora Mulheres, Belo Horizonte: PUC- Minas, 2005.
VERNANT,J-P L´inidividu, la mort, l´amour. Soi-même et l´autre en Grèce ancienne.
Paris: Gallimard, 1981.
VEYNE, P. Foucault, sa pensée, sa personne. Paris: Albin Michel, 2008.

Justificativa:    

Este Simpósio tem como objetivo conhecer e discutir pesquisas que apontem para a crítica do pensamento binário e da lógica da identidade, instauradora de formas de sujeição e exclusão, como mostram os filósofos da diferença e o feminismo pós-estruturalista, formas essas que hoje estão sendo relativamente nos múltiplos espaços de sociabilidade, da casa à escola e às demais instituições, tanto quanto na produção do conhecimento. Visa dar visibilidade às "estéticas da existência" conhecidas no mundo greco-romano, ou experimentadas em outros momentos históricos, ainda hoje mal conhecidas. Visa, ainda, mostrar o aporte dos feminismos na crítica da modernidade e na construção de novas artes do viver.
Finalmente, nosso objetivo maior é mostrar que contamos com uma tradição histórica positiva, pautada por valores éticos e libertários, pouco visibilizados, já que os trabalhos críticos tendem a denunciar as formas da opressão existentes no passado, e no presente, deixando, porém, de enfatizar a importância de toda uma tradição e de experiências históricas que podem nos fortalecer no presente e, em especial, na construção de subjetividades éticas. Se Mussolini, Hitler, Franco são bastante conhecidos por nossos estudantes, por que não apresentar-lhes seus críticos e críticas como Maria Lacerda de Moura, Emma Goldamnn, Federica Montseny, entre tantas outras/os? Se Darwin tem grande importância na cultura ocidental, por que não agregar as críticas de Kropotkin feitas em seu próprio tempo? Em suma, por que não valorizar os pensamentos libertários e as experiências éticas constitutivas de nossa tradição?

09. Educação Histórica

Coordenadores:

Descrição:    

Este Simpósio se propõe a analisar e debater experiências e pesquisas em Educação Histórica. A concepção de Educação Histórica aqui entendida tem como foco central o tema da cognição histórica situada, a qual tem como objeto principal a aprendizagem histórica interpretada, essencialmente, a partir da ciência da história. Trata-se de uma linha de investigação que abriga pesquisadores que centram seu foco na necessidade de se conhecer e analisar as relações de alunos e professores com o conhecimento histórico e, portanto, nos conceitos e categorias históricas, nas idéias substantivas e idéias de segunda ordem da história, bem como na análise da forma pela qual a relação com fontes, estratégias de ensino, manuais didáticos, objetos históricos, entre outros, colaboram para a formação das idéias históricas e da consciência histórica de crianças, jovens, alunos e professores. Estas análises, deverão ser ancoradas na epistemologia da História e em metodologias qualitativas de investigação educacional, baseadas em perspectivas sociológicas e antropológicas. É neste campo de investigação que se enquadram os trabalhos deste simpósio no qual serão bem vindos trabalhos cujos objetos específicos são os estudos sobre a consciência histórica; as questões da alfabetização histórica; as relações que alunos e professores estabelecem com as narrativas históricas veiculadas em manuais, por exemplo, e/ou outras narrativas historiográficas já produzidas, além da própria produção de narrativas históricas em alunos e professores em contextos de aprendizagem situada; as relações de alunos e professores com diferentes fontes históricas; as investigações dos conhecimentos prévios dos alunos sobre idéias substantivas (como cidadania, democracia, revolução industrial etc) e/ou sobre a natureza da História (como explicação, evidencia, significância, temporalidade, consciência histórica).

Bibliografia:    

BARCA, Isabel org. Para uma educação Histórica de qualidade. Actas das Iv Jornadas Internacionais de educação histórica. Braga: Universidade do Minho, 2004.
BARCA, Isabel. Investigação em Educação Histórica.In. SCHMIDT,Maria Auxiliadora e BRAGA, Tânia. (orgs) Perspectivas em Educação Histórica: Actas das VI Jornadas Internacionais de Educação Histórica, Curitiba, UFTPR,2007
CAINELLI, Marlene. Educação Histórica: perspectiva de aprendizagem da história no ensino fundamental. In. Educar em Revista. Curitiba: EdUFPR; p.57-73.2006.
GAGO, Marilia. Um olhar acerca da multiperspectiva em História:idéias de alunos entre 10 e 14 anos. IN. SCHMIDT,Maria Auxiliadora e BRAGA, Tânia. (orgs) Perspectivas em Educação Histórica: Actas das VI Jornadas Internacionais de Educação Histórica, Curitiba, UFTPR,2007
LEE, Peter. Progressão da compreensão dos alunos em História. In. Barca, Isabel. (org). Perspectivas em Educação Histórica. Actas das primeiras Jornadas internacionais de Educação histórica.Universidade do Minho,p.13-29,2001.
LEE, Peter.Em direção a um conceito de literacia histórica. In. Educar em Revista. Curitiba; EdUFPR,p.131-150
RUSEN, Jorn. Razão histórica. Brasília, UNB, 2001.
SCHMIDT,Maria Auxiliadora e BRAGA, Tânia. O trabalho com objetos e as possibilidades de superação do seqüestro da cognição histórica:estudo de caso com crianças nas séries iniciais .IN. SCHMIDT,Maria Auxiliadora e BRAGA, Tânia. (orgs) Perspectivas em Educação Histórica: Actas das VI Jornadas Internacionais de Educação Histórica, Curitiba, UFTPR, 2007.

Justificativa:    

A criação no Brasil de grupos de investigação na área da Educação Histórica ligados a grupos internacionais da Heirnet - Historical Education International Research Group (www.heirnet.org)
Esses grupos estão ligados a cursos de mestrado e doutorado com produção na área específica da educação histórica. Há também experiências sendo desenvolvidas por professores de história do ensino fundamental e médio. Os produtos dessas investigações e experiências devem ser publicizados e debatidos no interior das Associações pertinentes à área de História.

10. Estudos Africanos: Dimensões Históricas das Sociedades Africanas e dos Africanos na Diáspora

Coordenadores:

Descrição:    

Este Simpósio tem por objetivo reunir pesquisadores do Brasil vinculados com a área geral de “Estudos Africanos”. Desta forma, as temáticas compreendidas são, propositalmente, bastante amplas, incluindo temas, regiões e períodos diversificados. Serão bem-vindas pesquisas em andamento e reflexões que tratem de questões tais como:
- As análises sobre a representação do continente africano, desde o período das primeiras viagens portuguesas no século XV;
- As relações euro-africanas nos diferentes contextos históricos na época moderna; sociedades e grupos hifenizados.
- As transformações nas estruturas sociais e sistemas políticos africanos no período do tráfico escravo;
- As relações comerciais internas e externas do continente africano nos períodos moderno e contemporâneo;
- A presença de africanos nos contextos americanos da escravidão e da diáspora. Formas de trabalho, africanos livres, revoltas e insurreições;
- As comunidades afro-americanas na África e os retornados;
- Os impactos sociais, políticos, econômicos e culturais da invasão colonial no final do século XIX;
- As estratégias, ideologias e processos de descolonização do continente;
- A historiografia africanista: tendências, debates e contribuições teóricas;
- As questões relativas à constituição dos Estados africanos politicamente independentes a partir do começo da década de 1960;

Bibliografia:    

APPIAH, Kwame A. A Casa de Meu Pai. A África na Filosofia da Cultura. RJ: Contraponto, 1997.
BATES, Robert H.; MUDIME, V. Y.; O´BARR, Jean. Africa and the Disciplines – the Contributions of Research in Africa. Chicago: Univ. Chicago Press, 1993.
BENOT, Yves. As ideologias políticas africanas. Lisboa: Sá da Costa, 1980.
BIRMINGHAM, David. A África Central até 1870. Luanda: ENDIPU, 1992.
CAPELA, José. O tráfico de escravos nos portos de Moçambique. Porto: Afrontamento, 2002.
COOPER, F. HOLT, T e SCOTT, R. Além da Escravidão: investigações sobre raça, trabalho e cidadania em sociedades pós emancipação. RJ: Civ. Bras., 2005.
COQUERY-VIDROVITCH, Catherine; MONIOT, H. Africa negra de 1800 a nuestros dias. 2ª. ed., Barcelona: Labor, 1985.
DIAS, Jill; ALEXANDRE, Valentim (coord.) O Império Africano (1825-1890). Lisboa: Editorial Estampa, 1998.
FAGE, J.D. História da África. Lisboa: Edições 70, 1995.
HENRIQUES, Isabel de Castro. Os pilares da diferença – Relações Portugal-África, séculos XV-XX. Lisboa: Caleidoscópio, 2004.
HOURANI, A. Uma história dos povos árabes. SP: Cia das Letras, 1994.
ILIFFE, John. Os Africanos: história de um continente. Lisboa: Terramar, 1999.
KI-ZERBO, J. História da África Negra. 2 Volumes. Lisboa: Europa-América, 1991.
LOVEJOY, Paul. A escravidão na África: uma história de suas transformações. RJ: Civ. Bras., 2002.
MANDANI, Mahmood. Ciudadano y súbdito. África contemporânea y el legado del colonialismo tardio. México, Siglo Ventiuno, 1998.
MEILLASSOUX, Claude. Antropologia da escravidão. O ventre de ferro e dinheiro. RJ: Jorge Zahar; 1995.
MILLER, Joseph C. Poder Político e parentesco. Os antigos estados Mbundu em Angola. Luanda: AHN; 1995.
SILVA, Alberto da Costa e. A manilha e o libambo: a África e a escravidão de 1500 a 1700. RJ: Nova Fronteira, 2002.
THORNTON, J. Africa and the Africans in the Making of the Atlantic World 1400-1800. Cambridge: CUP, 1998.
UNESCO. História Geral da África. São Paulo: Ática, 1982-9

Justificativa:    

O estabelecimento da obrigatoriedade do ensino da “História da Cultura Afro-Brasileira” nas escolas de ensino fundamental e médio (Lei 10.639/2003) cujo conteúdo programático deve incluir a “História da África e dos Africanos”, começa a apresentar conseqüências. De um lado, diversas instituições federais e estaduais de ensino superior adicionam em seus currículos a disciplina de História da África e realizam contratações de professores especializados e, de outro, aparecem sinais da pesquisa histórica feita nesta área. A despeito dos estudos africanos e da diáspora estarem firmemente estabelecidos no Brasil há algum tempo, a ampliação do campo tornou-se evidente nos últimos anos. O número de estudiosos envolvidos com as temáticas africanas ampliou-se, como também os mestrados e os doutorados defendidos e em curso. No entanto, ainda não há no âmbito da ANPUH Nacional um espaço para congregar estes pesquisadores e promover a troca de informações e experiências entre eles. É este, portanto, o objetivo maior da proposta: criar um fórum de discussão para enriquecer as condições de pesquisa e aprofundar os diálogos entre a pesquisa histórica e a formação de docentes. O simpósio temático justifica-se também pelo sentido maior deste campo historiográfico. A África consiste numa das matrizes históricas do povo brasileiro. Sublinhamos o elevado grau de participação que as culturas, as técnicas e as instituições sociais africanas tiveram, e têm, na formação da nossa sociedade, mas falta conhecer melhor o continente de origem dessa contribuição. Pensar os laços históricos entre África e Brasil é refletir sobre os impactos de deslocamentos de povos que, apesar da violência dos movimentos diaspóricos, constituíram uma história em comum. Além disso, a história da África tem uma relação profunda com nossa contemporaneidade, demandando uma discussão sobre processos extremamente complexos, que não podem ser resumidos a simples estereótipos, clichês e lugares comum.

11. História e Música Popular

Coordenadores:

Descrição:    

Esta proposta representa um desdobramento de outros três Simpósios Temáticos que se realizaram, inicialmente, no III Simpósio Nacional de História Cultural (2006) e, em seguida, no XXIV Simpósio Nacional de História (2007) bem como no XIX Encontro Regional de História da Anpuh-SP. Trata-se, portanto, de consolidar e ampliar as discussões que convergem para o exame das relações entre História & Música Popular, valendo-se, para tanto, do acúmulo de experiências adquiridas ao longo dos últimos anos.
Já há algum tempo, como que tateando novos caminhos, os historiadores têm procurado incorporar ao arsenal de recursos de pesquisa outras linguagens, para além das habituais. Esse ato, próprio de quem se lança ao desafio de experimentar novos sabores dos saberes, resultou numa bibliografia, de produção mais ou menos recente, que valoriza objetos de estudo normalmente postos à margem pela academia. Nessas circunstâncias, a música industrializada vem assumindo crescente importância como fonte documental, respondendo por uma parcela dos esforços daqueles que se empenham em insuflar novos ares nas pesquisas históricas.
Independentemente da tendência – bastante evidente no caso de historiadores, cientistas sociais e profissionais da área de literatura – de se concentrar o foco de análise quase exclusivamente, ou pelo menos de forma prioritária, nas letras das canções, a complexidade do trabalho com música conduziu muitos pesquisadores a trilhar caminhos paralelos. Sem que se colocasse no primeiro plano o estudo de natureza especificamente musicológica, passou-se, mais e mais, a atentar para as relações de complementaridade e/ou de oposição que as letras entretêm com outros elementos da obra musical na sua realização histórica ou no seu fazer-se.

Bibliografia:    

ARTCULTURA: Revista de História, Cultura e Arte, n. 9 (dossiê História & Música). Uberlândia: Edufu, jul.-dez. 2004.
ARTCULTURA: Revista de História, Cultura e Arte, v. 8, n. 13 (dossiê História & Música Popular). Uberlândia: Edufu, jul.-dez.2006.
DIAS, Marcia.Tosta. Os donos da voz: Indústria fonográfica brasileira e mundialização da cultura. São Paulo: Boitempo, 2000.
GARCIA, Tânia da Costa. O “it verde e amarelo” de Carmen Miranda (1930-1946). São Paulo: Annablume/Fapesp, 2004.
GONZÁLEZ, Juan Pablo. Musicología popular en América Latina: síntesis de sus logros, problemas y desafios. Revista Musical Chilena, n. 195, enero-junío 2001.
MIDDLETON, R. Studying popular music. Philadelphia: Open University Press, 2000.
NAPOLITANO, Marcos. A síncope das idéias: a questão da tradição na música popular brasileira. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2007.
NAVES, Santuza Cambraia. O violão azul: modernismo e música popular. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas.
PARANHOS, Adalberto. O Brasil dá samba?: os sambistas e a invenção do samba como “coisa nossa”. In: Música popular em América Latrina. Santiago de Chile: Fondart, 1999 [disponível em www.samba-choro.com.br].
REVISTA DE HISTÓRIA, n. 157 (dossiê História e Música). São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 2.º sem. 2007.
SCHAFER, M. Ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991.
TATIT, Luiz. O século da canção. Cotia: Ateliê, 2004.
WISNIK, José Miguel. O som e o sentido: uma outra história das músicas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

Justificativa:    

Cada vez mais se difunde a consciência de que as palavras que, aparentemente, injetam sentido numa canção não deixam de se submeter, numas tantas situações, a um processo de dessignificação e/ou de ressignificação, ou, como queira, de reapropriação. Dito de outra maneira, evidenciou-se que o sentido das letras das canções é cambiante, muda, por vezes, com o tempo, na dependência do contexto histórico-musical em que ressurgem. Enfim, quando não permanecemos reféns da mera literalidade das letras, estamos aptos a compreender que nenhum significante se acha irremediavelmente preso a um significado único, esvaziado de historicidade.
Em meio aos avanços vivenciados na pesquisa histórica com música popular, outra conclusão, não menos relevante, apontou para a necessidade de atribuir o devido peso analítico à performance. Ganhou força a idéia de que interpretar implica também compor. Por outras palavras, quando alguém canta e/ou apresenta uma música, sob essa ou aquela roupagem instrumental, atua, num determinado sentido, não como simples intérprete, mas igualmente como compositor. O agente, no caso, opera, em maior ou menor medida, na perspectiva de decompor e/ou recompor uma composição, o que ocorre de modo consciente ou inconsciente.
Este quadro, aqui desenhado em rápidas pinceladas, nos fornece um breve painel das potencialidades e da riqueza do trabalho do historiador preocupado com a tarefa de deslindar as relações que delineiam conexões possíveis entre música popular e o contexto histórico sociopolítico mais geral. Envolve ainda, por certo, reflexões de caráter fundamentalmente metodológico a respeito dos usos que se podem fazer da canção popular para a análise crítica da realidade histórica.

12. História & Teatro

Coordenadores:

Descrição:    

A iniciativa de propor um Simpósio que refletisse sobre História & Teatro começou em Florianópolis, em 2006, no III Simpósio Nacional de História Cultural, e se consolidou em São Leopoldo, em 2007, no XXIV Simpósio Nacional de História e em São Paulo, em 2008, no XIX Encontro Regional de História da ANPUH-SP. Ela é retomada agora visando reafirmar o sentido original da nossa proposta e incorporar um maior número de pessoas interessadas em se integrar a essas discussões.
Entendemos o teatro como um discurso que, como um ato comunicativo, utiliza códigos – verbais, gestuais, visuais, auditivos, culturais, estéticos etc – que possibilitam a percepção visual do mundo e a construção de um imaginário social, pois comunicam uma mensagem a seus receptores. Assim, com os procedimentos metodológicos da história cultural, torna-se possível perceber o teatro como um espaço privilegiado para captar, em diferentes momentos históricos, as articulações e as negociações de idéias e imagens. O teatro, portanto, caracteriza-se como um espaço plural de signos, apontando para a multiplicidade das tramas e das narrativas sociais.

Bibliografia:    

ARTCULTURA: REVISTA DE HISTÓRIA, CULTURA E ARTE, v. 7, n. 11 e v. 9, n. 15, (Dossiê História & Teatro), Uberlândia, Edufu, 2005 e 2007.
GUÉNOUN, D. A exibição das palavras. Rio de Janeiro: Teatro do Pequeno Gesto, 2003.
CHARTIER, R. Do palco à página. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2002.
BRECHT, B. Estudos sobre teatro. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
CARLSON, M. Teorias do teatro. São Paulo: Editora da Unesp, 1997.
COLLAÇO, V. O teatro da União Operária. 2004, Doutorado em História Cultural, UFSC, Florianópolis, 2004.
GAINOR, E (edited). Imperialism and theatre: essays on world theatre, drama and performance. London and New York: Routledge, 1995.
GASSET, J. O. y. A idéia do teatro. Perspectiva: São Paulo, 1991.
GUINSBURG, J.; FARIA, J. R. e LIMA, M. A. de (orgs.). Dicionário do teatro brasileiro. São Paulo: Perspectiva/Sesc São Paulo, 2006.
JOMARON, J. de (dir.). Le théâtre en France du moyen age à nos jours. Paris: Armand Colin, 1992.
MENCARELLI, F. A. Cena aberta: a absolvição de um bilontra e o teatro de revista de Arthur Azevedo. Campinas: Editora da Unicamp/Centro de Pesquisa em História Social da Cultura, 1999.
PARANHOS, Kátia Rodrigues. Do palco à página: o teatro engajado no ABC. In: SERPA, E. C. e MENEZES, M. A. de. (orgs.). Escritas da história: narrativa, arte e nação. Uberlândia: Edufu/Capes-Prodoc, 2007, p. 311-329.
__________________________. O grupo de teatro Forja e Plínio Marcos: “Dois perdidos numa noite suja”. Perseu: História, Memória e Política – Revista do Centro Sérgio Buarque de Holanda, v. 1, n.1, São Paulo, Fundação Perseu Abramo, 2007, p. 265-284.
SAMUEL, R.; MACCOLL, E. e COSGROVE, S. Theatres of the left 1880-1935: workers’ theatre movements in Britain and America. London: Routledge & Kegan Paul, 1985.
SOUZA, S. C. M. de. As noites do ginásio: teatro e tensões culturais na corte (1832-1868). Campinas: Editora da Unicamp, 2003.
WILLIAMS, R. Tragédia moderna. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.

Justificativa:    

A re-escrita do teatro é um processo constante, tanto pela transformação do objeto – os discursos teatrais -, como pelas transformações dos códigos dos discursos críticos e os deslocamentos de interesses ideológicos e estéticos dos sujeitos sociais que escrevem a história. Acreditamos, também, relevante perceber diferentes categorias de discursos teatrais, indo além do dominante discurso teatral hegemônico, ou seja, voltar o olhar para discursos teatrais marginais, para os discursos teatrais deslocados, bem como, para os discursos teatrais subjugados. Preocupação que diz respeito à problemática das inclusões e exclusões, seja na seleção do corpo textual, ou mesmo espacial, ultrapassando a contínua exclusão do que é produzido fora do eixo das grandes metrópoles.
Consideramos, portanto, o fenômeno teatral em toda a sua amplitude, procurando convergir teoria e prática teatral, – o processo de criação em si mesmo, a interpretação e formação dos atores, o trabalho e formação do diretor, os ensaios, os cadernos de criação, as experiências dos grupos teatrais etc – levando em consideração as várias escolas de pensamento que fundamentam as diversas práticas teatrais. Ainda não muito explorado por nossa historiografia, mas de fundamental importância, é a questão da recepção do espectador, a relação espetáculo-espectador, ou seja, a prática “espectatorial”. Podemos destacar ainda como significantes objetos de estudos os teatros, espaço físico/cênico, onde as obras são apresentadas, os novos textos cênicos, bem como, as escolas formativas do agente teatral – ator, diretor, cenógrafo, entre outros.
Significa, portanto, eleger também outros textos; não apenas os fundadores, legitimados dentro de uma tradição cultural, e ainda tentar compreender como se deu o silenciamento dos textos não coincidentes ou não aceitáveis por essa tradição. Tudo nos leva a questionar tanto o corpus do discurso crítico como o dos discursos teatrais.

13. História Ambiental: Teorias, Fontes e Pesquisas

Coordenadores:

Descrição:    

No Brasil, desde a década de 1990, vários estudos vêm procurando investigar e operar enfoques teóricos, metodologias, fontes, instrumentos de pesquisa e de análise que contemplem os elementos da natureza e da intervenção humana no ambiente como aspectos importantes da explicação histórica. Uma boa parte desses trabalhos, de fato, se beneficiou do diálogo com autores clássicos da historiografia brasileira que enfatizaram a relevância da interação entre sociedade e natureza, como foi o caso de Sergio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Caio Prado Júnior. Na Europa e nos Estados Unidos, sociedades onde a transformação industrial da paisagem continuou a crescer no século XX, uma “história ambiental” consciente de si mesma desenvolveu-se ainda na década de 1970. A difusão dessa abordagem para outras realidades sociais e temas de pesquisa (extrativismos, colonialismo, imaginário, políticas públicas), assim como sua expansão institucional em diferentes regiões (Índia, Japão, América Latina, Austrália etc.) foi contínua nas décadas seguintes. A realização deste Simpósio Temático pretende aprofundar o diálogo entre historiadores que estejam se dedicando ao desenvolvimento da história ambiental no Brasil, reunindo profissionais com diferentes trajetórias institucionais e variada experiência em docência, pesquisa e atividades de extensão (incluindo educação ambiental e projetos de desenvolvimento sustentável). Ao propor a discussão de trabalhos que enfoquem as múltiplas interações do ser humano com a natureza, mediada pelas relações sociais historicamente constituídas, este Simpósio Temático quer promover o avanço dessa prática historiográfica, ou seja, fomentar a qualidade teórica, o aprimoramento de técnicas e métodos de investigação, o tratamento crítico das fontes (acervos documentais ou de campo) e a capacidade de diálogo interdisciplinar. Quer também estimular uma melhor formação de historiadores ambientais em programas de graduação e pós-graduação.

Bibliografia:    

ARRUDA, Gilmar (Org.) - Natureza, fronteiras e territórios. Londrina. UEL, 2005.
DEAN, Warren - A ferro e fogo: A História e a Destruição da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo, Companhia das Letras, 1998.
DRUMMOND, José Augusto - Devastação e Preservação Ambiental no Rio de Janeiro. Niterói, Editora da Universidade Federal Fluminense, 1997.
DUARTE, Regina Horta - História e Natureza. Belo Horizonte, Autêntica, 2005.
ESPINDOLA, Haruf Salmen - Sertão do rio Doce. Bauru. Edusc, 2005.
MARTINEZ, Paulo Henrique - História Ambiental no Brasil: Pesquisa e Ensino, São Paulo, Cortez, 2006.
MARTINEZ, Paulo Henrique, (Org.) - História Ambiental Paulista: Temas, Fontes, Métodos. São Paulo, Senac SP, 2007.
MILLER, Shawn - Fruitless Trees: Portuguese Conservation and Brazil’s Colonial Timber. Stanford, SUP, 2000.
PÁDUA, José Augusto - Um Sopro de Destruição: Pensamento Político e Critica Ambiental no Brasil Escravista – 1786/1888. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2002.
RIBEIRO, Ricardo - As Florestas Anãs do Sertão: O Cerrado na História de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2006.

Justificativa:    

A história ambiental no Brasil, assim como em diversos países, conheceu uma rápida expansão nos últimos anos, quantitativa e qualitativa. Observa-se uma elevação contínua na qualificação das pesquisas, notadamente em termos do uso criativo de novas fontes e instrumentos de análise, com uma clara perspectiva interdisciplinar. Há também um sensível esforço de congregação de historiadores do meio ambiente, como atestam a organização de simpósios anteriores desta área do conhecimento histórico em encontros nacionais e regionais da Anpuh e, mais recentemente, com a realização do IV Simpósio da Solcha - Sociedade Latino-Americana e Caribenha de História Ambiental, em Belo Horizonte, em 2008. O aprofundamento do debate teórico, metodológico, historiográfico e da discussão crítica das fontes, bem como a difusão de pesquisas em andamento e concluídas, sob a forma de projetos, dissertações e teses universitárias, livros, coletâneas, artigos e ações pedagógicas (disciplinas, seminários, palestras, cursos) é, portanto, uma necessidade incontornável e, hoje, uma demanda real nesta prática historiográfica. É inegável, além disso, o potencial dinamizador que a História Ambiental pode desempenhar no ensino de História nos níveis fundamental, médio e superior, em atendimento das proposições do Ministério de Educação, presentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais, e na organização das estratégias para a Educação Ambiental no Brasil. Esta colaboração dos historiadores do meio ambiente pode ser exercida, por exemplo, na elaboração de materiais e recursos didáticos. Este é o perfil dos profissionais que o Simpósio Temático pretende reunir, promovendo e estimulando diálogos e buscando aprimorar o padrão de investigação e de análise que vem sendo construído na história ambiental do Brasil, um campo cujo desenvolvimento se faz inadiável por conta de imperativos éticos, sociais, científicos e pedagógicos.

14. História do Ensino de História

Coordenadores:

Descrição:    

O tema história do ensino de História constitui-se como linha de pesquisa integrante dos Grupos de Pesquisa cadastrados no CNPq e liderados pelos proponentes. O objetivo principal do Simpósio Temático História do ensino de História é o fortalecimento do espaço de discussão entre pesquisadores da área, que em diferentes abordagens, perspectivas de análise e fontes, procuram compreender a constituição da história como disciplina escolar. No intercambio dos conhecimentos referentes ao currículo escolar, à educação e à história, a história das disciplinas escolares procura responder aos desafios que o tempo presente coloca em relação aos saberes escolares, situando-os em relação aos diferentes contextos históricos e educacionais em que se constituíram.

Bibliografia:    

ABREU, Martha; SOIHET, Rachel. Ensino de História. Conceitos, temáticas e metodologia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.
ARIAS NETO, J. M. (Org.). Dez anos de pesquisas em ensino de história. Londrina: AtritoArt, 2005.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Livro Didático e Saber Escolar. 1810-1910. Belo Horizonte, Autêntica, 1993.
______. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo. Contexto, 2004.
BRUTER, A. L´Histoire enseignée au Grand Siècle. Naissance d´une pédagogie. Paris: Belin, 1997.
CERRI, Luis Fernando (org.). Ensino de História e Educação: olhares em convergência. Ponta Grossa: UEPG, 2007.
FONSECA, Selva Guimarães. Caminhos da História Ensinada. Campinas: Papirus, 1993.
FONSECA, Thais Nivia de Lima e. História & Ensino de História. Belo Horizontes : Autêntica, 2003.
FREITAS, Itamar. Histórias do Ensino de História no Brasil (1890-1945). São Cristóvão/Aracaju: Editora UFS/Fundação Oviêdo Teixeira, 2006.
GASPARELLO, Arlette M. Construtores de identidades: a pedagogia da nação nos livros didáticos da escola secundária brasileira. São Paulo: Iglu, 2004.
______. O livro didático como questão pública no Império brasileiro. XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA. História e multidisciplinaridade: territórios e deslocamentos. Anais. CD-ROM. São Leopoldo/RS: Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, 2007.
HERY, Evelyne. Un Siècle de Leçons d’Histoire: L’histoire enseigné n lycée de 1870 à 1970. Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 1999.
MARTINS, Maria do Carmo. A História Prescrita e Disciplinada nos Currículos Escolares: quem legitima esses saberes? Bragança Paulista: EDUSF, 2002.
MONTEIRO, Ana Maria; GASPARELLO, Arlette M.; MAGALHÃES, Marcelo. (orgs.). Ensino de História: sujeitos, saberes e práticas. Rio de Janeiro: Mauad X, 2007.

Justificativa:    

Nos últimos anos, uma produção crescente de livros, artigos, teses e dissertações nessa linha de pesquisa tem alimentado o debate e enriquecido o conhecimento histórico sobre a dimensão cultural e educacional brasileira. O Simpósio Temático proposto pretende propiciar a continuidade das discussões do grupo de historiadores que regularmente vêm apresentando seus trabalhos nos eventos da ANPUH nacional e nos simpósios regionais, bem como em encontros e congressos da área (Perspectivas do Ensino de História, Encontro de Pesquisadores do Ensino de História), há duas décadas.
No intercâmbio dos conhecimentos referentes ao currículo escolar, à educação e à história, a história das disciplinas escolares procura responder aos desafios que o tempo presente coloca em relação aos saberes escolares, situando-os em relação aos diferentes contextos históricos e educacionais em que se constituíram. Desse modo, pensar o ensino de história como pesquisa, com objeto próprio, tem implicado articular a questão da produção do conhecimento histórico com a produção social da escola e os saberes e práticas dos diversos agentes do universo escolar. Nessa perspectiva, as investigações que ressaltam a compreensão do currículo como processo e como parte do ambiente situado, contingente e contraditório do universo escolar, têm contribuído para enriquecer o debate sobre a formação das disciplinas escolares. Em resumo, os pesquisadores da área buscam compreender processos como o das configurações curriculares em seu movimento complexo e dinâmico de construção e reconstrução de saberes, em confronto e diálogo com as questões sociais, culturais, políticas, pedagógicas, econômicas inscritas no seu tempo. Nesse percurso, pode construir seu objeto – como os conteúdos, as práticas, as normas, as finalidades – situando-o em abordagens que procuram problematizar os aspectos externos e internos do espaço escolar.

15. Ciência-Tecnologia-Sociedade-História

Coordenadores:

Descrição:    

O simpósio Ciência-Tecnologia-Sociedade-História faz parte da programação geral do Grupo de Estudos de História da Ciência e da Tecnologia (GEHCT/ANPUH).
O simpósio Ciência-Tecnologia-Sociedade-História pretende reunir no XXV Simpósio Nacional de História em Fortaleza um conjunto de trabalhos visando cruzar fronteiras disciplinares e pensar/ re-pensar a criação-invenção-descoberta-construção-desenvolvimento-produção-adoção-difusão de fatos e artefatos científico-tecnológicos no Brasil.
Na segunda metade do século XX, novas direções na história, na sociologia, na antropologia e na filosofia da ciência e da tecnologia, e particularmente os chamados estudos de laboratório na década de 1980, marcaram um deslocamento na apreciação de como acontece a feitura não só dos artefatos mas também dos fatos científico-tecnológicos. Este deslocamento problematizou a universalidade e a neutralidade, tanto dos fatos e artefatos científicos e tecnológicos como também das instituições e métodos envolvidos em sua produção, nos mesmos termos, todos eles entendidos a partir de então como entidades, elementos ou peças heterogêneas e provisionais, na construção das tecnociências modernas e contemporâneas.
A universalidade e a neutralidade das ciências e das técnicas, e, principalmente, sua difusão, tornaram-se equivalentes à disseminação global de entidades (fatos, artefatos, instituições, métodos, classificações) resultantes de processos consolidados com maior densidade no primeiro mundo. Neste quadro, o deslocamento indicado acima evidencia a importância fazer / re-fazer as histórias das iniciativas de construção de conhecimento (científico) local, situado, no Brasil, carreguem elas o rótulo de “sucesso” ou de “fracasso.”

Bibliografia:    

Bijker, W. E., T. P. Hughes, et al. The Social construction of technological systems: new directions in the sociology and history of technology. Cambridge, Mass.: MIT Press. 1987. x, 405 p. p.
Bloor, D. Knowledge and social imagery. Chicago: University of Chicago Press. 1976/1991. xi, 203 p. p.
Entrevista com Michel Callon: dos estudos de laboratório aos estudos de coletivos heterogêneos, passando pelos gerenciamentos econômicos (Antonio Arellano Hernández e Ivan da Costa Marques). Sociologias, v.10, n.19, jan/jun 2008, p.302-330. 2008.
Collins, H. M. Changing order: replication and induction in scientific practice. Chicago: University of Chicago Press. 1992. x, 199 p. p.
Daston, L. Biographies of scientific objects. Chicago: University of Chicago Press. 2000. ix, 307 p. p.
Kuhn, T. S. A estrutura da revoluções científicas. São Paulo: Editora Perspectiva. 1969/1992. 257 p. (Debates)
Latour, B. Reassembling the social: an introduction to actor-network-theory. Oxford; New York: Oxford University Press. 2005. x, 301 p. p.
Latour, B. e S. Woolgar. A vida de laboratório - a produção dos fatos científicos. Rio de Janeiro: Relume Dumará. 1979/1997. 310 p.
Law, J. e J. Hassard. Actor network theory and after. Oxford [England]; Malden, MA: Blackwell/Sociological Review. 1999. 256 p. p.
Mannheim, K. Ideologia e Utopia. Rio de Janeiro: Editora Guanabara. 1936/1986. 330 p.
Parente, A., Ed. Tramas da rede. Porto Alegre, RS, Brasil: Editora Meridional, p.303ed. 2004.
Serres, M., Ed. Elementos para uma História das Ciências - III. De Pasteur ao Computador. Lisboa, v.III, p.248ed. 1989/1996.
Shapin, S. e S. Schaffer. Leviathan and the air-pump: Hobbes, Boyle, and the experimental life: including a translation of Thomas Hobbes, Dialogus physicus de natura aeris by Simon Schaffer. Princeton, N.J.: Princeton University Press. 1985. xiv, 440 p. p.
Stengers, I. A invenção das ciências modernas. São Paulo: Editora 34. 2002. 205 p.

Justificativa:    

Os chamados Estudos CTS (Estudos de Ciência-Tecnologia-Sociedade), imbricados com as Histórias das Ciências e das Tecnologias, voltam-se prioritariamente para a análise do processo de construção, vista como uma imbricação indissociável de criação, invenção, descoberta, desenvolvimento, difusão e implantação, de fatos e artefatos científico-tecnológicos.
Trata-se de área enraizada nos Social Studies of Knowledge dos anos 1970 e 1980, que marcaram deslocamentos na apreciação de como acontece a produção social não só dos artefatos, mas também dos fatos científico-tecnológicos (práticas, instituições, métodos). Estes deslocamentos problematizaram a universalidade e a neutralidade dos conhecimentos científicos-tecnológicos, passando a trabalhá-los como localmente situados.
A partir destes pontos comuns, diferentes vertentes de estudos vêm se desenvolvendo: estudos de laboratórios, estudos sobre a constituição de redes sócio-técnicas, estudos sobre a implantação de áreas e práticas científicas e tecnológicas. Diferentes abordagens também são observadas: estudos de caráter antropológico, estudos que se aproximam da área da história cultural, estudos de controvérsias, etc.
A perspectiva é que o simpósio se constitua em um painel do que da área destes estudos no Brasil hoje e que contribua para sua ampliação e diversificação.

16. História Vivida, História Pensada, História Escrita

Coordenadores:

Descrição:    

Na ciência histórica, a articulação entre teoria e prática se desenvolve notavelmente nos últimos anos, em particular no Brasil. Como nas ciências sociais, a correlação entre a experiência vivida do tempo, seu processamento reflexivo e sua expressão escrita põe desafios e impõe tarefas. Três grandes círculos interagem: 1) o recorte epistêmico da concepção teórica que orienta a consciência histórica e as questões que ela põe ao vivido, 2) a percepção individual e coletiva do vivido refletido como fator decisivo, como chave interpretativa do sentido do ser e do agir no tempo histórico, e 3) a expressão narrativa, historiográfica, da síntese interpretativa e explicativa na qual há convergência entre a experiência do tempo passado, sua subsunção na vivência do tempo presente e sua projeção para o tempo futuro. O estoque refletido da historiografia maneja uma tríplice via interpretativa do tempo vivido: a) a do pertencimento a determinada tradição, b) a do esforço de suplantar, pela consciência e pela cultura histórica, a dependência inicial e inercial de todo agente racional de sua história e c) a do requisito de controle metódico qualitativo do resultado da pesquisa na historiografia, no pensamento histórico posto por escrito, para evitar a ingenuidade das crenças acríticas como das filiações ideológicas. O tratamento das questões históricas que interessam as sociedades e as suas culturas inclui três dimensões concretas: I) os itinerários empíricos da sociedade e de seus integrantes (política, economia, etc.), II) o cenário filosófico e teórico da organização da vida social e cultural presente, que funciona como caldo de cultura envolvente dos agentes, e III) o duplo direcionamento das perguntas que se formulam no campo historiográfico: ao tempo passado, como forma de decifrar enigmas, ao tempo futuro, como horizonte de expectativa de conformação do agir a partir do entendimento e da dominação intelectual do passado e do presente, como fatores conformadores do futuro.

Bibliografia:

BLOCH, Marc. Apologie pour l'histoire ou métier d'historien. Paris: A. Colin, 1941 [6. ed. 1964].
______. Histoire et historiens. Textos reunidos por Étienne Bloch. Paris: A. Colin, 1995.
BRAUDEL, Fernand. Écrits sur l'histoire. Paris: Flammarion, 1969.
______. Les Écrits de Fernand Braudel. Paris: Éd. du Fallois, 1995-1999. v. 1: Autour de la Méditerranée; v. 2: Les ambitions de l'histoire; v. 3: L 'histoire au quotidien.
BURKE, Peter. A Escola dos Annales 1929-1989: a revolução francesa da historiografia. São Paulo: Unesp, 1991.
CARBONNELL, Ch.-O.; WALCH, Jean (Org.). Les sciences historiques de l'Antiquité à nos jours. Paris: Larousse, 1994.
CERTEAU, Michel de. L'écriture de l'histoire. Paris: Gallimard, 1975.
CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1990. BERGMANN, K. et al. Handbuch der Geschichtsdidaktik. 5. ed. Düsseldorf: Schwann,
CHAUNU, Pierre. Histoire quantitative, histoire sérielle. Paris: A. Colin, 1978.
______. Pour l'histoire. Paris: Perrin, 1984.
COHEN, G. A. Karl Marx's theory of history: a defence. Oxford: Clarendon Press, 1982 (reimpr.).
COUTAU-BEGARIE, Hervé. Le phénomène "nouvelle histoire". Paris: Economica, 1983.
DARNTON, Robert. O grande massacre dos gatos: e outros episódios da história cultural francesa. Rio de Janeiro: Graal, 1976.
DOMARCHI, Jean. Marx et l'histoire. Paris: L'Herne, 1972.
DOSSE, François. A história em migalhas. São Paulo: Ensaio; Unicamp, 1992.
FEBVRE, Lucien. Combates pela história. Lisboa: Presença, 1977.
FURET, François. L'atelier de l'histoire. Paris: Flammarion, 1982.
GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
______. A micro-história e outros ensaios. Lisboa: Difel, 1989.
HEINTEL, Erich. Grundriss der Dialektik: Ein Beitrag Zu Ihrer Fundamentalphilosophischen Bedeutung. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1984.
JAMESON, Fredric. O marxismo tardio. São Paulo: Boitempo, 1997. [Orig. 1987].
KOCKA, Jürgen. Sozialgeschichte: Begriff, Entwicklung, Probleme. 2. ed. Göttingen: Vandenhoek & Ruprecht, 1986.
LADURIE, Emmanuel Le Roy. Le territoire de l'historien. Paris: Gallimard, 1973.
LE GOFF, Jacques (Org.). La nouvelle histoire. Paris: Retz/CEPL, 1978.
LE GOFF, Jacques. A história nova. São Paulo: Martins Fontes, 1990.
LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre (Org.). História: novos problemas; novos objetos; novas abordagens. 4. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995.
LLOYD, Christopher. As estruturas da história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
MALERBA, Jurandir (Org). A história escrita. Teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006.
MARTINS, Estevão C. de Rezende. Historiografia alemã no século 20: encontros e desencontros, em Malerba, Jurandir (Org.). Historiografia contemporânea em perspectiva crítica. Bauru: são Paulo, 2007, p. 45-68.
_______. Voltaire, em Lopes, Marcos A. (Org.). Idéias de história: tradição e inovação de Maquiavel a Herder. Londrina: Eduel, 2007, p. 177-202.
MASSICOTTE, Guy. L'histoire problème: la méthode de Lucien Febvre. Québec; Paris: Edisem: Maloine, 1981.
MATTOSO, José. A escrita da história: teoria e métodos. Lisboa: Estampa, 1988.
MENDES, José M. Amado. A história como ciência. 3. ed. Coimbra: Coimbra, 1993.
MOMIGLIANO, Arnaldo. The classical foundations of modern historiography. Berkeley: University of California Press, 1990.
MORAZÉ, Charles. A lógica da história. São Paulo: Difel, 1970.
NIPPERDEY, Thomas. Pode a história ser objetiva? Tradução E. de Rezende Martins. Manuscrito de 1983.
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PÓK, Attila. A historiografia do leste europeu após a queda do Muro. XIX Congresso Mundial de História. Oslo: CISH, 2000.
REVEL, Jacques. Histoire et sciences sociales: les paradigmes des Annales. Annales ESC, n. 6, nov./déc. 1979.
______. Jogos de escalas: a experiência da microanálise. Rio de Janeiro: FGV, 1998.
RÖD, W. Filosofia dialética moderna. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1984 [Orig. 1982].
RÜSEN, Jörn. Rekonstruktion der Vergangenheit. Göttingen: Vandenhoek & Ruprecht, 1986.
______. Lebendige Geschichte. Göttingen: Vandenhoek & Ruprecht, 1989.
______. Razão histórica: teoria da história: os fundamentos da ciência histórica. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.
SAMARAN, Charles (Org.). L'histoire et ses méthodes. Paris: La Plêiade, 1961.
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SKOCPOL, Theda. Estados e revoluções sociais: análise comparativa da França, Rússia e China. Lisboa: Editorial Presença, 1985.
STOIOANOVITCH, T. The French historical method: the annales paradigm. Ithaca: Cornell University Press, 1976.
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TILLY, Charles (Org.). The formation of National States in Western Europe. Princeton: Princeton University Press, 1975.
VEYNE, Paul. Comment on écrit l'histoire. Paris: Seuil, 1971 [A edição de bolso, em 1978, recebeu o acréscimo do ensaio: Foucault révolutionne l'histoire].
VILAR, Pierre. Une histoire en construction: approche marxiste et problématiques conjoncturelles. Paris: Gallimard; Seuil, 1982.
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VOVELLE, Michel. Idéologies et mentalités. Paris: Maspero, 1982.
WEHLER, Hans-Ulrich. Historische Sozialwissenschaft und Geschichtsschreibung. Göttingen: Vandenhoek & Ruprecht, 1980.
WHITE, Hayden. The historical text as a literary artifact. Clio, v. 3, n. 3, p. 277-303, jun. 1974.
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______. Metahistória. São Paulo: Edusp, 1991.
______. Trópicos do discurso. São Paulo: Edusp, 1995.

Justificativa:    

No mundo multicultural contemporâneo e na convivência multidisciplinar das ciências sociais, a ciência histórica busca responder a duas questões. Uma, para “dentro”, trata de sua legitimidade epistemológica e a sua relevância teórica. Outra, para “fora”, objetiva elaborar e apresentar à sociedade uma sustentação explicativa, discursiva, do sentido de suas tradições e da sua circunstância presente. Se para a primeira questão a ciência histórica assume elementos normativos, de caráter metódico e convencional para a prática da disciplina, na segunda converge, concorre, diverge, convive, compete no espaço público com as demais ciências sociais. Assim a ciência histórica se constitui em um movimento constante de refundação, a partir de uma teoria da verdade possível, socialmente aceitável, culturalmente consistente (a historiografia é uma contribuição verossímil e plausível, a partir de dados controláveis). A constituição metódica de uma ciência histórica assim concebida avança enquanto baseada em uma teoria da pertinência empírica de seu discurso (narrativa) com relação à base empírica de sua pesquisa. Fundamentação teórica, práxis metódica e relevância social (e, por conseguinte, ética) da ciência histórica são questões interligadas. Do teor das respostas que se lhes der depende, em larga medida, a função da história como referência de constituição pessoal e social da identidade e da legitimidade ativa. Esse conjunto de questões pode ser tratado no simpósio sob diversos aspectos, dos quais se destaca três:
(a) que fundamentos há, na era da relativização generalizada, para a confiabilidade do conhecimento histórico, para além da inércia das tradições; (b) que legitimidade possui o discurso narrativo da historiografia (ainda predominantemente nacional) para (cor)responder ao projeto de identidade cultural da sociedade a que se dirige e de que emerge; (c) que autonomia ou originalidade possui a ciência histórica com relação aos paradigmas de outras ciências sociais.

17. História, Religiões e Ética

Coordenadores:

Descrição:    

O objetivo desse Seminário é abrir um espaço para as pesquisas que, a partir de estudos históricos, antropológicos e sociológicos, correlacionam a História e a Ética como elementos que se integram articuladamente à vida social, política, econômica e religiosa das sociedades em seus direfentes balizamentos históricos e culturais.

Bibliografia:    

ARÓSTEGUI, Julio. A Pesquisa Histórica: Teoria e Método. Bauru. EDUSC, 2006.
BIANCHI, U. Religion et les religiona: saggi di metodologia della stória de le religioní. Roma, LEIDEN, 1982.
BRELICH, Angelo. Introduzione alla Storia delle Religioni. EDIZIONI DELL'ATENEO, 1966.
BRELICH, Angelo. La metodologia della Scuola di Roma delle religioni. Pisa/Roma, ISTITUTI EDITORIALI E POLIGRAFICI INTERNAZIONALI, 1995.
CEBALLOS, María Cruz Marín & CORONIL, Jesús San Bernardino (Coords.) Teoría de la historia de las religiones: las escuelas recientes. España, UNIVERSIDAD DE SEVILLA, 2006.
DIEZ DE VELASCO, F. La historia de las religiones: métodos y perspectivas, Madrid, AKAL, 2005.
FILORAMO, Giovanni, MASSENZIO, Marcelo & MASSIMO, Raveri. Manuale di Storia delle religioni. Roma, LATERZA, 2006.
FILORAMO, Giovanni. Che co'è religione. Temi, metodi, problemi. Torino, EINAUDI, 2004.
GIUSEPPE, Mihelcic. Una Religione Di Liberta: Raffaele Pettazzoni e la Scuola Romana di Storia delle Religioni. CITTA' NUOVA, 2003.
HANS, Kippernberg. La scoperta della storia delle religioni. MORCELLIANA, 2002.
LE GOFF, Jacques. A História Nova. 5ª. Ed. São Paulo, MARTINS FONTES, 2005.
MASSENZIO, Marcello. A História das Religiões na cultura moderna. São Paulo, HEDRA, 2005.
MAZZOLENI, Gilberto & SATIEMMA, Adriano. Le religioni e la Storia: a proposito di un metodo. Roma, BULZONI, 2005.
MAZZOLENI, Gilberto. Storia, religioni, culture. Prospettive di metodo. EUROPA LA GOLIARDICA, 1994.
MONTANARI, Enrico. Categorie e forme nella storia delle religioni. JACABOOK, 2001.
PRANDI, Carlo & FILORAMO, Giovanni. As Ciências das Religiões. São Paulo, PAULUS, 1999.
RÜSEN, Jörn. Razão Histórica: os fundamentos da ciência histórica. III Vols. Brasília, EDITORA UNB, 2001.
PINSKY, Carla Bassanezi (Org). Fontes Históricas. 2ª. Ed. São Paulo, CONTEXTO, 2006.
WAARDENBURG, J. Significados religiosos: una introducción sistemática a la ciencia de las religiones. Colombia, BILBAO, 2001.

Justificativa:    

Desde a pré-história até nossos dias a ética tem regulado a conduta do homem por meio de regras, normas e valores estabelecendo estreito vínculo entre os conceitos morais e a realidade humana. Nesse sentido, no âmbito das relações humanas e institucionais, encontramos desde a colonização na América em sua vertente cultural católico-ibérica relações éticas em múltiplas manifestações religiosas que oriundas de matrizes africana, indígena e européia se expressam por meio de festas, confrarias, devoções populares, num processo constante de ressignificação cultural. Constatamos também que os diferentes diálogos culturais envolvendo as religiões e a sociedade na América Latina bem como a inserção de múltiplas ramificações protestantes e católicas quer no campo cultural, político ou institucional além da emergência de novas religiões se solidificam estabelecendo estreita vinculação com o sujeito social num processo contínuo de mudança. Por isso, consideramos a ética inserida no contexto histórico, cultural e religioso da sociedade humana, legitimando assim, a articulação entre a História e a Ética.
Temas relacionados:
1- História da América Latina desde a introdução até a situação atual.
2- Relações históricas e éticas no interior das Igrejas, Missões, Ordens Religiosas.
3- Confrarias, Dioceses e Movimentos Religiosos.
4- Diálogos políticos e Institucionais envolvendo religiões e religiosidades.
5- Relações éticas entre religiões e religiosidades.
6- Diálogos intra e extra-eclesiástico.
7- Relações históricas e éticas entre liderança e disputa pelo poder.
8- Campos de diálogo entre sociedade, ética e religião.

18. Historiografia e Escrita da História: as Dimensões Éticas do Ofício do Historiador

Coordenadores:

Descrição:    

Este Simpósio se propõe a se constituir num espaço para a apresentação e discussão de trabalhos que tem na escrita da história, no ofício do historiador, na análise da história da historiografia as preocupações nucleares, não deixando de estar aberto para a apresentação e discussão de trabalhos que tratam de outras modalidades de veiculação e construção da cultura histórica, enfatizando nesta oportunidade a abordagem das dimensões éticas que envolvem esta escrita, este ofício e os valores e princípios éticos ou morais que estiveram ou estão na base das várias formulações teóricas e metodológicas no campo da historiografia. Trata-se de interrogar sobre as relações entre as distintas formas de produção da memória e as discussões e lutas políticas e sociais em torno dos valores.

Bibliografia:    

LEVI, Nelson. Ética e História. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2004.
SALDANHA, Nelson Nogueira. Ética e História. São Paulo: Renovar, 2007.
SOUZA, Ricardo Timm. Sujeito, Ética e História. São Paulo: EDUC, 1999.
BLOCH, Marc. Apologia da História ou o Oficio do Historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2002.

Justificativa:    

Em um Simpósio Nacional que terá como temática a relação entre o saber histórico e as questões éticas, torna-se da maior importância a abertura de um espaço para a discussão do próprio fazer historiográfico e da escrita da história como momento fundamental da produção de versões da memória social, que quase sempre estiveram e estão articuladas a códigos de valores, a princípios de moralidade, a concepções éticas, a projetos políticos, a formas de pensar a sociedade e os destinos políticos dos povos. O próprio exercício do ofício do historiador requer reflexões em torno das dimensões éticas que são imanentes e constitutivas de nossas práticas e fazem parte da repercussão das versões que apresentamos para a vida dos sujeitos, dos acontecimentos, das temporalidades. Discutir os confrontos entre as diferentes correntes historiográficas e as diversas versões que elaboraram para o passado como um momento da luta em torno de valores, tanto no interior da academia, como fora dela, como fruto de estratégias de legitimação não só do próprio conhecimento histórico, mas de projetos de intervenção na vida pública das nações e dos povos, é a temática deste Simpósio, que procurará articular e discutir as relações entre a produção do conhecimento histórico, a escrita da história e as lutas em torno de noções e princípios éticos e morais e pela hegemonia política e ideológica nos diferentes espaços do mundo contemporâneo.

19. (I)Migrações, Memória, Identidade e Cidadania

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio propõe o encontro de estudiosos e pesquisadores do tema (I)MIGRAÇÕES, viabilizando uma oportunidade acadêmica para a socialização e interação de projetos individuais e/ou coletivos que se desenvolvam neste campo de estudos, em que, por influência do desenvolvimento da História Cultural, abordagens inovadoras entrelaçam o tema à memória, identidade e cidadania, dentre outros, alargando sua noção clássica.
Objetivos: - Problematizar os referenciais teóricos pertinentes ao campo estudado, como: memória, etnicidade, identidade, cidadania, dentre outros; - Contribuir na identificação dos corpus documentais, públicos e privados, de diferentes tipologias, inclusive as fontes orais e iconográficas; - Sistematizar o estado atual dos estudos sobre o tema, no maior número de Estados possível, destacando-se as principais linhas de pesquisa historiográficas e metodológicas; - Valorizar a contribuição de estudos sobre a interação social dos diferentes grupos de imigrantes, assim como os processos de territorialização que vivenciaram em todo o país, além de oferecer oportunidade para o estabelecimento de discussões sobre a questão das alteridades, das práticas e das representações; - Proporcionar a comparação de estudos de caso; - Estimular o desenvolvimento de novas pesquisas sobre o tema, assim como sua aplicação aos conteúdos programáticos de História no ensino fundamental e médio, destacando sua pertinência para plena compreensão da história social e política do Brasil contemporâneo.

Bibliografia:    

CASTRO GOMES, Ângela. Histórias de imigrantes e de imigração no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 7 letras, 2000, pp. 66-103.
CHARTIER, Roger. A História Cultural. Entre práticas e representações. Lisboa: DIFEL, 1990.
CNPD. Migrações Internacionais. Contribuições para Políticas. Brasília: CNPD, 2001.
CONSTANTINO, Nuncia Santoro. O italiano da esquina: imigrantes meridionais na sociedade porto-alegrense. Porto Alegre: Est, 2008.
HECKER, Alexandre. Um socialismo possível. São Paulo: TA Queiroz, 1989.
LE GOFF, Jacques. História e Memória. [trad.]. Campinas: Ed. UNICAMP, 2003.
LOBO, Eulália M. Lahmeyer. Imigração Portuguesa no Brasil. São Paulo: Hucitec, 2001.
MARTINS, Ismênia de Lima e SOUSA, Fernando. Portugueses no Brasil: Migrantes em Dois Atos. Niterói: Muiraquitã, 2006.
MATOS, Maria Izilda de, SOUSA, Fernado, HECKER, Alexandre (org.). Deslocamentos e trajetórias/; os portugueses. São Paulo: EDUSC, 2008.
MENEZES, Lená Medeiros de. “Movimentos migratórios: Resgate necessário nas Relações Internacionais”. In: Relações Internacionais: Teorias e Processos. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2007.
YÁÑEZ GALLARDO, César. La emigración española a América (siglos XIX y XX) Colombres, Archivo de Indianos, 1994.

Justificativa:    

O Simpósio tem como justificativa problematizar os referenciais teóricos pertinentes ao campo estudado, como: memória, etnicidade, identidade, cidadania, dentre outros, Contribuir na identificação dos corpus documentais, públicos e privados, de diferentes tipologias, inclusive as fontes orais e iconográficas; Sistematizar o estado atual dos estudos sobre o tema, no maior número de Estados possível, destacando-se as principais linhas de pesquisa historiográficas e metodológicas; Valorizar a contribuição de estudos sobre a interação social dos diferentes grupos de imigrantes, assim como os processos de territorialização que vivenciaram em todo o país, além de oferecer oportunidade para o estabelecimento de discussões sobre a questão das alteridades, das práticas e das representações; Proporcionar a comparação de estudos de caso; Estimular o desenvolvimento de novas pesquisas sobre o tema.
Tema obrigatório na pauta contemporânea, o estudo das (i)migrações vem se constituindo em matéria de interesse primordial para os historiadores, o que ficou comprovado no simpósio nacional realizado em São Leopoldo. O interesse sobre os processos vividos no presente suscita, inevitavelmente, novas indagações sobre o passado, visto os deslocamentos populacionais acompanharem os processos de mundialização, suscitando antigas e novas questões acerca da figura do estrangeiro e dos processos e-imigratórios. Um simpósio como o que esta sendo proposto representa não só uma oportunidade para a troca de experiências entre pesquisadores e um balanço historiográfico sobre o tema quanto um espaço privilegiado para estimular o desenvolvimento de novas pesquisas sobre uma temática tão complexa e vital para um melhor entendimento dos encontros e desencontros entre o “eu” e o "outro”, onde a questão ética se coloca de forma impactante.

20. Igreja – Práticas Religiosas e Culturais

Coordenadores:

Descrição:    

O presente Simpósio Temático pretende colocar em debate as diferentes pesquisas realizadas sobre o tema Igreja, religiosidade e práticas culturais.
Tomando como ponto de partida as vivências eclesiais cristãs,sobretudo dos leigos, pretendemos evidenciar as diferentes facetas dos processos históricos delas decorrentes. As práticas religiosas, colocadas a par com as determinações dogmáticas e morais das Igrejas, podem oferecer ao historiador uma oportunidade impar para compreender as relações entre as estratégias institucionais, e as táticas (De Certeau) dos fiéis.
O simpósio temático será, também, uma oportunidade para a troca de experiências entre os pesquisadores,especialmente no tocante às fontes para uma história religiosa do Brasil e à situação dos arquivos e das instituições voltadas para este campo da pesquisa histórica.
Será, também, uma ocasião para que possamos tomar conhecimento dos temas mais pesquisados e daqueles que estão ainda precisando ser explorados .
Em resumo, o Simpósio proposto pretende oferecer aos historiadores nele inscritos a oportunidade de se voltar para a produção historiográfica referente às práticas religiosas no Brasil, e contribuir desta forma para o enriquecimento do debate acadêmico. Pretende também ajudar a situar a produção de história religiosa no contexto geral da produção historiográfica nacional.

Bibliografia:    

GUTIERREZ, Exequiel. De Leão XIII a João Paulo II, cem anos de doutrina social da Igreja. São Paulo: Paulinas, 1995.
HOORNAERT, Eduardo. História da Igreja no Brasil - tomo II. Petrópolis: Paulinas / VOZES, 1992.
JEDIN, Hubert. Storia della Chiesa: la chiesa negli stati moderni e i movimenti sociali (1878-1914). Milano: Editoriale Jaca Book, 1973.
LENZENWEGER, Josef at alii (org). História da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2006.
LUSTOSA, Oscar F. A Igreja Católica no Brasil República. São Paulo: Paulinas, 1991.
MAINWARING, Scott. Igreja Católica e Poder no Brasil: 1916- 1985. Rio de Janeiro: Ed. Brasiliense, 1989.
MARIA, Pe. Júlio. O Catolicismo no Brasil, Memória Histórica. Rio de Janeiro: Agir, 1950.
MONTENEGRO, João Alfredo. Evolução do Catolicismo no Brasil. Petrópolis: VOZES, 1972.
OLIVEIRA,Anderson José Machado de.Devoção Negra:santos pretos e catequese no Brasil Colonial.Rio de Janeiro:Quartet/FAPERJ,2008.
ORTZ, Joseph. Storia della Chiesa in Prospecttiva di Storia Delle Idee: Evo Moderno. 5º. Ed. Torino: Edizioni Paoline, 1993.
RÉMOND, Réne (org). Por uma História Política. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2003.
STEIL,Carlos Alberto.O Sertão das Romarias.Santuário de Bom Jesus da Lapa.Petrópolis:Vozes/CID,1996.
VIEIRA, Davi Gueiros. O Protestantismo, a Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil. Brasília: Ed.UnB, 1980.
VV.AA.Religiosidade popular e misticismo.São Paulo:Paulinas,1984.

Justificativa:    

No último século, a sociedade brasileira passou por um rápido processo de secularização e de pluralização. Apesar disso as Igrejas cristãs continuam a ocupar um lugar de destaque na sociedade brasileira. As práticas religiosas cristãs mobilizam boa parte da população norteando, muitas vezes, suas opiniões políticas e suas opções de vida, tanto no privado quanto no público.
Notamos também o crescente interesse dos pesquisadores por temáticas ligadas aos estudos da religião. Neste campo,em particular, tais estudos vêm suprir uma grave lacuna nos estudos historiográficos. Encontramos um bom número de estudos, especialmente na antropologia e na sociologia, mas os estudos de história ainda estão aquém da importância que a religião tem para o povo brasileiro,e de um modo especial a religião cristão com toda a sua pluralidade confessional. Problematizar as práticas religiosas, com certeza nos ajuda a lançar luz sobre as questões que mais inquietam os homens e as mulheres do século XXI. Em um século no qual as opções religiosas influem, direta e de um modo incisivo, sobre as decisões políticas, econômicas e mesmo militares, os historiadores muito têm a contribuir,sobretudo se não descurarem este vasto campo para a pesquisa histórica e as trocas interdisciplinares com as outras ciências humanas, inclusive a teologia, a saber: o campo que tem por objeto o fenômeno religioso em suas mais diferentes facetas.

21. Imagens de Arte e a Ética do Olhar

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio pretende colocar em discussão questões relativas às imagens de arte e as diferentes abordagens e práticas do olhar, no âmbito de uma ética da arte em perspectiva histórica. Trata-se de pensar a arte na sua produção, na sua circulação e no seu arquivamento a partir das questões relativas à visualidade, privilegiando-se questões referentes aos seguintes tópicos: tradição e ruptura; diferentes moralidades em torno da arte; o coloquial e o monumental; o arquivo, a memória e o esquecimento; mostrar e não mostrar; o esquecer no contexto de super-exposição; cultura visual; o olhar como fato moral; arte, memória e política.

Bibliografia:    

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaio sobre literatura e história da cultura. Trad. Sergio Paulo Rouanet. 5 ed. São Paulo: Brasiliense. 1993. (Obras Escolhidas, v. 1).
BURUCÚA, José Emilio. Historia, arte, cultura: de Aby Warburg a Carlo Ginzburg. Buenos Aires: Fondo de Cultura Econômica, 2003.
KNAUSS, Paulo. Uma história para o nosso tempo: historiografia como fato moral. História Unisinos, v. 2, n. 2, p. 140-147, mai-ago/2008. disponível em:http://www.unisinos.br/publicacoes_cientificas/images/stories/pdfs_historia/vol12n2/05.ArtCultura. Uberlândia: Edufu, v.8, n.12, 2006.
RICOUER, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Trad. Alain François. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2007.

Justificativa:    

O tema “imagens de arte” vem sendo discutido em eventos científicos que congregam historiadores e pesquisadores de áreas afins, ao longo dos últimos quatro anos, quando no XXIII Simpósio Nacional da Anpuh, em 2005, por iniciativa da Profa. Dra. Maria Bernardete Ramos Flores foi oferecido o ST – História, arte e imagem. Desde então, um grupo significativo de pesquisadores tem se dedicado ao debate da temática em eventos diversos, no âmbito regional, nacional e internacional. Assim, buscando dar continuidade às discussões até então realizadas, os dois professores/pesquisadores que propuseram o ST – Imagens de arte: fronteiras disciplinares entre história da imagem e história da arte, no XXIV Simpósio Nacional da Anpuh, em 2007, vem propor o ST - Imagens de Arte e a ética do olhar visando oportunizar aos pesquisadores que se dedicam a esta temática um espaço de discussão no âmbito da reunião Nacional da Anpuh, em 2009.
Para tanto, procura-se conjugar o estudo das imagens de arte com a temática geral proposta no evento, surgindo oportunamente a questão da ética do olhar que abarca discussões atuais tanto na área da história quanto na área da arte. As discussões fomentadas neste âmbito estão presentes tanto na arte contemporânea, quanto no uso de arquivos e na escrita da história. Evidenciam-se, cada vez mais, práticas semelhantes entre seus agentes, sendo a intertextualidade (entendida em sentido amplo de textos lidos, vistos e ouvidos) elemento capaz de articular a produção e a circulação de obras de arte.

22. Império e Colonização: Economia, Sociedade e Política na América Portuguesa

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio procurará discutir as noções de Império e de Antigo Sistema Colonial, tomando o vasto espaço das conquistas lusas, destacando a dinâmica específica das estruturas coloniais da América Portuguesa.

Bibliografia:    

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes. São Paulo: Companhia das Letras, 2000; ARRUDA, José Jobson de Andrade. O Brasil no comércio colonial. São Paulo, Atica, 1980; ; BOXER, Charles. Idade de Ouro do Brasil. 3a ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000; FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder. 9a ed., São Paulo: Globo, 1991;FERLINI, Vera Lúcia Amaral. Terra, Trabalho e Poder. São Paulo: Brasiliense, 1988; FERNANDES, Florestan. Circuito Fechado. 2a ed. São Paulo: Hucitec, 1977; FRAGOSO, João et alii. O Antigo Regime nos Trópicos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001; FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 24a ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1991; GODINHO, Vitorino Magalhães. A Estrutura na Antiga Sociedade Portuguesa. Lisboa: Arcádia, 1971; GODINHO, Vitorino Magalhães. Os Descobrimentos e a Economia Mundial. 4 vols. 2a ed. Lisboa: Presença, 1991; HESPANHA, António M. As vésperas do Leviathan. Coimbra: Almedina, 1994; HOLANDA, Sergio Buarque de. Raízes do Brasil, 26a ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995;NOVAIS, Fernando. Portugal e o Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial. 6a ed. São Paulo: Hucitec, 1995; PRADO JR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Martins, 1942; PUNTONI, Pedro. A Guerra dos Bárbaros. São Paulo: Hucitec e Edusp, 2000; SCHWARTZ, Stuart. Burocracia e Sociedade no Brasil Colonial. São Paulo: Perspectiva: 1979; SCHWARTZ, Stuart. Segredos Internos. São Paulo: Companhia das Letras, 1988; SOUZA, Laura de Mello e. O sol e a sombra: política e administração na América Portuguesa do século XVIII. São Paulo, Cia das Letras, 2006.

Justificativa:    

As grandes polêmicas entre as interpretações da colonização moderna que dominaram a cena nos anos 70, muitas vezes excessivamente teóricas, foram ofuscadas momentaneamente por uma certa historiografia cultural, influenciada pela chamada nova história, mas voltaram a ocupar a primazia das discussões em meados dos anos 90, renovadas por pesquisas de caráter fortemente empírico, marcadas também por um retorno ao estudo das questões político-administrativas. Portanto, se o nexo colonial, nas bases do que se convencionou chamar de Antigo Sistema Colonial, marcou profundamente a sociedade que se constituiu nas partes do Brasil, teve como aspectos centrais questões de cunho econômico, nem por isso estas podem ser estudadas isoladamente. Faz-se assim necessário o estudo também de variados aspectos políticos e culturais (religião, mentalidades etc.) que em combinação com os primeiros moldaram nossa formação colonial, dentro da dimensão imperial.
O objetivo é abrir espaço para pesquisas que tornem mais complexa a idéia de colônia e metrópole, seja introduzindo as dimensões intercoloniais de relação, como, no caso do tráfico, a dinâmica atlântica, seja, analisando as diferentes formas de organização das relações entre a Metrópole e suas colônias, no espaço e no tempo. De outra parte, buscará destacar os elementos que embasam a conexão das relações entre as partes do Império, ressaltando sua dimensão plural, mas afastando a visão de descerebração, de ausência de centralidade.
Pretende-se discutir como a articulação entre a grande produção mercantil e seu complexo de sustentação do tráfico e de viabilidade do abastecimento interno, a variedade dos arranjos sociais, a flexibilidade das instituições político - administrativas, das formas de articulação capazes de estabelecer um complexo sistema de relações horizontais e verticais com as diferentes instâncias do poder central, intermediário e local, não anula, ao contrário, exige a compreensão do Sistema Colonial.

23. Educação, Religião e Ética: Perspectivas Históricas

Coordenadores:

Descrição:    

Este simpósio pretende fomentar um debate em torno de pesquisas que abordem a relação entre educação e ética e/ou entre religião e ética; na perspectiva de evidenciar a historicidade desses conceitos e também da ética no exercício da pesquisa. De diferentes maneiras, a educação escolar (tanto laica quanto religiosa) e a extra-escolar, continuam formando gerações. Investigar esses processos históricos de formação de sujeitos contribui para a compreensão das correlações de poder entre os indivíduos envolvidos e das condutas ético-sociais por eles assumidas em contextos específicos.
Já no Brasil imperial, a união entre Igreja e Estado, base da política monárquica, garantiu à religião uma posição estruturante das práticas e representações sociais. A queda das monarquias e a separação entre Igreja e Estado abriram caminhos para a institucionalização da religião. Utilizando-se das vias do discurso democrático, os grupos que se mantiveram fiéis aos princípios religiosos continuaram apoiados em práticas educativas. A religião passou a integrar as disputas pela liderança dos bens culturais, construindo um discurso baseado na ética. Desse modo, nas instâncias religiosas, há um discurso que procura se mostrar superior aos demais justamente por manter em suas bases a discussão moral e ética. Assim, a religião continua participando da complexidade sócio-cultural representando um campo de permanências e/ou de rupturas, de tensões e de conciliações.
Nesse sentido, este simpósio está aberto a acolher os trabalhos que discutam os processos educativos via escola e/ou religião. A escola e a religião ocupam uma dimensão salutar na constituição histórico-cultural das sociedades e nas relações nelas estabelecidas, contribuindo ou não para a formação ética dos sujeitos. Igualmente, são bem vindos os trabalhos que juntamente com a temática tangenciem sobre a ética no exercício da profissão do historiador, principalmente da ética na História Oral.

Bibliografia:    

BERGER, Peter. O dossel sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo: Paulus, 1985.
BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas lingüísticas. São Paulo: Edusp, 1998.
_____. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1999.
CHARTIER, Roger. A História Cultural: entre práticas e representações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1987.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1994.
DURKHEIM. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 1993.
_____. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1988.
GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva, 1987.
HERMANN, Nadja. Pluralidade e ética em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
LENHARO, Alcir. A sacralização da política. Campinas: Papirus, 1986.
LE GOFF, Jacques. História e memória. São Paulo: Unicamp, 1996.
LOPES, Eliane Marta Teixeira. Da sagrada missão pedagógica. Bragança Paulista: Ed. da Universidade de São Francisco, 2003.
MIRANDA. Danilo Santos (org.). Ética e cultura. São Paulo: Perspectiva, SESC São Paulo, 2004.
NAGLE, Jorge. Educação e sociedade na primeira república. São Paulo: EPU; Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Material Escolar, 1974.
NUNES, Clarice. Guia preliminar de fonte para a história da educação brasileira. Brasília: Inep, 1992.
OLIVEIRA, Manfredo (org.). Correntes fundamentais da ética contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2000.
PORTELLI, Alessandro. Tentando aprender um pouquinho: algumas reflexões sobre a ética na História Oral. In: Projeto História, São Paulo: n. 15, abr./1997.
VALLS, Álvaro. O que é ética. Brasiliense, 1993.
VÁZQUEZ, Sánches. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

Justificativa:    

É de vital relevância que o tema deste Simpósio – Educação, Religião e Ética –, seja tomado como objeto de investigação pelos historiadores, haja vista a necessidade de se refletir sobre a contribuição da educação e da religião na construção sócio-histórica da ética e na formação cultural da sociedade. Ademais, é mister levantar a seguinte questão: como a escola e a religião contribuem para a formação ética dos indivíduos? A ética também está nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) como tema a ser trabalhado pelos professores. Para tanto, é necessário compreender a historicidade desse conceito e dos paradigmas elencados pela filosofia desde a antigüidade até os dias atuais. Pergunta-se: a apropriação da palavra ética não estará visando tão somente a uma catequização de valores morais? Igualmente, pode-se questionar e investigar a forma pela qual as instituições de ensino privado exercem atividades de cunho religioso confessional – direito garantido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (nº 9394/96, art. 20).
Enfim, há investigações sobre os processos de gerenciamento do sagrado dentro de espaços educativos que têm demonstrado o uso da religião como instrumento para impor a ordem e resolver problemas de indisciplina. Além disso, há educadores vulneráveis à ideologia do mercado da religião, e, na ausência de respeito às diferenças, aumentam os casos de intolerância religiosa.
Nesse sentido, o referido tema é um campo fértil de reflexões teórico-metodológicas nos estudos historiográficos. Assim como a História Cultural tornou-se um campo privilegiado e têm contribuído na renovação da historiografia, também a História da Educação, da Religião e das Religiosidades tem contribuído nessa renovação. Diversos pesquisadores sinalizam para a emergência desses campos de investigação, apontando para as suas fronteiras móveis e o surgimento de novas reflexões, incluindo-se a dimensão da ética em sua historicidade e no ofício do historiador.

24. Imprensa, História Social e Memória

Coordenadores:

Descrição:    

Aberto a pesquisadores e pesquisas de diferentes áreas, este Simpósio Temático propõe problematizar o campo da história da imprensa brasileira segundo interpelações que lhe são impostas pelas lutas sociais em diferentes momentos de sua atuação. Com essa compreensão, abre-se a discussão de pesquisas que proponham a reflexão sobre:
- os diferentes espaços sociais e modos de fazer imprensa; problematizando a configuração das publicações em suas diferentes formas históricas e variedade de veículos (que incluem desde os jornais diários, jornais alternativos ou de humor, até aquela produzida por movimentos sociais e populares) e os diversos gêneros e linguagens que historicamente articulam a materialidade das publicações.
- as diferentes configurações históricas e momentos de atuação dos periódicos da imprensa popular e alternativa e que se propõem veículos de vozes alternativas e/ou dissidentes visando contribuir para dar maior visibilidade a memórias ainda pouco valorizadas e reconhecidas.
- as disputas travadas na e pela imprensa que coloquem em causa a liberdade de imprensa, o direito a informação e a liberdade de expressão dos cidadãos e a democratização da comunicação em diferentes momentos históricos.
- as redes de comunicação social no interior das quais os periódicos se constituem e atuam e que remetem ao estudo dos grupos produtores e públicos leitores que são mobilizados e se mobilizam enquanto um campo de forças na feitura e na leitura do periódico.
- as articulações entre os periódicos e os projetos sociais e conjunturas nos quais vieram a público, entendendo que a imprensa se constitui numa das dimensões importantes das lutas sociais na cidade, em permanente tensão com outras forças, também identificáveis em suas próprias colunas, nos temas e sujeitos que articula.
- os usos de materiais da imprensa na pesquisa e no ensino visando a discussão de procedimentos teórico-metodológicos que coloquem em debate perspectivas de investigação e docência.

Bibliografia:    

BAHIA, Juarez. Jornal, História e Técnica. São Paulo, Ática, 1990.
BARBOSA, Marta E. Jacinto. Famintos do Ceará: Imprensa e Fotografia entre o final do século XIX e início do século XX. São Paulo, Tese de Doutorado, PUC-SP, 2004.
CHARTIER, Roger. (org.) Les Usages de L' Imprimé. Paris, Fayard, 1987.
CHAUÍ, Marilena. O Nacional e o Popular na Cultura Brasileira: Seminários. São Paulo, Brasiliense, 1983.
CRUZ, Heloísa de Faria. São Paulo em Papel e Tinta: Periodismo e Vida Urbana- 1890/1915 . São Paulo, EDUC/FAPESP/Imprensa Oficial/Arquivo do Estado, 2000.
DARNTON, Robert e ROCHE, Daniel.A Revolução Impressa: A Imprensa na França, 1775-1800. São Paulo, EDUSP, 1996.
FERREIRA Maria Nazareth. A Imprensa Operária no Brasil: 1880/1910. Petrópolis, Vozes, 1978.
HABERMAS, Jurgen. Mudança Estrutural da Esfera Pública. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1984.
HALL, Stuart. Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2003.
HOGGART, R. As Utilizações da Cultura. Lisboa, Presença,1973,vols.1 e 2.
KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e revolucionários: Tempo da Imprensa Alternativa.São Paulo, Scrita, 1991.
MACIEL, Laura Antunes. “Produzindo Notícias e Histórias: algumas questões em torno da relação telégrafo e imprensa- 1880/1920”. In: FENELON, Déa Ribeiro e outros(orgs). Muitas Memórias, Outras Histórias. São Paulo, Olho D’Água, 2004.
MARTIN-BARBERO, Jesús. Dos Meios às Mediações: Comunicação, Cultura e Hegemonia. Rio de Janeiro, Ed. UFRJ, 1997.
SCHWARTZ, Liliam Moritz. O retrato em Branco e Negro: jornais, escravos e cidadãos em São Paulo no final do século XIX. São Paulo, Círculo do Livro,1987.
SODRÉ, Nelson Werneck. História da Imprensa no Brasil. Rio de Janeiro, Mauad, 1999.
WILLIAMS, Raymond. “The Press and Popular Culture”.In: Newspaper History, Londres, Constable, 1978.
WILLIAMS, Raymond. Marxismo e Literatura. Rio de Janeiro, Zahar, 1979.

Justificativa:    

No contexto de disputas emergentes na atual conjuntura de redefinição dos sistemas de comunicação, de rearranjo do controle dos meios e das lutas pela democratização da comunicação, julgamos oportuno propor uma reflexão sobre as relações entre História Social e imprensa, privilegiando a dinâmica das lutas e dos embates travados na e pela imprensa.
A compreensão é a de que trazer o estudo da imprensa para o campo da História Social significa retomar e ampliar tradições de pesquisa que caracterizam a imprensa como um lugar fundamental na articulação de projetos, na afirmação de memórias, na definição/redefinição de papéis sociais, na construção de sentidos e de realidades sociais.
Trata-se de entender a Imprensa como linguagem constitutiva do social, que detém uma historicidade e peculiaridades próprias, e requer ser trabalhada e compreendida como tal, desvendando, a cada momento, as relações imprensa /sociedade, e os movimentos de constituição e instituição do social que esta relação propõe.
Articular História Social e imprensa implica também em reconhecer o hegemônico como uma das tensões presentes no fazer da imprensa, discutindo as razões da invisibilidade das ações populares, críticas ou alternativas neste processo para reconhecer os sinais da presença pública de outras memórias na dinâmica social.

25. Intelectuais, Biografias e Política no Século XX

Coordenadores:

Descrição:    

A presente proposta de Simpósio Temático pretende aglutinar comunicações de professores e pesquisadores que desenvolvem investigações na área da História Contemporânea, nos campos da História Social, Política e Cultural. Sua ênfase recairá sobre a presença dos intelectuais entendidos como agentes da reflexão e/ou da atuação sobre os acontecimentos históricos. Serão enfocadas as diferentes interpretações acerca dos momentos cruciais responsáveis pela formação do mundo contemporâneo bem como as idéias de crise, estabilidade, continuidades, descontinuidades, revoluções e contra-revoluções. Também será dada relevância às histórias de vida desses intelectuais, contribuindo para o fortalecimento dos estudos biográficos no campo da História.
Episódios dramáticos como as duas guerras mundiais, a guerra fria, as revoluções socialistas, as experiências autoritárias na Europa e na América Latina, as lutas de libertação nacional, os golpes de Estado, as crises e movimentos internacionais, entre outros, seguirão as coordenadas de uma “história problema”, onde a história é vista, concomitantemente, como “ciência do passado” e “ciência do presente”, as duas iluminando-se reciprocamente com vistas à formação de uma consciência crítica diante de uma realidade cada vez mais complexa. Ao mesmo tempo, a conduta dos indivíduos, seus olhares e interpretações a respeito do tempo vivido terão importância equivalente. Neste caso, interessa sobretudo, como o intelectual percebe o acontecimento e sua relação com a ruptura ou com a tradição histórica.
Tal fio condutor se nutrirá de uma perspectiva interdisciplinar fundada num horizonte plural, incentivador do confronto entre paradigmas teóricos, perspectivas historiográficas e abordagens metodológicas diversas, ciente de que o entrecruzamento das diferenças promoverá o binômio ampliação/renovação do conhecimento histórico.

Bibliografia:    

BERNSTEIN, S. L’historien et la culture politique. In: Vingtième siècle – Revue d’histoire. Paris (35), juil-sept, 1992, p. 67-77.
BLOCKMANS, W. P. La nouvelle histoire politique. In: LADURIE, Le Roy et alli. L’histoire et ses mèthodes. Actes du Colloque Franco-Nèerlandais de novembre à Amsterdam. Lille : Presses Universitaire de Lille, 1981, p. 109-121.
BOBBIO, N. Os intelectuais e o poder: Dúvidas e opções dos homens de cultura na sociedade contemporânea. São Paulo: Unesp, 1997.
CHÂTELET, F. & PISIER-KOUCHNER, É. Les conceptions politiques du XXe siècle. Paris: Press, s/d.
GIRARDET, R. Mitos e mitologias políticas. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
____. Du concept du génération a la notion de contemporanéite. In : Revue d’histoire moderne et contemporaine. 1983, p. 257-270.
GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
ORY, P. (dir.). Nouvelle histoire dês idées politiques. Paris: Hachette, 1987.
ORY, P. & SIRINELLI, J. F. Les intellectuels en France (de l’affaire Dreyfus à nous jour). 2ª ed. Paris : Armand Colin, 1992.
RÉMOND, R. [Organizador]. Por uma história política. Rio de Janeiro: Editora UFRJ/Editora FGV, 1996.
____. Les intellectueles et la politique. In: Revue Française de Science politique. Vol. 9, n° 4, décembre, 1959, p. 860-880.
ROSANVALON, P. Por uma história conceitual do político. In: Revista Brasileira de História. v. 15, n. 30, São Paulo: Associação Nacional de História, 1995, p. 9-22.
SIRINELLI, J. F. Le hasard ou la necessite? Une histoire em chantier. L’histoire des intellectuels. In: Vingtième siècle. Revue d’istoire, Paris. (9), 97-108, jan-mars, 1986.
WINOCK, M. O século dos intelectuais. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.

Justificativa:    

Desde meados da década de 1970 que os estudos em torno dos intelectuais têm ganhado importância crescente, assim como também os estudos biográficos. Outro elemento importante datado do final do século XX foi a tendência à aproximação da História Política das Histórias Cultural, Social e Econômica, bem como da interdisciplinaridade. Assim, uma série de contribuições em diversas áreas tem contribuído para um saber histórico mais diversificado. Nos estudos a respeito dos intelectuais a preocupação com este objeto naquele que foi chamado por Bernstein o Século dos Intelectuais é mais que evidente (vide bibliografia). Uma notável contribuição em torno da relação entre intelectuais e política se encontra em Norberto Bobbio, ao distinguir ideólogos e experts. Enquanto os primeiros estariam regidos pela ética de seus valores, os segundos seriam regidos pelas responsabilidades, por seus projetos e organizações. Outra referência importante no presente Simpósio é o conceito de habitus, ou tradições mentais, tal qual desenvolvido por Serge Bernstein e principalmente Norbert Elias. Trata-se do conjunto de esquemas mentais que conferem unidade à forma de pensar de uma época. Por fim, gostaríamos de mencionar a contribuição de J. F. Sirinelli. A começar por seus conceitos de itinerário, de estruturas de sociabilidade e de geração. Para Sirinelli existem duas definições possíveis de intelectuais: a sócio-cultural e a política. Na primeira, encontramos os chamados criadores e mediadores culturais, responsáveis pela produção, difusão e recepção da cultura (jornalistas, escritores, professores secundários e sábios em geral, capazes de estabelecer mediações com a sociedade). Na segunda categoria, estão os intelectuais assim definidos a partir da esfera política (determinados por seu engajamento político tanto pela participação direta como ator ou agente da política, como também pela participação indireta, como consciência de seu tempo).

26. Interlocuções entre História, Ética e Linguagens Artísticas – Aspectos Estéticos e Políticos do Diálogo Arte e Sociedade

Coordenadores:

Descrição:    

O diálogo multidisciplinar, de maneira sistemática, tem se ampliado no âmbito da pesquisa histórica, particularmente pela atuação de pesquisadores que se deslocam, dadas as suas inquietações teóricas, para outras áreas de conhecimento. Estes, para além do interesse em objetos específicos, visam também refletir sobre a ampliação do território, propriamente dito, de atuação do historiador.

Bibliografia:    

LOPES, Antonio H.; VELLOSO, Monica P.; PESAVENTO, Sandra J. "História e Linguagens". Rio de Janeiro: 7 Letras/FCRB, 2006.
RAMOS, Alcides F.; PEIXOTO, Fernando; PATRIOTA, Rosangela. "A História Invade a Cena". São Paulo: Hucitec, 2008.
RAMOS, Alcides F.; PATRIOTA, Rosangela; PESAVENTO, Sandra J. "Imagens na História". São Paulo: Hucitec, 2008.

Justificativa:    

Dentre as várias perspectivas de deslocamentos, o campo da História e Linguagens – que se desdobra em binômios com a Música, o Teatro, o Cinema, a Literatura e as Artes Plásticas, dentre outros – tem se constituído com o objetivo de refletir, por meio de questões no nível teórico e metodológico, sobre perspectivas de trabalho, abordagens temáticas e, principalmente, quais as contribuições que estas pesquisas têm trazido para o conhecimento histórico e para o debate historiográfico, além de promover instigantes interlocuções.
Com esta proposição, as Coordenadoras deste Simpósio, juntamente com outros colegas [Alcides Freire Ramos, João Pinto Furtado, Alexandre Pacheco, Adriana Fernandes, Robson Camargo, Luciano Carneiro Alves, Thaís Leão Vieira, Maria Luiza Martini, entre outros] têm desenvolvido um trabalho de aproximação de pesquisadores que se voltam para estas problemáticas em vários encontros da Associação Nacional de História, tanto em âmbito nacional quanto regional. Essa iniciativa começou, em 2003, no XXII Simpósio Nacional de História e consolidou-se nos anos seguintes tanto em nível nacional quanto nos Encontros Regionais. Ao lado disso, cabe ressaltar também que as proponentes, assim como demais participantes dessa proposta de Simpósio Temático integram o GT Nacional de História Cultural e possuem participação ativa em suas reuniões bianuais.
Nesse sentido, mais uma vez, com o objetivo de fortalecer nossa discussão junto à ANPUH Nacional, apresentamos para avaliação da Comissão Científica o Simpósio Temático Interlocuções entre História, Ética e Linguagens Artísticas – aspectos estéticos e políticos do diálogo Arte e Sociedade.
Essa proposta, por um lado, possibilitará que continuemos aprofundando nossos debates no campo da História & Linguagens Artísticas. De outro lado, permitirá que investiguemos de forma acentuada a maneira pela qual valores, intenções e circunstâncias estimulam e propiciam a construção do objeto artístico na forma e no conteúdo.

27. Linguagens e Práticas da Cidadania

Coordenadores:

Descrição:    

O objetivo geral da proposta apresentada é estudar as particularidades que permearam o longo e peculiar caminho percorrido pelo fenômeno da cidadania no Brasil, em especial, quanto às dificuldades e realizações na busca do que se convencionou denominar de cidadania plena. O tema pressupõe aprofundar os estudos quanto aos vínculos dos cidadãos com o governo e das instituições com o Estado, bem como os valores e as práticas sociais definidoras da esfera pública. Pretende-se igualmente privilegiar os processos de participação política, com exercício do direito político de representar e de se fazer representado junto ao governo, bem como influenciar na tomada de decisões. As análises da política levarão em consideração não apenas os diplomas legais e a constituição de direitos a partir dos poderes instituídos pela Constituição de 1824, mas ressaltar-se-á a constituição de direitos a partir as vivências dos indivíduos no cotidiano e os movimentos populares. As ações consideradas serão as de rebeldia e de contestação, mas igualmente aquelas de participação pelos canais formais, tais como ser jurado, eleitor ou peticionar ao governo. Como o relacionamento dos cidadãos com o Estado se caracteriza pela regulamentação da vida coletiva, a análise das leis será um caminho importante para examinar a sua configuração, da mesma forma que será importante considerarmos as sociabilidades estabelecidas através da vida associativa no século XIX. Outros aspectos que serão privilegiados dizem respeito a temas como as manifestações nas irmandades religiosas, as associações filantrópicas, intelectuais, assistenciais e profissionais. A intenção é rever as diversas perspectivas historiográficas, mormente, aquelas que costumam atribuir ao Brasil um lugar de exceção no processo de construção da cidadania no mundo ocidental.

Bibliografia:    

ABREU, Martha, O Império do Divino, Festas Religiosas e Cultura Popular no Rio de Janeiro, 1830-1900. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1998.
BESSONE, Tania Maria. Palácios de destinos cruzados: bibliotecas, homens e livros. Rio de Janeiro -1870-1920. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1999.
CARVALHO, José Murilo de. “Cidadania: Tipos e Percursos” In Estudos Históricos, vol. 9, n. 18, 1995. p. 337-359.
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 2ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
CARVALHO, José Murilo de. Nação e cidadania no Império: novos horizontes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
GRINBERG, Keila. Código Civil e cidadania. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.
GUIMARÃES, Lúcia M. P. Debaixo da proteção de Sua Majestade Imperial: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838-1889). Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, 1995, nº 388.
GUIMARÃES, Manoel Luís Salgado. Nação e Civilização nos Trópicos: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto de uma História Nacional. Estudos Históricos. Caminhos da Historiografia. Rio de Janeiro, nº 1, pp. 5-27.
GUIMARÃES, Lúcia Maria Paschoal e FERRREIRA, Tania M. T. Bessone da Cruz. O IAB e os advogados no Império.In História da Ordem dos Advogados do Brasil. Hermann Baeta (org) Brasília: OAB, 2003.
MOREL, Marco. A política nas ruas: os espaços públicos na cidade imperial do Rio de Janeiro. Estudos ibero-Americanos, PUCRS, v. XXIV, pp. 59-73, junho de 1998.
NEVES, Lúcia Maria Bastos P. das. Corcundas e Constitucionais. A cultura política da Independência (1820-1822). Rio de Janeiro: Editora Revan/ FAPERJ, 2003.
RIBEIRO, Gladys S. A liberdade em construção. Identidade nacional e conflito antilusitano no Primeiro Reinado. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2002.
SALLES, Ricardo. Nostalgia Imperial. A formação da identidade nacional no Segundo Reinado. Rio de Janeiro: Tobooks, 1996.

Justificativa:    

Cidadania e participação política são temas privilegiados pela historiografia desde o século XIX, quando os distintos sentidos de cidadania começaram a se esboçar. Hoje em dia, à medida que se consolida o pleno direito do cidadão em suas práticas políticas, civis e sociais, que se tenta reconstruir a idéia de democracia e que, especialmente, no Brasil, a questão das políticas afirmativas tornou-se ponto obrigatório nos debates, a palavra cidadania é termo recorrente em ambientes diferenciados da discussão pública que envolve jornalistas, políticos, advogados, intelectuais, líderes sindicais, dirigentes de associações, entre outros. A temática encontra-se também presente como objeto de novas pesquisas e de novas abordagens, ampliando, por conseguinte, o seu horizonte. Nesse sentido, torna-se necessário rever fontes e interpretações que tradicionalmente balizaram os estudos sobre a cidadania em suas distintas dimensões.
A proposta ora apresentada pretende dar continuidade às propostas que vem sendo desenvolvidas nos seminários nacionais da ANPUH desde 2003, em João Pessoa; em 2005, em Londrina, e, por último, em 2007, em São Leopoldo, além de diversas participações em seminários vinculados à Anpuh Regional. Todos estes pesquisadores, vinculados do Centro de Estudos do Oitocentos (CEO) /PRONEX CNPq - FAPERJ e também ao Laboratório Redes de Poder e relações culturais - coordenado pelas professoras Lúcia Maria Paschoal Guimarães e Lúcia Maria Bastos Pereiras das Neves- além de diversos professores de universidades do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de Minas Gerais , especificamente, da UFRJ, UFF,UERJ, UNIRIO, UFRRJ, UFES, UFSJ, UFOP e UFJF - têm procurado discutir dimensões relativas ao que convencionou-se chamar de longo século XIX brasileiro, que se estenderia de fins do XVIII ao início do século XX, mais precisamente, até 1930.

28. Mundos do Trabalho: Entre a Escravidão e o Pós-Emancipação

Coordenadores:

Descrição:    

Este Simpósio pretende atrair apresentações sobre os mundos do trabalho e suas transformações nas sociedades escravistas e de pós-emancipação, sobretudo no Brasil e nas Américas. Uma das questões aqui é investigar as ambigüidades que se encontram na tentativa de definir limites claros entre “escravidão” e “liberdade”, trabalho formal e informal, bem como seus significados na experiência dos trabalhadores. O Simpósio pretende atrair sobretudo (mas não exclusivamente) trabalhos que abordem as seguintes áreas de estudo:
• Escravidão e as várias formas de trabalho compulsório no Brasil e nas Américas, sobretudo entre os séculos XIX e XX, incluindo os estudos comparativos;
• Diversidade das formas e arranjos de trabalho, incluindo os chamados “informais”, o trabalho doméstico, o trabalho eventual, etc.
• As formas de negociação, disputa e coerção (econômica e extra-econômica) dos termos do trabalho;
• Discussões sobre a “transição” entre o trabalho “escravo” e “livre”, bem como a discussão sobre a própria pertinência do conceito de “transição”;
• Aspectos legais ligados às transformações do trabalho, como a introdução de formas de regulação formal e “contratual” das relações laborais;
• Relações de trabalho envolvendo trabalhadores escravizados, libertos e livres, no campo e na cidade, com seus senhores e empregadores;
• Relações sociais na esfera do trabalho, tematizando questões de raça, etnia, gênero e religião;
• Continuidades e rupturas nas lutas e nas formas associativas dos trabalhadores entre a escravidão e o pós-emancipação, discutindo as várias formas de organização que envolveram trabalhadores, mesmo que não diretamente ligadas de modo mais evidente à esfera do trabalho: sindicatos e organizações políticas, mas também associações étnicas, recreativas, religiosas e laicas;
• Abolicionismos, ações e ideologias políticas entre a escravidão e o pós-emancipação;
• Trajetórias de indivíduos e de grupos entre a escravidão e o pós-emancipação.

Bibliografia:    

Brass, Tom & Marcel Van der Linden (ed.). Free and Unfree Labour: The Debate Continues.. (Bern: Peter Lang Academic Publishers, 1997.
Cooper, Frederick; Thomas C. Holt & Rebecca J. Scott. Além da escravidão. Investigações sobre raça, trabalho e cidadania em sociedades pós-emancipação. (com prefácio de Hebe Mattos). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
Cruz, Maria Cecília Velasco e. “Tradições negras na formação de um sindicato: sociedade de resistência dos trabalhadores em trapiche e café, Rio de Janeiro, 1905-1930”, Afro-Asia, n. 24, Salvador, 2000..
Cunha, Olívia Maria Gomes da, & Flávio dos Santos Gomes (org.). Quase-Cidadão. Histórias e antropologias da pós-emancipação no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2007.
Fraga Filho, Walter. Encruzilhadas da liberdade. Histórias de escravos e libertos na Bahia (1870-1910). Campinas: Edunicamp, 2006.
Gomes, Flávio & Antonio Luigi Negro. “Além de senzalas e fábricas. Uma história social do trabalho”, Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 18, n. 1, 2006, pp. 217-240.
Lara, Sílvia Hunold. “Escravidão, cidadania e história do trabalho no Brasil”, Projeto História, n. 16, São Paulo, 1998, pp. 25-38.
Mamigonian, Beatriz. To be a liberated African in Brazil: labour and citizenship in the nineteenth century. Phd Thesis. Waterloo (CA): University of Waterloo, 2002.
Mattos, Hebe & Ana Maria Rios. “O pós-abolição como problema histórico: balanços e perspectivas”. Topoi, volume 5, nº 8, janeiro-junho 2004, pp. 170-198.
Mattos, Marcelo Badaró. Escravizados e livres. Experiências comuns na formação da classe trabalhadora carioca. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2008.
Turner, Mary (ed.). From Chattel Slaves to Wage Slaves. The Dynamics of Labour Bargaining in the Americas. Kingston/Bloomington & Indianapolis/London: Ian Randle/Indiana University Press/James Currey, 1995.

Justificativa:    

Este Simpósio vincula-se às atividades do GT ANPUH Mundos do Trabalho e dá continuidade a importantes discussões que se desenvolvem no interior do GT desde sua fundação, apontando para uma convergência de interesses e de perspectivas entre a história do trabalho e a história da escravidão. Esses são temas que se aproximam de todo um conjunto de novos estudos contemporâneos, desenvolvidos no Brasil e em outros lugares, voltados a pensar o caráter distintivo das sociedades escravistas e de pós-emancipação, enfatizando o tema do trabalho como eixo de discussão.

29. Mundos do Trabalho: Estado, Organizações e Lutas

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio centrará seus debates e reflexões sobre as formas institucionais e não-institucionais de organização dos trabalhadores, sem fazer do Estado, em segundo lugar, um foco central necessário e superior das lutas operárias, mas ressalvando sua importância no ordenamento do lugar do trabalho na sociedade brasileira. No campo ou na cidade, partidos, sindicatos, greves e lutas, de um lado, irão se haver, doutro lado, com os mundos do trabalho também dedicados à sociabilidade e às várias formas de associação por fora dos lugares clássicos. Além das próprias representações que os trabalhadores constróem de si, de sua experiência e dos outros, importa, em acréscimo, estudar as relações estabelecidas com seus patrões, com chefes e autoridades, e com correntes políticas várias, dimensionando a importância de agências públicas nessas relações e representações.

Bibliografia:    

ARAÚJO, Ângela. (org.) Do corporativismo ao neoliberalismo: Estado e trabalhadores no Brasil e na Inglaterra. São Paulo: Boitempo, 2002.
__________. A construção do consentimento: corporativismo e trabalhadores nos anos
BATALHA, Claudio; DA SILVA, Fernando Teixeira. (orgs.). Culturas de classe – Identidade e diversidade na formação do operariado. Campinas: Editora da Unicamp, 2004.
COSTA, Vanda Maria Ribeiro. A armadilha do Leviatã: a construção do corporativismo no Brasil. Rio de Janeiro: Editora UERJ, 1999.
FERREIRA, Jorge (org.). O Populismo e sua história – debate e crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
FORTES, A. (Et. Al.), Na luta por direitos: estudos recentes em História Social do Trabalho. Campinas: UNICAMP, 1999.
FRENCH, John. ABC dos operários: lutas e alianças de classe em São Paulo, 1900 – 1950. São Paulo: Hucitec, 1995.
__________. Afogados em Leis: a CLT e a cultura política dos trabalhadores brasileiros. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2001.
GOMES, Ângela de Castro. Burguesia e Trabalho: política e legislação social no Brasil 1917 – 1937. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1979.
__________. A Invenção do Trabalhismo. Rio de Janeiro: Vértice; IUPERJ, 1988.
LOPES, José Sérgio Leite, Cultura & Identidade Operária: aspectos da cultura da classe trabalhadora. Rio de Janeiro: Marco Zero, Editora UFRJ, 1987.
LARA, Sílvia Hunold e Mendonça, Joseli Nunes (orgs.). Direitos e Justiças no Brasil: ensaios de história social. Campinas: Editora da UNICAMP, 2006.
THOMPSON, Edward Palmer. Senhores e Caçadores – A origem da lei negra, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
VAN DER LINDEN, Marcel; PRICE, Richard (orgs.), The rise and development of collective labour Law. Bern/New York: Peter Lang, 2000.

Justificativa:    

O tema dos Mundos do Trabalho é um tema tradicional e bem acolhido pelo público dos encontros (tanto regionais quanto nacionais) e das publicações vinculados à Anpuh. O GT Mundos do Trabalho, do qual emana a presente proposta, foi organizado logo que a Anpuh exortou seus associados a fazê-lo. De lá para cá, em todos os congressos nacionais, assim como em vários regionais, inúmeros simpósios em torno do tema têm sido organizados, com bons resultados. Isto é, em parte, devido ao desenvolvimento do sistema de pós-graduação no Brasil, no qual programas de História têm um lugar de relevo, importância que se ramifica nos objetos de pesquisa relativos ao trabalho e aos trabalhadores. Um efeito notável dessas atividades é o atual resultado do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica da Capes. Na História, os dois únicos projetos ganhadores estão vinculados ao GT Mundos do Trabalho.
É bom ainda indicar que vivemos hoje os efeitos de um longo percurso histórico, cujo “início” pode ser, com certa propriedade, datado em 1945. Desde a volta do país ao sistema democrático no pós-guerra e em 1988, as opções da política têm passado, decisivamente, pelas mãos da classe trabalhadora. Esta, afora isso, tem sido sujeito histórico decisivo na industrialização que mudou a cara do país nos últimos 70 anos mais ou menos.
Por fim, a vitalidade dos estudos que a atual proposta pretende em parte representar é efeito da descentralização da produção histórica brasileira, fato que se reflete, inclusive, no Ceará, aonde, na Universidade Federal do Ceará, encontra-se um programa de pós-graduação em História com especial interesse nos estudos do trabalho.

30. História e Comunicação: Mídias, Intelectuais e Participação Política

Coordenadores:

Descrição:    

Inserido em uma temática da História do Tempo Presente, tal proposta tem como tópicos o trabalho intelectual e a questão da ética, centrando-se nas práticas de um ofício – a do intelectual/jornalista¬ –, e nas regras a se seguir. Como também e, especialmente, nos momentos de ruptura dessas normas. Assim, motes como: o percurso de jornais, revistas, rádios, TVs, conglomerados de informação, etc., como também dos seus jornalistas; são os itens a serem contemplados. Ponderações de cunho teórico e/ou análises de processos históricos se tornam aqui igualmente importantes e necessárias.
Questões como o acesso à informação e o interdito, a Censura; a percepção da imprensa como empresa privada que vende um serviço de utilidade pública; e a atuação de intelectuais [jornalistas/homens de jornal], engajados politicamente a esquerda, ou a serviço do Estado [Earthly authority ou intelectocratas], e seus itinerários e engajamento políticos; a constituição das esferas públicas e a função da imprensa versus o processo de cidadania republicana brasileira são demandas importantes a serem aglutinadas. As redes de convivência e os códigos de sociabilidade no interior desses grupos de jornalistas/intelectuais se tornam também a clave para compreender os valores e as propostas constituídas nessas comunidades e sua sintonia com o panorama político no Brasil do século XX.
As práxis jornalísticas percebidas como uma encenação das regras sociais, de uma suposta vigília ao poder e da utopia de uma liberdade de expressão absoluta, remetem a temas tão presentes e contemporâneos. Assim, tal fórum deseja contemplar analises tanto no que se convencionou chamar História do Tempo Presente, como também nas relações do historiador e/ou dos cientistas social, tido como os “responsáveis” por tal “História”, e os jornalistas e sua “História do imediato”.

Bibliografia:    

ABRAMO, Cláudio. A regra do jogo: o jornalismo e a ética do marceneiro. SP, Companhia das Letras, 1988.
ABREU, João Batista de. As manobras da informação: análise da cobertura jornalística da luta armada no Brasil (1965-1979). RJ, Mauad/EdUFF, 2000.
ALVIM, Thereza Cesario (Org.). O golpe de 64: a imprensa disse não. RJ, Civilização Brasileira, [1979].
ANDRADE, Jeferson Ribeiro de. Um jornal assassinado: a última batalha do Correio da Manhã. RJ, José Olympio, 1991.
AQUINO, Maria Aparecida de. Censura, imprensa, Estado autoritário (1968-1978): o exercício cotidiano da dominação e da resistência. O Estado de S. Paulo e o Movimento. Bauru, Edusc, 1999.
ARAÚJO, Maria Paula Nascimento. A utopia fragmentada: as novas esquerdas no Brasil e no mundo na década de 1970. RJ, FGV, 2001.
BALANDIER, Georges. O poder em cena. Brasília, Editora da UnB, 1982.
BEDARIDA, François. Temps présent et présence de l’histoire. In: IHTP – Institut d’Histoire du Temps Présent. Écrire l’histoire du temps présent. Paris, CNRS Éditions, 1993.
_____. The social responsability of the historian. Diogène, n. 168, 1995.
BERG, Creuza de Oliveira. Os mecanismos do silêncio: expressões artísticas e o processo censório no regime militar; Brasil, 1964-1984. SP, 1997. Dissertação (Mestrado) — FFLCH/USP.
BERSTEIN, Serge. L’historien et la culture politiques. Vingtième siècle. Revue d’histoire, n. 35,
p. 67-77, 1992
BOBBIO, Norberto. Público/Privado. Enciclopédia Einaudi. Porto, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1989. v. 14: Estado-Guerra, p.177-90.
_____. Intelectuais e poder. SP, Unesp, 1997.
BOCCANERA, Sílio. An experiment in prior restraint press censorship in Brazil, 1972-1975. Dissertação (Mestrado) — University of Southern California, 1978.
BOURDIEU, Pierre. A ilusão biográfica. In: FERREIRA, M. de M.; AMADO, J. (Orgs.). Usos e abusos da história oral. RJ, FGV, 1996.
BOUTIER, Jean; JULIA, Dominique (Orgs.). Passados recompostos: campos e canteiros da história. RJ, Ed. UFRJ/FGV, 1998.

Justificativa:    

O objetivo principal desse Seminário, que se iniciou na Nacional de João Pessoa, em 2003,e teve continuidade na Regional do Rio em 2006, na Nacional de São Leopoldo em 2007, na Regional de São Paulo em 2008, é dar continuidade a sua proposta de constituição de um fórum multidisciplinar que reúna profissionais que refletem as “Mídias” enquanto temática [Historiadores, Cientistas Sociais, Jornalistas, Literatos, etc.]. Nessa direção, tal objeto é tido não só como fonte da análise mas, principalmente, como seu elemento fundamental de investigação e estudo. Serão privilegiados aqui, ensaios acerca da relação de poder nesse “universo de conivências" – das redações, rádios, TVs, etc. –; como também nos intercâmbios com a sociedade civil e as esferas de governo.

31. Mundos do Trabalho: Tradições e Culturas

Coordenadores:

Descrição:    

Este Simpósio Temático destina-se a receber trabalhos que permitam aprofundar o debate conceitual em torno da problemática do lugar da cultura e das tradições no mundo do trabalho e permitam, ainda, ampliar os horizontes de nossos conhecimentos a partir de pesquisas específicas sobre as múltiplas manifestações e materializações dessas culturas.

Bibliografia:    

BATALHA, Claudio H.M.; SILVA, Fernando Teixeira da; FORTES, Alexandre (Orgs.). Culturas de classe. Campinas: Editora da Unicamp, 2004.
FONTES, Paulo. Um nordeste em São Paulo: trabalhadores migrantes em São Miguel Paulista (1945-1966). Rio de Janeiro: FGV, 2008.
FORTES, Alexandre. Nós do Quarto Distrito: a classe trbalhadora porto-alegrense e a Era Vargas. Caxias do Sul: Educs, Rio de Janeiro: Garamond, 2004.
HUNT, Lynn. A nova história cultura. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
THOMPSON, Edward Palmer. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Justificativa:    

O campo das produções culturais e as indagações sobre suas relações com o mundo da produção material, da moradia, do bairro, da política, da vida cotidiana tem merecido a atenção de historiadores de diversas vertentes teóricas. Conceito que aproxima a História da Antropologia e enriquece o conhecimento do social, a definição de “cultura” é algo fugidia, ficando, às vezes, a impressão de que cultura “pode ser tudo”. Assim, este Simpósio Temático representa oportunidade para se experimentar e debater os vários usos possíveis das noções de cultura e tradição ligadas ao mundo do trabalho, estimulando e enriquecendo as reflexões e pesquisas em andamento e abrindo novas possibilidades.

32. História do Esporte e das Práticas Corporais

Coordenadores:

Descrição:    

Dando seqüência aos encontros realizados desde o Simpósio Nacional de História/ANPUH/2003 (João Pessoa), o objetivo desse Simpósio Temático é promover a troca de idéias e experiências de pesquisa entre historiadores que têm o esporte e as diferentes práticas corporais institucionalizadas (educação física, dança, ginástica, capoeira, entre outras) como objetos de investigação. A partir de uma perspectiva multidisciplinar, essa proposta busca na interface disciplinar contribuir para a consolidação de um campo de pesquisas relacionado a tais práticas sociais. Nesse sentido, pretendemos aproveitar este Simpósio tanto para fazer uma avaliação do percurso histórico da história do esporte no Brasil (organizando a mesa: História da História do Esporte no Brasil: Avaliando Trajetórias) quanto para melhor organizar ações futuras dos pesquisadores envolvidos com a subdisciplina (organizando uma sessão específica para tal debate). Também estão envolvidos com a proposição desse Simpósio: Prof.Dr. Luiz Carlos Ribeiro (UFPr, na condição de sub-coordenador), Profa. Dra. Andréa Moreno (UFMG), Profa. Dra. Maria Cristina Rosa (UFOP, também coordenadora do Grupo de Trabalho “Memória do Esporte e da Educação Física” do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte) e o Prof. Dr. André Capraro/UFPr).

Bibliografia:    

BOURDIEU, Pierre. Como é possível ser esportivo? In:________. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983. p.136-163.
BOURDIEU, Pierre. Programa para uma sociologia do esporte. In: ________. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990. p.207-220.
ELIAS, Norbert. A busca da excitação. Lisboa: Difel, 1992.
GIULIANOTTI, Richard (org.). Sport and modern social theorists. Londres: Palgrave, 2004.
GIULIANOTTI, Richard. Sport: a critical sociology. Cambridge: Polity, 2005.
HARGREAVES, John. Sport, power and culture: a social and historical analysis of popular sports in Britain. Cambridge: Polity Press, 1986.
HOBSBAWN, Eric. Quem é quem ou as incertezas da burguesia. In: ________. A Era dos Impérios. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. p.232-269.
LUCENA, Ricardo, PRONI, Marcelo (orgs.). Esporte: história e sociedade. Campinas: Autores Associados, 2002.
WEBER, Eugen. França fin de siecle. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

Justificativa:    

Por todo o mundo, as diferentes práticas corporais institucionalizadas (esporte, educação física, dança, ginástica, capoeira, entre outras) têm chamado atenção de cientistas sociais e historiadores, contribuindo para ampliar o olhar sobre o contexto social em que se inserem. No meio acadêmico brasileiro, ainda que existam estudos realizados desde o século XIX, a pesquisa histórica relacionado ao esporte e às práticas corporais é ainda um recente campo de investigação. Mesmo que o fenômeno esportivo não tenha escapado ao olhar atento de importantes investigadores brasileiros no decorrer do século XX, somente nas últimas décadas os estudos começaram a crescer quantitativa e qualitativamente, bem como a adquirir maior organicidade e reconhecimento científico. A evidência é que hoje o tema encontra-se disseminado em Programas de Pesquisa e Pós-Graduação de diversas disciplinas, como Sociologia, Antropologia, Literatura, Psicologia, Economia, Direito e História. As práticas corporais estão entre as mais importantes manifestações culturais em diversos contextos históricos. Tendo sua configuração articulada com as dimensões social, cultural, econômica e política, têm sido importantes ferramentas na construção de representações de processos identitários de classe, gênero, etnia e nação. No Brasil, isso fica acentuado pela grande presença do futebol em nossa formação sociocultural. Por tais motivações, e pelos excelentes resultados obtidos nos simpósios nacionais anteriores bem como em diversos encontros regionais da ANPUH, cremos ser importante a manutenção e o enriquecimento desse espaço de discussão.

33. Ensino de História e Historiografia: Narrativas, Saberes e Práticas

Coordenadores:

Descrição:    

O ensino da disciplina escolar história e seus suportes veiculam valores, entre outras formas, através da formulação de seus conteúdos curriculares. Eles são concretizações de poderes instituídos, em um jogo tenso entre sua manutenção e a busca de mudança. Pesquisar, refletir e divulgar pesquisas sobre o ensino de história, no diálogo com a historiografia escolar, torna-se ainda mais relevante em momento como o da contemporaneidade brasileira, em que são realizados severos questionamentos sobre tal ensino e seu impacto.
Este simpósio temático busca abrir um espaço para a discussão de pesquisas sobre a produção, circulação e consumo dos discursos historiográficos destinados ao público escolar, nas escolas e fora delas, em diferentes temporalidades e materialidades. Desde as pesquisas que se voltam para a historicizacão e problematização da produção e veiculação de materiais didáticos relacionados a disciplina escolar historia, inclusive as que focalizam como determinados temas são abordados nos livros de história da escola, até os que se voltam para outros materiais de circulação social sobre a história, nas salas de aula do passado e do presente. Volta-se, também, para pesquisas sobre as condições e formas de realização do discurso historiográfico escolar, com ou sem a mediação de materiais como livros didáticos, a partir de uma interlocução entre as áreas de Historia e Educação.
Focaliza-se com especial atenção a questão do currículo sobre os saberes produzidos e mobilizados por professores e alunos na ação docente de forma a caracterizar a estrutura narrativa configurada nessas construções do saber histórico escolar.Neste sentido, busca-se abrir espaço para as pesquisas que se voltam para a investigação sobre o saber histórico escolar, bem como para aquelas que se voltam para os saberes docentes, aqueles mobilizados e elaborados pelos professores para tornar o saber possível de ser ensinado.

Bibliografia:    

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. São Paulo: Ed. Cortez, 2004.
CAIMI, F. E. Conversas e controvérsias: o ensino de história no Brasil (1980-1998). Passo Fundo: Editora UPF, 2001.
CARRETERO, M.; ROSA, A.; GONZALES, M. F. Ensino da História e Memória Coletiva. Porto Alegre: Artmed, 2007.
CHARTIER, Roger. À beira da falésia: a história entre certezas e inquietude. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2002.
GABRIEL, C. T.. Um objeto de ensino chamado história: a disciplina de história nas tramas da didatização. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2003, tese de Doutorado em Educação.
GUIMARÃES, M. L. S. Estudos sobre a escrita da História. Rio de Janeiro: 7Letras, 2006.
MAGALHÃES, M. de S. Apontamentos para pensar o ensino de História hoje: reformas curriculares, Ensino Médio e formação de professores. Tempo, Vol. 11, nº 21, Rio de Janeiro, 2006, p. 59-74.
MATTOS, I. R. de (Org.). Histórias do ensino da História no Brasil. Rio de Janeiro: Access, 1998.
MONTEIRO, A. M. Professores de história: entre saberes e práticas. Rio de Janeiro: Mauad X, 2007.
MONTEIRO, Ana Maria Ferreira da Costa; GASPARELLO, Arlette Medeiros; MAGALHÃES, Marcelo de Souza (orgs). Ensino de História: entre saberes e práticas. Rio de Janeiro: Ed. Mauad X: FAPERJ, 2007.
REZNIK, L.. Tecendo o amanhã: a História do Brasil no ensino secundário: programas e livros didáticos – 1931 a 1945. Niterói: PPGH-UFF, 1992, dissertação de Mestrado.
ROCHA, H. A. B. O lugar da linguagem no ensino de História: entre a oralidade e a escrita. 2 vols. Niterói: UFF, 2006, tese de Doutorado em Educação.
ROCHA, H. A. B. A linguagem e o conhecimento no ensino de História: alternativas curriculares e didáticas. SAECULUM – Revista de História, ano 12, n. 15 (2006). João Pessoa: Departamento de História/ Programa de Pós-Graduação em História/ UFPB, jul./ dez. 2006, p.86-96

Justificativa:    

O ensino de História tem sido alvo de controvérsias acerca de seu sentido e importância (Bittencourt, 2007; Caimi, 2001; Magalhães, 2006; Monteiro, 2007; Rocha, 2006). Conforme diagnostica Carretero (2007), vivemos em tempos em que se estabelecem lutas culturais sobre o ensino escolar da História, por conta do movimento das sociedades contemporâneas em direção à memória e à promoção de valores. Neste sentido, tanto os autores que produzem materiais destinados ao ensino desta disciplina quanto professores, na elaboração de suas aulas, estão envolvidos na elaboração e reelaboração do discurso histórico escolar, entendido aqui como aquele que é produzido sobre a história para o público escolar, e por resse mesmo publico, nas escolas e fora delas (Gabriel, 2003; Monteiro,2007).
Constituindo uma área interdisciplinar de pesquisa, o ensino de história admite diversas formas de aproximação, entre elas, a da historiografia escolar, do currículo e dos estudos da linguagem. O diálogo entre as pesquisas sobre o ensino de história e a historiografia escolar se mostra com grande potencial, levando-se em conta a complexidade da tematica (Mattos, 1998). Assim, a partir de uma pluralidade de enfoques teórico-metodológicos, nos voltamos para a produção, a circulação e o consumo dos discursos historiográficos escolares em diferentes temporalidades e materialidades. No caso dos estudos sobre o ensino de história, assume-se uma perspectiva de diálogo entre pesquisadores das áreas de História e Educação, algo que vem se intensificando na última década. A promoção do simpósio visa criar um espaço interdisciplinar de reflexão em que os diálogos entre os pesquisadores e os professores de História de todos os níveis de ensino possam ser estreitados e socializados.

34. Norma e práxis no Mundo Ibérico. Séculos XV a XVIII

Coordenadores:

Descrição:    

Dando continuidade à colaboração iniciada entre os membros do projeto temático FAPESP “Dimensões do Império português” (Cátedra Jaime Cortesão FFLCH/USP) e do projeto Pronex-CNPq “Companhia das Índias” (ICHF/UFF) na ANPUH nacional de João Pessoa (2003), continuada no seminário “O governo dos povos” (Paraty, 2005), na ANPUH nacional (São Leopoldo, 2007) e regional São Paulo (São Paulo, 2008), este Seminário Temático visa comparar e compartilhar as pesquisas em andamento nos dois grupos de investigação mencionados (mas não exclusivamente) sobre a dinâmica das hierarquias sociais, das instituições religiosas, políticas e acadêmicas vigentes no mundo atlântico português da época moderna. O escopo espacial alargado deste simpósio visa abrir à pesquisa maiores possibilidades de estudos comparados, possibilitando também que se façam estudos conexos que permitirão melhor compreender as múltiplas raízes comuns dos dois impérios, espanhol e português. A questão da norma e da práxis é um prisma de estudo interessante para chegar a isto, pois de um modo ou de outro está presente em todos os níveis, todos os âmbitos da sociedade.

Bibliografia:    

- Pierre BOURDIEU, Pierre Bourdieu (R. Ortiz, org.), São Paulo, Ática, 1983.
- Michel FOUCAULT, As palavras e as coisas, São Paulo, Martins Fontes, 1981.
- Nicola GASBARRO, “Missões: a civilização cristã em ação”, in P. Montero (dir.), Deus na aldeia. Missionários, índios e mediação cultural, São Paulo, Globo, 2006, pp. 67-109.
- Paolo ROSSI, Naufrágios sem expectador: a idéia de progresso, São Paulo, Editora da Unesp, 1996.

Justificativa:    

O estudo da distância entre a regra e a prática ajuda a entender qual o ideal social/ político/ religioso a que aspiravam os homens de então. Como mostra Rossi, a análise dos modos encontrados por eles para tentar ultrapassar esta distância, pode mostrar, na longa ou na curta duração, mudanças no modo de pensar e também de proceder dos coevos, numa época em que surgem (graças aos descobrimentos, às inovações técnicas e científicas) as primeiras críticas do conhecimento estabelecido. É então que se começa a valorizar, ou em todo caso, destacar do conhecimento teórico, o conhecimento prático, valorizando ao mesmo tempo, em vez da simples repetição dos clássicos, o acúmulo do conhecimento e de experiências. Assim, não se trata aqui simplesmente de verificar a existência daquelas distâncias entre teoria e prática, inevitáveis a partir do momento em que se fixam regras de conduta.
Este seminário pretende destacar, como mostrou Pierre Bourdieu, que a prática não pode ser deduzida das regras, mas deve ser tomada como uma improvisação regular no qual esquema e contexto estão inextricavelmente associados e se implicam mutuamente. Tal premissa torna-se valiosa para os estudos, por exemplo, da religião e da política na época Moderna. Para melhor compreender as mudanças, recorremos também ao conceito de ortopráxis, empregado por Nicola Gasbarro em seu estudo sobre as missões. Vale mencionar que a ortopráxis distingue-se da ortodoxia por ater-se às condutas, às práticas, embora as últimas, por vezes, sejam condicionadas pela primeira. Assim, recorrendo a este conceito, o simpósio temático tenciona entender como a regra não escrita gere o funcionamento prático das instituições religiosas, sociais e políticas. Levando-se em conta o que foi dito, propõem-se cinco temas instrumentais de análise da questão:- estamentos e mobilidade social
- imagens e idéias do poder
- instituições e redes de poder
- religiões e identidades
- circulação, suportes e formas de conhecimento

35. Ordem Social e Fronteiras Identitárias na Antiguidade

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio tem o objetivo de congregar estudiosos
da Antiguidade Clássica e Médio-Oriental em torno do tema das diferentes
formas de ordenamento social, dos processos de negociação de conflitos e
contestação das diferentes formas de organização social dentro do âmbito
mais vasto do processo de integração dos povos ao redor da bacia do
Mediterrâneo Antigo, investigando as fronteiras, ou linhas de demarcação,
construídas ou impostas, entre sociedades políticas (cidades, impérios e
outras formas) e identidades étnicas e sociais. Trata-se de debater o
profundo impacto que a ampliação recente do ângulo de visão espacial e
temporal sobre essas sociedades experimentou nas últimas décadas, tendendo
a ver o Mediterrâneo como um vasto espaço de interação e de dar especial
ênfase para os problemas de definição identitária.


Bibliografia:    

CASTELLS, M. O poder da identidade. 5a. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. 4a. ed. Rio de Janeiro
: DP & A, 2000.
SILVA, T. T. da (org.). Identidade e diferença. 3a. ed. Petrópolis: Vozes,
2004.
BURKE, P. Hibridismo cultural. São Leopoldo : UNISINOS, 2003.


Justificativa:    

apresentação e justificativa da relevância do tema - A relevância do tema
se evidencia pela importância da história da Antigüidade na reflexão sobre
a tradição cultural na qual nos vemos inseridos. Além disto, busca mais
especificamente intensificar os debates acerca do processo de integração -
e seus limites - a partir da bacia do Mediterrâneo e a questão das
identidades neste amplo marco cronológico e espacial. Claramente estas
temáticas se apresentam bastante atuais quando a globalização e o
multiculturalismo estão no centro dos debates contemporâneos. O Simpósio
se mostra relvante também por razões organizativas. Esta é mais uma
atividade no calendário de ações do GT de História Antiga da ANPUH,
deliberada por ocasião de nosso VI Encontro Nacional, realizado em
Pelotas, em maio de 2008.

36. Os Índios na História: Organização, Mobilização e Atuação Política

Coordenadores:

Descrição:    

Em anos recentes, a temática indígena tem ocupado um espaço cada vez maior entre os historiadores. Este seminário temático visa dar continuidade às atividades em torno deste tema realizadas regularmente nos Simpósios Nacionais desde a adoção deste formato de trabalho, atividades essas que têm enfocado prioritariamente o papel desempenhado por índios enquanto agentes históricos. Como em anos anteriores, o Simpósio Temático está aberto, em princípio, a todos os recortes temáticos compatíveis com a história dos índios, com enfoque especial no Brasil porém não restrito a este espaço nacional-territorial. Daremos prioridade, no entanto, a trabalhos que apresentem pesquisas originais e enfoques inovadores sobre formas de organização, mobilização e atuação política. Estas formas abrangem várias possibilidades, tais como: o papel de lideranças indígenas, do século XVI ao XXI; a articulação de movimentos de protesto, reivindicação e rebelião; a formação de alianças em situações militares, políticas e administrativas; a relação intrínseca entre políticas indigenistas e a atuação política dos índios; o papel de mediadores não-índios; as relações entre índios e outros grupos sociais (quilombolas, afrodescendentes, camponeses, mestiços) na luta pela terra e outros direitos; os usos da história na articulação de movimentos etnopolíticos. A seleção de trabalhos levará em conta a originalidade da abordagem, a densidade da pesquisa e o diálogo com a bibliografia vigente.

Bibliografia:    

ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. Metamorfoses indígenas. Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, 2003.
ALMEIDA, Rita Heloisa de. O Diretório dos Índios. Brasília, Ed. UnB, 1997.
CARNEIRO DA CUNHA, Manuela, org. História dos Índios no Brasil. São Paulo, Cia. das Letras, 1992.
FARAGE, Nádia. As Muralhas dos Sertões. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.
FAUSTO, Carlos e HECKENBERGER, Michael, orgs. Time and Memory in Indigenous Amazonia. Gainesville: University Press of Florida, 2007.
GARFIELD, Seth. Indigenous Struggle at the Heart of Brazil. Durham: Duke University Press, 2001.
HEMMING, John. Ouro Vermelho. Trad. Carlos Eugênio Marcondes de Moura. São Paulo: Edusp, 2007.
LANGFUR, Hal. The Forbidden Lands. Stanford: Stanford University Press, 2006.
LIMA, Antônio Carlos de S. Um Grande Cerco de Paz. Petrópolis, Vozes, 1995.
MATTOS, Izabel Missagia de. Civilização e Revolta. Bauru: EDUSC/ANPOCS, 2004.
MONTEIRO, John M. Negros da Terra. São Paulo, Cia. das Letras, 1994.
MOREIRA NETO, Carlos de Araújo. Os Índios e a Ordem Imperial. Brasília, FUNAI, 2005.
OLIVEIRA, João Pacheco de, org. A Viagem da Volta: etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. 2ª ed. Rio de Janeiro, Contracapa, 2004.
OLIVEIRA, João Pacheco de. Ensaios em Antropologia Histórica. Rio de Janeiro, Editora UFRJ, 1999.
POMPA, Cristina. Religião Como Tradução. Bauru: EDUSC, 2003.
PUNTONI, Pedro. A Guerra dos Bárbaros. São Paulo, Hucitec, 2002.
RAMINELLI, Ronald. Imagens da Colonização. São Paulo: Edusp, 1996.
SCHWARTZ, Stuart B., e SALOMON, Frank, orgs. Cambridge History of the Native Peoples of the Americas: South America, 2 vols., Cambridge, Cambridge Univ. Press, 1999.
SILVA, Isabelle Braz Peixoto da. Vilas de Índios no Ceará Grande. Campinas: Pontes Editores, 2005.
WRIGHT, Robin. História Indígena e do Indigenismo no Alto Rio Negro. Campinas: Mercado das Letras e São Paulo: Instituto Socioambiental, 2005.

Justificativa:    

A história indígena tem marcado destacada presença nos Simpósios Nacionais e em vários encontros regionais da ANPUH nos últimos anos. A exemplo dos anos anteriores, este Simpósio Temático busca proporcionar um rico espaço de debate para um amplo leque de trabalhos representativos da diversidade regional, cronológica e conceitual que marca a produção nesta área. Outra característica importante dos nossos simpósios tem sido a participação de pesquisadores em diferentes estágios de carreira, de mestrandos iniciantes a lideranças de pesquisa na área, o que tem potencializado a troca de informações e de experiências. Finalmente, cabe informar que os trabalhos apresentados em 2005 (Londrina) e 2007 (São Leopoldo) foram colocados com antecedência no site “Os Índios na História do Brasil” (www.ifch.unicamp.br/ihb/Reunioes.htm/), com ampla divulgação, o que permitiu um debate mais rico durante os eventos.

37. Por uma História Comparada Latino-Americana: Instituições, Elites e Idéias, Séc. XIX e XX

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio História comparada latino-americana: instituições, elites e idéias, sécs. XIX e XX deverá reunir trabalhos orientados pela comparação histórica das sociedades políticas latino-americanas, e especialmente daquelas do Cone Sul do continente, tomadas no plano regional ou nacional. A proposta não se limita contudo ao campo de uma História Política, mas inclui também trabalhos que, originando-se em outras especialidades do campo da História, definam a orientação comparativa como eixo do trabalho. Nossa intenção é trazer à discussão estudos empíricos ou ensaios de natureza historiográfica que privilegiem esta orientação ou que ofereçam, ao menos, a partir da experiência singular de pesquisa de cada um, elementos para pensar a comparação histórica de nossas sociedades regionais e nacionais.
Nesse sentido, o Simpósio se estruturará em torno de três eixos centrais: (a) primeiro, a análise histórica comparada das instituições e do Estado, bem como dos modelos nacionais de controle político e expansão de direitos que marcaram diversos países latino-americanos no século XX, como, por exemplo, o varguismo, o peronismo, o batllismo e o cardenismo; (b) segundo, o olhar comparatista sobre a ação e o perfil das elites políticas, mas também sobre grupos empresariais, burocracias e certos grupos profissionais que, detendo recursos de poder, atuam temporária ou permanentemente no espaço político; (c) terceiro, a investigação em torno da ação dos intelectuais e da circulação de idéias políticas, bem como de idéias econômicas, tradições filosóficas e/ou correntes de pensamento que, notadamente a partir das segunda metade do século XIX, informaram a experiência republicana e o ideário reformista no Brasil e nos demais países latino-americanos.

Bibliografia:    

ATSMA, H., BURGUIÈRE, A. (orgs.). “Marc Bloch aujourd’hui” Histoire Comparée &
Sciences Sociales. Paris: EHESS, 1992.
BANDIERI, Susana, BLANCO, Graciela, BLANCO, Mónica. Las escalas de la historia comparada. Tomo 2: Empresas y empresarios. La cuestión regional. Buenos Aires: Miño y Dávila, 2008.
BLOCH, M. “Comparaison”. Revue de Synthèse Historique, t. 69, 1930, p. 31-39.
BLOCH, M. Os reis taumaturgos. O caráter sobrenatural do poder régio (França e Inglaterra). São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
BLOCH, M. “Pour une histoire comparée des sociétés européenes”. Revue de Synthèse Historique, n. 46, 1925, p. 15-50.
BONAUDO, Marta, REGUERA, Andrea, ZEBERIO, Blanca (coords.) Las escalas de la historia comparada. Tomo 1: Dinámicas sociales, poderes políticos y sistemas jurídicos. Buenos Aires: Miño y Dávila, 2008.
FAUSTO, B. & DEVOTO, Fernando. Brasil e Argentina: ensaios de história comparada (1850-2002). São Paulo: editora 34, 2004.
HAUPT, H.-G. “O lento surgimento de uma História Comparada”. In: BOUTIER, J.,
JULIA, D. (org.). Passados recompostos; campos e canteiros da História. Rio de Janeiro: Editora UFRJ / Editora FGV, 1998. p. 205-216.
KOCKA, J. “Asymetrical Historical Comparasion: the case of the german Sonderweg”. History and Theory, v. 38, n. 1, 1999, p. 40-50.
KOCKA, J. “Comparison and beyond”. History and Theory, v. 42, n. 1, 2003, p. 39-44.
MOORE JR., B. As origens sociais da ditadura e da democracia. Senhores e
camponeses na construção do mundo moderno. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
SEWELL, W. “Marc Bloch and the logic of comparative history”. History and Theory, v. 6, n. 2, 1976, p. 208-218.
THEML, Neyde; BUSTAMANTE, Regina Maria da Cunha. “História Comparada: olhares plurais”. Revista de História Comparada, n.1, v.1, Junho de 2007
TILLY, Charles. Big Structures, Large Processes, Huge Comparisons. Russell Sage, 2006.

Justificativa:    

A proposta se justifica pela necessidade de dar-se espaço institucional, no âmbito do maior evento da área de história do Brasil, ao crescente diálogo acadêmico entre historiadores brasileiros e latino-americanos, notadamente do Cone Sul do continente. Ela reflete igualmente a vitalidade dos estudos comparados entre historiadores desta região, situação que pode ser medida por uma série de eventos bem sucedidos nos últimos anos: “Jornadas de História Regional Comparada de Porto Alegre”, em 2000 e 2005; Colóquio Internacional “Las Formas del Poder Social. Estados, mercados y sociedades en perspectiva histórica comparada. Europa-América Latina (siglos XIX y XX)”, em Tandil, Argentina (2004); Encontro de la Red Internacional Marc Bloch de Estudios Comparados en Historia - Europa/América Latina”, Tandil (2006); e o II Encontro da Rede Internacional Marc Bloch de Estudos Comparados em História, em Porto Alegre, em 2008.
Por fim, a possibilidade de um simpósio temático de História Comparada Latino-americana ser acolhido na programação do XXV Simpósio Nacional de História garantiria um espaço importante para a discussão e troca de experiências de pesquisas para pesquisadores brasileiros de história comparada dispersos no território nacional. Com efeito, embora a história comparada tenha conhecido nos últimos anos um importante crescimento no número de seus pesquisadores nas universidades, os eventos a ela dedicados têm-se concentrado nas regiões sul e sudeste do país.

38. Quilombos, Quilombolas e Terras de Negros

Coordenadores:

Descrição:    

Ao deparar com as comunidades negras descendentes de quilombos, e, considerando que a maioria delas esta nos mesmos espaços onde se localizaram ao longo de suas histórias, algumas inquietações se colocam: como sobreviveram às ações repressivas? Quais os mecanismos de resistência e identidade criados por essas sociedades quilombolas? Enfim, quais as suas experiências históricas? Perguntas que podem parecer simplistas, mas que remetem a uma questão no mínimo instigante: onde estavam os ex-quilombolas, esses agentes sociais que até então estiveram fora de cena na historiografia brasileira, deixando a vaga impressão de que junto com a destruição dos quilombos veio o fim da história dos quilombolas.

Bibliografia:   

Afro-Ásia Nº 23, Dossiê Remanescentes de Quilombos. Salvador, CEAO, 2000.
FUNES, Eurípedes A. Nasci nas Matas Nunca Tive Senhor – História e Memória dos Mocambos do Baixo Amazonas. São Paulo: USP, tese de doutorado, 1995.
GOMES, Flávio. História de Quilombolas no Brasil. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.
PRICE, Richard, Sociedades Cimarronas – Comunidades esclavas rebeldes en las Américas. México: Siglo XXI, 1981.
CARRIl, Lourdes – Quilombos, Favela e Periferia – a longa busca da cidadania. São Paulo: Annablume, 2006.
O’DWYER, Eliane C. Quilombos: identidade étnica e territorialidade. Rio de Janeiro: FGV,
2002.
PRICE, Richard. First Time - the Historical Vision of an Afro-American People. Baltimore: The Johns H. University Press, 1983.

Justificativa:    

Aspectos como esses, e outros, tornam necessária a compreensão de um processo histórico que passa pela resistência escrava, pela constituição dos quilombos e sua não destruição, mas concretização nas atuais comunidades negras. Temática muito pouco visitada pelos historiadores, sendo necessário: desembaraçar o emaranhado de fios que formam a malha textual, recuperando, mesmo em documentos oficiais, falas significativas dos mocambeiros; encontrar nos depoimentos elementos que dêem conta de um passado dos mocambos e, num tempo mais recente, da consolidação das comunidades; e compreender a construção de uma identidade étnica e cultural, bem como a constituição de uma territorialidade - elementos sig¬nificativos na definição de um espaço enquanto terra de ne¬gros. Objetivos
- dar visibilidade às temáticas relacionadas a memória, territorialidade, pertença e identidades quilombolas no campo da história.
- Refletir sobre as políticas públicas quanto identificação, demarcação e titulação de terras de quilombolas
- Possibilitar um balanço historiográfico sobre os estudos mais recentes sobre a temática em pauta

39. Ensino de História: Memórias, Histórias e Saberes

Coordenadores:

Descrição:    

A proposta fundamental do Simpósio Temático Ensino de Historia: memórias, histórias e saberes é possibilitar a reflexão, o questionamento e a troca de experiências entre historiadores e professores de História que tenham estes conceitos no centro de suas preocupações teórico-metodológicas.

Bibliografia:    

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas I. Magia e Técnica, Arte e Política.São Paulo:Brasiliense, 1985.
CHERVEL, André. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria & Educação, n.2, pp.177- 229,1990.
CIAMPI, Helenice. O professor de História e a produção dos saberes escolares: o lugar da memória.In: O historiador e seu tempo: encontros com a história.Antonio Celso Ferreira, Holien Gonçalves Bezerra, Tânia Regina De Luca (orgs.) São Paulo: Editora UNESP: ANPUH, 2008.
FORQUIN, Jean-Claude. Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar.Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
____________________ Saberes escolares, imperativos didáticos e dinâmicas sociais.Teoria & Educação, Porto Alegre: n.5, pp.28-49,1992.
GALZERANI, Maria Carolina Bovério. “Memória, Historia e (Re) Invenção Educacional: Uma Tessitura Coletiva na Escola Pública”.In: MENEZES, Maria Cristina (org.) Educação, Memória, História: Possibilidades, Leituras.Campinas: Mercado de Letras, pp.287-327, 2004.
JULIA,Dominique. A cultura Escolar como objeto histórcio.Revista Brasileira de Historia da Educação,Campinas,n.1,pp.9-43,2001.
LE GOFF,Jacques.Historia e Memória.CampinasEditora da UNICAMP,2003.
PARDO,Maria Benedita Lima;GALZERANI,Maria Carolina Bovério;Lopes,Amélis(org)Uma nueva cultrua parala formacion de maestros: es posible?"Porto,Portugal:LIVPSIC/AMSE-AMCE-WAER,2008.
RICOEUR,Paul.Memória,História e Esquecimento.Campinas,SP:Editora da Unicamp,2007.
SEIXAS,Jacy.Ostempos da memória:(des)continuidade e projeção.Uma reflexão(in)atual para a História.Projeto História,São Paulo,n.24,pp.43-63,2002.
TARDIF,M.Sabers Docentes e Formação Profissional.Petrópolis:R.J.,Vozes,2002.
YATES,Frances.A arte da memória.Campinas,SP:Editora da Unicamp,2007.

Justificativa:    

O campo da memória, pela diversidade de conceituações e abordagens, oferece aos pesquisadores do ensino de história na atualidade constantes desafios e possibilidades. O diálogo com as contribuições de Walter Benjamin, no que respeita as rememorações, por exemplo, potencializa a ressignificação da imagem de produção de conhecimentos histórico-educacionais, imagem esta que passa a ser muito mais comprometida com as questões presentes, bem como capaz de ampliar a visão dos sujeitos produtores destes conhecimentos. Ou seja, sujeitos portadores de racionalidade, mas também de sensibilidades. Sujeitos –que não só individualmente, mas nas relações com outros - entrecruzam diferentes temporalidades, diferentes espacialidades e visões de mundo.
Segundo Tardif, o saber docente busca dar conta da complexidade e especificidade do saber constituído, no (e para o) exercício da atividade docente. Propõe pensar o professor como um sujeito que possui conhecimentos e um saber-fazer resultante de sua própria prática e experiência de vida, e não como um técnico que aplica conhecimentos produzidos por outros ou um agente social determinado exclusivamente por forças ou mecanismos sociológicos.
As pesquisas que têm investigado o conhecimento tácito, elaborado e mobilizado na ação dos professores, construíram uma epistemologia da prática, a qual abre novas possibilidades para os estudos do campo educacional.
O ST pretende, portanto, propiciar a socialização das pesquisas e estudos na construção /reconstrução de memórias, saberes e práticas docentes e discentes na educação básica e superior, articulando-as com as questões do poder e ética no ensino de história.

40. Religiosidades: Temas e Paradigmas de Análise

Coordenadores:

Descrição:    

O seminário temático Religiosidades: temas e paradigmas de análises se propõe a se tornar um espaço de trocas de experiências entre os diversos pesquisadores que têm como foco de suas análises a religião e a complexidade e dimensão que suas práticas assumem na vida dos sujeitos sociais investigados.

Bibliografia:    

BERGER, Peter. Rumor de anjos. A sociedade moderna e a redescoberta do sobrenatural. Petrópolis: Vozes, 1996.
BONFATTI, Paulo. A expressão popular do sagrado. São Paulo:
Paulinas, 2000.
BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1986.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Deuses do Povo, Uberlândia: Edufu, 2007.
_____. A Cultura na Rua. Campinas: Papirus, 1989.
CERTEAU, Michel de. A Invenção do Cotidiano: as artes de fazer. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.
_____. A Cultura no Plural. São Paulo: Papirus, 1995.
CHARTIER, Roger. Leituras “Populares”. In: Fomas e Sentido – Cultura Escrita: entre distinção e apropriação. São Paulo: Mercado de Letras, 2003.
DAWKINS, Richard. Deus. Um delírio. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
GUERREIRO, Silas (org.) O estudo das religiões. Desafios contemporâneos.
São Paulo: Paulinas, 2003.
ISAIA. Artur Cesar. Orixás e Espíritos: o debate interdisciplinar na pesquisa contemporânea. Uberlândia: Edufu, 2006.
JANCSÓ, István; KANTOS, Íris. Festa: cultura e sociabilidade na América Portuguesa. São Paulo: Edusc/Hucitec/Imprensa Oficial, 2001
LAGREÉE, Michel. Religião e tecnologia: a benção de Prometeu. Bauru:
EDUSC, 2002.
MACHADO, Maria Clara T. Religiosidades popular nas gerais: dons e astúcias da fé. In: MACHADO. M.C. T.; ABDALA, Mônica C. Caleidoscópio de Saberes e Práticas Populares. Uberlândia: Edufu, 2007.
MANOEL, I. A.; FREITAS, N. M.B. de. (org.) História das Religiões. Desafios, problemas e avanços teóricos, Metodológicos e historiograficos. São Paulo: Paulinas, 2006.
MASSENZIO, Marcello. A história das religiões na cultura moderna. São Paulo: Hedra, 2005.
SOARES, Maniza de C. Devotos da cor. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000
STEIL, Carlos Alberto. Catolicismo e cultura. In: VALLA, Victor Vincent (Org.). Religião e Cultura Popular. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
ZABALA, Santiago (org.) O futuro da religião. Solidariedade, caridade e ironia. Rio de Janeiro: Relulme-Dumará, 2006.

Justificativa:    

Os professores doutores Artur César Isaia (UFSC) e Maria Clara Tomaz Machado propõem ao XXV Simpósio Nacional de História o simpósio temático intitulado Religiosidade: temas e paradigmas de análise como forma de consolidar e ampliar os debates travados nesta área de pesquisa, cujo espaço da ANPUH tem propiciado não só o conhecimento, mas a troca de experiências e a discussão interdisciplinar entre as diversas áreas do saber.
Pensar o tema da religiosidade pressupõe estar atento à multiplicidade dos enfoques, dos objetos e das abordagens possíveis na complexa rede que se estabelece entre os significados simbólicos da fé e a concretude de uma sociedade em constante transformação. Nesta dimensão e nesta imbricação entre o real e os rituais de crenças, desvela-se um mundo de magias, cujos códigos de linguagem permitem conhecer as angústias, as astúcias de grande parte de sujeitos sociais anônimos que, contra as próprias limitações que cercam sua vida, recorrem a este lugar utópico em busca de sua sobrevivência.
Neste cenário de contínuos deslocamentos das práticas culturais, onde crenças e tecnologias dialogam no enfrentamento entre tradição/modernidade/pós-modernidade, instituindo novos investimentos estéticos, rítmico performáticos, imagéticos e poéticos, o pesquisador encontra as evidências que nutrem o seu olhar ético e político.

41. Revoltas e Insurreições no Brasil - do Séc. XVII ao XIX

Coordenadores:

Descrição:    

Estudiosos de diversas partes do Brasil debateram aspectos das lutas políticas e discutiram experiências de pesquisa entre os séculos XVII e XIX.
A riqueza das discussões tornam mais ainda válidas as palavras com que anunciamos aquele encontro, a ser renovado e ampliado.
Consideramos o tema do nosso simpósio – “Revoltas e insurreições no Brasil: sécs. XVII-XIX” – oportuno para se retomar um velho e ainda importante debate: o das revoltas e insurreições populares enquanto formas específicas de luta política, por vezes as únicas possíveis para os muitos participantes de grupos e setores das sociedades sem representação institucional junto ao Estado.

Bibliografia:    

FIGUEIREDO, LUCIANO, Rebeliões no Brasil colonia. R.J.: Jorge Zahar, 2005
Jancsó, István. A sedução da liberdade: cotidiano e contestação política no final do século XVIII. In SOUZA, Laura de Mello e. (org.). História da vida privada no Brasil. Vol. 1 (Cotidiano e vida privada na América portuguesa) São Paulo, Companhia das Letras, 1997. pp. 387-437.
MELLO, Evaldo Cabral de. A fronda dos mazombos. Nobres contra mascates: Pernambuco 1666-1715. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.
PAMPLONA, M. A. (1991). A historiografia do Protesto Popular e das revoltas urbanas. Rio de Janeiro, PUC.
_____.Revoltas, repúblicas e cidadania: Nova York e Rio de Janeiro na consolidação da ordem republicana. Rio de JAneiro:Record, 2003
RUDÉ, George. Ideologia e protesto popular. Rio de Janeiro:Zahar, 1982. 155p.
______. A multidão na história. Estudo dos movimentos populares na França e na Inglaterra, 1730-1848. Rio de Janeiro: Campus, 1991. 299p.

Justificativa:    

A grande abrangência da temporalidade escolhida – dos séculos XVII ao XIX – é proposital aqui. Ela nos permitirá dar conta de múltiplas manifestações ocorridas nas províncias desde o antigo regime: entenda-se, na América portuguesa de após a Restauração de 1640; durante as tumultuadas décadas que marcaram o tempo das revoluções atlânticas; e, no período seguinte, quando consolida-se o estado-nação, nos marcos da monarquia constitucional. Traços comuns e também muitas diferenças acompanham as revoltas desses 3 momentos.
É objetivo de nosso simpósio reunir alguns importantes estudos em curso, trocar experiências e incentivar debates sobre determinados tópicos tratados. Sempre que possível, interessa-nos os estudos que desenvolvem abordagens comparadas, lidando de forma ampliada com o tema das insurreições nas Américas. Sabemos, entretanto, que os estudos que centram seu foco em revoltas determinadas tendem a predominar neste tipo de simpósio. Em ambos os casos, porém, há denominadores comuns e indagações que acompanham necessariamente os pesquisadores e estudiosos das revoltas. Por isso, ao longo dos debates do simpósio, estaremos privilegiando questões relativas:
a) aos principais paradigmas teóricos de análise e tipologias utilizadas nos estudos;
b) aos padrões de manifestação dos revoltosos evidenciados em cada caso: formas de ação coletiva, composição social dos revoltosos, rituais e representações utilizados, abrangência das revoltas (tempo e espaço) e sua repressão;
c) à memória social das revoltas;
d) ao vínculo destas com outras formas cotidianas de resistência e de luta política; e
e) às fontes disponíveis, arquivos e documentação utilizados para o seu estudo.

42. A Formação da Ética Cristã (Séculos IV-XV)

Coordenadores:

Descrição:    

Não resta a menor dúvida de que a Idade Média inaugurou uma nova civilização que repousou em uma nova ética: a ética cristã. Mais do que uma religião monoteísta que substituiria o politeísmo da Antiguidade, o cristianismo construiu as bases de uma nova sociedade com valores próprios que atuaram diretamente nas relações sociais, políticas, econômicas impregnando a cultura. Além do seu papel atuante, como a única instituição que sobreviveu a queda de Roma, a Igreja ocupou o “vazio” aberto pela derrocada final do Império do Ocidente, sendo a única força histórica capaz de organizar o caos, substituindo, o Estado em toda plenitude do poder, conforme afirma Southern: “De fato, a Igreja foi uma sociedade coercitiva, da mesma forma que o Estado Moderno de hoje”. (1997:11)
O objetivo do Simpósio Temático A formação da ética cristã (séculos IV-XV) é discutir temas e problemas relacionados com a ética e a moral cristãs presentes no medievo seja no âmbito da cultura clerical, seja no âmbito dos discursos políticos e no âmbito da vida social. Com isto se pretende avaliar o modo pelo qual a cristandade medieval inaugurou novos valores éticos e morais, legados à posteridade no Ocidente.

Bibliografia:    

BILLER, Peter (org). Handling sin: confession in the Middle Ages. New York, York Medieval Press, 199 8.
BOLTON, Brenda. A Reforma na Idade Média. Lisboa, Ed. 70, 1983
BOXER, C.R. A Igreja e a expansão Ibérica. Lisboa, Ed. 70, 1978
BROWN, Peter. A ascensão do cristianismo no Ocidente. Lisboa: Editorial Presença, 1999.
CASAGRANDE, Carla & VECCHIO, Silvana. Histoire des péchés capitaux au Moyen Age. Paris : Aubier, 2003.
CHELLINI, Jean. Histoire religieuse de l’Occident médiéval. Paris : Hachette, 1991.
DEMPF, Alois. Etica de la Edad Media. Trad. Jose Pérez Riesco. Madrid: Ed. Gredos,
1958.
DE BONI, Luís Alberto (org). Idade Média: ética e política. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1996.
DELUMEAU, Jean. A confissão e o perdão. São Paulo, Companhia das Letras, 1991.
________________ La peur en Occident. Paris, Fayard, 1978
LE GOFF. Jacques. O nascimento do Purgatório. Lisboa: Ed. Estampa, 1993.
________________ La bourse et la vie. Paris, Hachette, 1986.
MARTIN, Hervé. Mentalités médiévales (Nouvelle Clio). Paris: PUF, 1996.
PAUL, Jacques. L’Eglise et la culture en Occident: siècles IX-XII (Nouvelle Clio). Paris PUF, 1986
PAUL, Jacques. Histoire intellectuelle de l’Occidente Médiéval. Paris : Armand Collin, 1998.
RAPP, Francis. L’Eglise et la vie religieuse en Occident à la fin du Moyen Age (Nouvelle Clio). Paris, PUF, 1971
SOUTHERN, Richard William. L’Eglise et la société dans l’Ocident médiéval. Paris, Flammarion, 1997.
SCHMITT, Jean-Claude. La raison des gestes dans l’Occident médieval (Bibliothèque des histoires). Paris : Gallimard, 1990.
VAUCHEZ, André. La epiritualité du Moyen Age Occidental. Paris, Seuil, 1994
VOGEL, Cyrille. Le pécheur et la pénitence au Moyen Age. Paris : Du Cerf, 1969.

Justificativa:    

Na Idade Média, as virtudes cívicas que orientavam a vida dos cidadãos romanos foram adaptadas aos valores cristãos, e os códigos de comportamento passaram a ser elaborados em bases religiosas, de acordo com princípios parcialmente extraídos do estoicismo e do platonismo. As “paixões” humanas, tema amplamente discutido por peripatéticos e estóicos na Antiguidade ganharam outro significado ao serem concebidas em termos de vícios, pecados e virtudes – norteadas pelas noções antitéticas de bem, mal, certo, errado, justo e injusto.
Diferentemente das crenças antigas, ritualizadas e concretizadas em fórmulas e ritos exteriores, o cristianismo ofereceu uma via de acesso ao sagrado pela interioridade e introspecção, procurando atingir o íntimo dos fiéis a partir de uma perspectiva transcendente da vida. Assentada na idéia da renúncia às coisas do mundo, a moral cristã negou o existencial em favor do espiritual, valorizando sobremaneira a ascese, a continência e a disciplina corporal e condenando o prazer corporal, a alegria desmedida e a risibilidade.
Como religião, o cristianismo se impôs às demais crenças, mas, o amplo processo de sincretismo que se seguiu produziu formas de religiosidade originais – em que resíduos do paganismo greco-romano, celta e germânico subsistiram nos meios populares mesclados aos elementos cristãos. Seus representantes impuseram a doutrina cristã na sociedade, exercendo o monopólio do sagrado, e a Igreja tornou-se a instância suprema de legitimação e manutenção da ordem. Por seu intermédio foram propostas as bases de legitimação da função monárquica e da hierarquia social.
Na Idade Média central, a doutrina cristã penetrou no quotidiano, sendo difundida por meio da pregação e da pastoral no ambiente urbano produzido pela expansão e renovação do Ocidente.
Enfim, foi a Idade Média, o longo período de gestação da nossa sociedade, onde os princípios éticos tomaram forma nas relações sociais, políticas, econômicas, culturais e artísticas.

43. Africanos e Afro-descendentes Escravizados no Brasil Colonial e Imperial: Trabalho, Resistência, Representações, Cultura e Educação

Coordenadores:

Descrição:    

Os rastros da escravidão, indiscutivelmente permanecem como instigantes temas de investigação e de produção na área das humanidades. Estudos realizados sobre escravidão e a vida social no período pós-abolição têm procurado focalizar experiências e perspectivas dos segmentos subalternizados nos diversos cantos do país, envolvendo debates sobre relações de poder, instituições, mobilizações sociais e reconstruções identitárias. Nessa linha de abordagem propomos neste simpósio estabelecer a mesma congruência e cingir orientações epistemológicas que privilegiam, sobretudo, a definição dos fatos, fenômenos sócio-econômicos e seus encadeamentos necessários.
O Simpósio deve abarcar comunicações discutindo: 1) o tráfico de africanos escravizados;
2) as múltiplas formas de exploração e de resistência do trabalhador escravizado à escravidão no Brasil, do século 16 ao século 19;
3) a sociedade escravista, nos seus aspectos políticos, ideológicos,
culturais, comportamentais, etc.
4) as representações no Brasil do trabalho escravizado, quando e após a escravidão;
5) as formas de exploração, de organização e de resistência da população com afro-ascendência após 1888.
6. Trajetória de luta, níveis de conquista e os limites da prática educacional envolvendo o segmento negro brasileiro no período pós Abolição.

Bibliografia:    

ALGRANTI, Leila Mezan. O feito ausente. Estudo sobre a escravidão urbana no Rio de Janeiro. Petrópolis: Vozes, 1988.
BRAZIL, Maria do Carmo. Fronteira negra: dominação, violência e referência escrava em Mato Grosso (1718 – 1888). Porto Alegre: EdiUPF, 2002. [Malungo,3]
CAPELA, José. Escravatura: a empresa de saque e o abolicionismo (1810-1875). Porto: Afrontamento, 1974.
COSTA,Emilia Viotti da.. Da Senzala a Colônia. SP, Brasiliense, 1989.
CONRAD, Robert. Os últimos anos da escravatura no Brasil: 1850-1888. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília, INL, 1975.
FIABANI, Adelmir. Mato, palhoça e pilão: O quilombo, da escravidão às comunidades remanescentes (1532-2004). SP: Expressão Popular, 2005.
GORENDER, Jacob. O escravismo colonial. SP: Ática, 1985. GUTIERREZ, Ester J. B. Negros, charqueadas e olarias: um estudo sobre o espaço pelotense. Pelotas: Ufpel; Mundial, 1993.
KARASCH, Mary C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro (1080-1850). SP: Companhia das Letras, 2000.
LIMA, Solimar Oliveira. Braço forte: trabalho escravo nas fazendas da nação no Piauí [1822-1871]. Porto Alegre: EdiUPF, 2005. [Malungo, 4]
LOPES, Helena Theodoro. Educação e identidade. Cadernos de Pesquisa. São Paulo: Fundação Carlos Chagas, n. 63, novembro 1987.
MAESTRI, MARIO. O negro e o gaúcho: Estâncias e fazendas no Rio Grande do Sul, Uruguai e Brasil. Porto Alegre: EdiUPF, 2008. [Malungo, 14]
MEILLASSOUX, Claude. L´esclavage en Afrique précoloniale: dix-sept études présentées par. Paris: François Maspero, 1975.
MIERS, Suzanne & KOPYTOTT, Igor. [Org.] Slavery in Africa: historical and anthropological perspectives. Wisconsin: University of Wisconsin, 1977.
PETIT, P. et al. El modo de producción esclavista. Madrid: Akal, 1986.
REIS, João José e GOMES, Flávio (Org.). Liberdade por um Fio: História dos Quilombos no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1996.
REVISTA HISTÓRIA & LUTA DE CLASSES. Escravidão, trabalho, resistência. Rio de Janeiro, Adia, Ano 2, nov de 2006

Justificativa:    

Pretendemos reunir considerações de pesquisas com perspectivas multidisciplinares [história, literatura, educação, sociologia, entre outras áreas] cuja inquirição estimule a busca da historicidade, a reconstrução do passado das classes trabalhadoras, sobretudo das herdeiras da escravidão, e a reflexão envolvendo as pressões dos movimentos populares no sentido de promover mudanças estruturais no país. Enfim, este Simposio  pretende agregar trabalhos que tratem da questão escrava, do trabalhador livre e pobre e das vicissitudes da vida cotidiana do segmento afro-descendente, componente histórico de um país marcado não só pela diversidade cultural como também por sua estrutura social excludente e discriminatória. Justifica-se, portanto, a proposta “Africanos e afro-descendentes escravizados no Brasil colonial e imperial: trabalho, resistência, representações, cultura e educação [séc. 16-21]”, devido à importância do tema para a interpretação da formação social brasileira. Com essa proposta teremos um balaço, de caráter inventariante e descritivo, de parte da produção acadêmica e científica sobre esse domínio.

44. Cidades e Culturas: Configurações dos Valores na Modernidade

Coordenadores:

Descrição:    

A proposta do Seminário Temático é discutir a historicidade dos aspectos da modernidade e do processo de urbanização das cidades brasileiras, buscando abordar as múltiplos valores, princípios e normas que se apresentam no processo de configuração dos espaços citadinos, além das inúmeras tensões que perpassam a formação dos seus tecidos urbanos.
Pretende-se abrir espaço para discussões sobre os impasses, tensões, ambigüidades e contradições das tentativas de normatização da população das cidades brasileiras em diferentes contextos históricos, pautados por diferentes valores e vivenciados por diferentes grupos de atores sociais.
Trata-se de refletir sobre questões teóricas e historiográficas referentes aos valores que pautam as tensões entre as práticas e representações dos processos de urbanização das cidades brasileiras, enfocando as relações de poder, exclusão e reelaboração, presentes em diferentes contextos urbanos.
Propõe-se refletir como essas relações se apresentam em uma pluralidade de manifestações culturais, tais como as, literárias, teatrais, audiovisuais, enfim, em inúmeras formas de linguagem, cujas expressões perpassaram a plasticidade da reinvenção das tradições na sociedade brasileira, e apresentar a crítica da disseminação de valores e representações apologéticas que informavam as práticas dos contraditórios processos de urbanização e de modernização das cidades brasileiras.
A proposta visa dialogar com o entrecruzamento de pesquisas que trabalham com as representações plurais da cidade, buscando entender como os velhos e novos valores, práticas e representações atuam na configuração das relações de poder no ambiente urbano, e esmiuçar processos simultâneos, porém diferentes, que envolvem problemáticas das exclusões sociais, culturais e políticas.
Assim, o Simpósio busca agregar discussões que lancem perspectivas múltiplas de reflexão sobre os valores e as práticas presentes no processo histórico de modernização das cidades brasileiras.

Bibliografia:    

BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Rio de Janeiro: Elfos Ed., Lisboa;Edições 70, 1995.
BENJAMIN, Walter. A Modernidade e os modernos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.
BOURDIEU, Pierre. A Economia das trocas simbólicas, 3ª ed., São Paulo: Perspectiva, 1992.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1994.
CUNHA, Fabiana L. Da Marginalidade ao Estrelato: O Samba na Construção da Nacionalidade(1917-1945). SP: Annablume,2004.
DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e Cultura Popular. São Paulo: Perspectiva, 2001.
FABRIS, Annateresa . Modernidade e modernismo no Brasil. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1994.
FERRARESI, Carla M. “Papéis normativos e práticas sociais: o cinema e a modernidade no processo de elaboração das sociablidades paulistas, na S.P. dos anos de 1920”. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2007. Tese de doutoramento.
KOGURUMA, Paulo. Conflitos do Imaginário. A reelaboração das práticas e crenças afro-brasileiras na “metrópole do café”, 1890-1920. S.P.: AnnaBlume: Fapesp, 2001.
MORAES, José Geraldo V. As sonoridades paulistanas: a música popular na cidade de São Paulo - final do século XIX e início do século XX, R.J.:Editora Bienal, 1997.
ORTIZ, Renato. A moderna tradição brasileira. S.P.: Brasiliense, 1988.
PINTO, Maria I.M.Borges, Cotidiano e sobrevivência: a vida do trabalhador pobre na cidade de São Paulo,1890-1914, São Paulo: EDUSP, 1994.
POSSAS, Lídia M.V. Mulheres, trens e trilhos: modernidade no sertão paulista. Bauru, SP: EDUSC, 2001.
SALIBA, E.Thomé. A dimensão cômica da vida privada In SEVCENKO, Nicolau, (org.).História da vida privada no Brasil República da belle époque à era do rádio. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.
SEVCENKO, Nicolau. Orfeu extático na metrópole: São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20, São Paulo: Cia. das Letras, 1992.
SIMMEL, G. “A metrópole e a vida mental” In: VELHO, Otávio (org.) O fenômeno urbano.Rio de Janeiro:Zahar, 1967.

Justificativa:    

Ao considerar que a ética, em grande medida, investiga os princípios e valores que motivam e orientam o comportamento humano, refletir sobre a historicidade dos aspectos da modernidade e do processo de urbanização das cidades brasileiras por sua perspectiva, é refletir a respeito das normas e valores que prescrevem e orientam os comportamentos dos atores sociais no interior da trama urbana. É buscar compreender o diálogo, muitas vezes tenso, entre a tradição e a mudança, que são a essência do “ethos”.
Nesse sentido, nossa proposta é consonante com investigações que refletem sobre diferentes manifestações culturais, buscando revelar as tensões existentes entre as práticas e as representações dos valores sociais em questão. Assim, além dos valores normatizadores e disciplinadores presentes no cenário urbano, incorporamos em nossas análises aspectos informais do cotidiano da cidade, em geral não informados pelos documentos oficiais e desprezados pelas elites, especialmente aqueles que convergem para a configuração de novos arranjos sociais e novas formas de sociabilidade, habilmente tecidos por meio de múltiplas estratégias e táticas, e que configuram atitudes e comportamentos diversificados.

45. Terra, Poder e Direitos: a História Agrária Revisitada (Séculos XVIII/XX)

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio Temático, TERRA E DIREITOS: A HISTÓRIA AGRÁRIA REVISITADA (SÉCULOS XVIII/XX) objetiva discutir os fundamentos e a dinâmica de consolidação da propriedade individual,a partir do século XVIII e os embates entre posse e propriedade (vinculada ou alodial). Pretende-se ainda analisar as histórias dos conflitos fundiários, seus agentes e estratégias de atuação. Em outras palavras, propõe-se aqui refletir sobre a história do direito à terra no Brasil e a reatualização, no tempo, das lutas no campo. Neste sentido, serão privilegiados os trabalhos que assumem o desafio de analisar os fundamentos do direito à terra em sua relação com os conceitos de campesinato, fronteira e política agrária. Parte-se do pressuposto que as novas pesquisas acerca das experiências históricas dos pobres do campo e da dinâmica de incorporação de terras iluminam o debate sobre algumas das questões que fundamentam novas pesquisas em história agrária (ou história social da agricultura).Além disso, privilegiaremos também os trabalhos que investigam a política agrária estabelecida em determinada conjuntura para deslindar os jogos de força que se instauram para garantir uma dada concepção de propriedade em prejuízo de uma outra, pautada – por exemplo – no costume e na posse imemorial. Por conseguinte, serão bem-vindas as pesquisas voltadas para a análise dos projetos de reformulação fundiária/ reforma agrária no Brasil, tendo como base as legislações agrárias e as Cartas Magnas do país. O Simpósio em tela objetiva, por fim, revigorar a história agrária, num intenso esforço de recuperação de suas principais marcas interpretativas, à luz das novas questões suscitadas pelo entendimento do processo de constituição das noções de posse, propriedade e direito à terra no Brasil. Os resultados dos debates deste encontro serão registrados no terceiro livro publicado pelo Núcleo de Referência Agrária.

Bibliografia:    

ALEXANDER ,G– Commody & Propriety. Competing Visions in American Legal Thought 1776-1970. University of Chicago Press, 1997
CARDOSO, Ciro Agricultura, escravidão e capitalismo. Petrópolis: Vozes, 1979.
FERLINI, Vera. A Terra Proibida: Transformação da Propriedade Rural no Brasil, (Séculos XVI-XIX) In: AHILA, Porto, 1999.
FREYFOGLE, E. On Private Property. Boston, Beacon Press, 2007.
GUIMARÃES, Elione & MOTTA, Márcia. Campos em Disputa. SP, Annablume, 2007.
GUIMARÃES, Elione. Múltiplos viveres de afrodescendentes na escravidão e no pós-emancipação.SP, Annablume – Juiz de Fora: FUNALFA, 2006.
HOLSTON, James. Legalizando o ilegal: propriedade e usurpação no Brasil. Revista Brasileira de Ciências Sociais. No 21, fevereiro de 1993, p 69.
LINHARES, M. Yedda. & SILVA, Francisco de História da Agricultura Brasileira.SP, Brasiliense, 1981.
___________. Terra Prometida. RJ, Campus, 1994.
MARTINS, José de Souza. O cativeiro da terra. 2a ed. SP: LECH –Edit.Humanas. 1981.
_______ Os camponeses e a política no Brasil. Petrópolis, Vozes, 1981.
________ O poder do atraso. Ensaios de sociologia da história lenta. SP, Hucitec, 1994.
MOTTA, Márcia. Nas Fronteiras do Poder. 2 edição revista e ampliada. Niterói, EDUFF, 2008.
MOTTA, Márcia & Zarth, Paulo. Formas de Resistência Camponesa. SP, UNESP, 2008 (Coleção História Social do Campesinato)
MOTTA, Márcia (org.). Dicionário da Terra. RJ, Civilizaçao Brasileira, 2005.
MOORE JR, Barrington. Injustiça. As bases sociais da obediência e da revolta. RJ, Brasiliense, 1978.
MOURA, Margarida Maria. Os Deserdados da Terra. RJ, Bertrand Brasil, 1988.
POLANIY, KARL. A grande transformação. RJ, Campos, 1980.
SCHWARTZ, Stuart. Roceiros e rebeldes. Baurú-SP:EDUSC, 2001.
THOMPSON, E. P. Senhores & Caçadores. RJ Paz e Terra, 1997.
_________ Costumes em comum. SP: Comp. das Letras, 1998.
WOOD, Ellen. A Origem do Capitalismo. RJ, Jorge Zahar, 2001.
ZARTH, Paulo . Do arcaico ao moderno. Ijuí: Ed. da Unijuí, 2002.

Justificativa:    

Não há como negar a relevância social desta proposta, pois ela assume a tarefa de desconstruir o conceito de propriedade, num país que ostenta marcas insuperáveis de concentração fundiária e que detém, ainda, uma legislação conservadora que garante – na prática – a propriedade em toda a sua plenitude, tal como estava escrito na constituição de 1824. Neste sentido, tenho reiteradamente estudado temas relativos à questão agrária do país, pois a meu ver, se a história pouco nos tem ensinado, ela ao menos nos mostra que a responsabilidade do historiador repousa na “importância central da distinção entre fato histórico verificável e ficção”, conforme já nos alertou Eric Hobsbawm(HOBSBAWM: 1998). Além disso, a proposta tem como objetivo maior contribuir para o revigoramento da linha de pesquisa em História Agrária, congregando pesquisadores envolvidos na temática do direito à terra no Brasil. A nosso ver, a especificidade da questão da terra no Brasil entre os séculos XVIII e XX caracteriza-se por seu cunho instigante e profundamente atual, sobretudo considerando-se algumas das permanências que, na contemporaneidade, marcam as formações econômico-sociais focalizadas. O estudo das formas de apropriação da terra propiciará o estabelecimento de cotejos e contrastes da maior significação historiográfica, no âmbito dos estudos em História Agrária.

46. Cinema, História e Razão Poética: Problemas de Pesquisa e Ensino

Coordenadores:

Descrição:    

Este Simpósio Temático se dedica a discutir relações entre conhecimento histórico e cinema na pesquisa e no ensino. Estuda também as relações entre o cinema, as ciências sociais e os processos sociais. Um debate clássico sobre tais relações priorizou a atitude do historiador ao tratar o cinema como um de seus objetos de modo coerente com a universalização do conceito de “objeto” ou de “documento”, que marcou diferentes tendências metodológicas em história ao longo do século XX. Pretendemos ampliar essa discussão, encarando o filme e seus autores como “sujeitos” de interpretação das historicidades, donde o apelo ao conceito de razão poética.

Bibliografia:    

NÓVOA, Jorge. Apologia da relação cinema-história. In: Revista O Olho da História, n. 1. Disponível em www.oolhodahistoria.ufba.br
NÓVOA, Jorge. A teoria da relação cinema-história como base para a epistemologia da razão poética e para a reconstrução do paradigma historiográfico. In: CAMARERO, Glória et allii. Una ventana indiscreta: la história desde el cine. Madrid, Ediciones JC, 2008.
Nóvoa, Jorge e Barros, José D´Assunção. Cinema-História: teoria e representações sociais do cinema. Rio de Janeiro, Apicuri, 2008.
ADORNO, T. A Indústria Cultural: O Esclarecimento como Mistificação das Massas. In Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar Editores. pp. 113-157.
ANDREW, J. D. As principais teorias do cinema: uma introdução. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
AUMONT, J. As teorias dos cineastas. Campinas: Papirus, 2004.
BENJAMIN, W. A obra de arte na época da sua reprodutibilidade técnica. In: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo, Brasiliense, 1994.
FERRO, M. O filme: uma contra-análise da sociedade? In: LE GOFF, J. NORA, P. História: novos objetos. 4 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995.
SILVA, Marcos. Clarões da tela. O cinema dentro de nós. Natal, EDUFRN, 2006.
NÓVOA, Jorge e Silva, Marcos. Cinema-História e Razão Poética: o que fazem os profissionais de história com os filmes? In: PESAVENTO, S. J. et allii (orgs.) Sensibilidades e sociabilidades. Perséctivas de pesquisas. Goiânia, ED UCG, 2008.
SILVA, Marcos. Caricatura como pensamento. A Carlota de Carla. In: O Olho da História n. 10.

Justificativa:    

Os filmes tanto recorrem ao trabalho de profissionais de história e das ciências sociais (pesquisas sobre paisagens, vestuários, interiores domésticos, posturas corporais etc.) quanto apresentam interpretações sobre aspectos mais gerais das historicidades. Há um permanente diálogo – intencional ou não - entre a memória artística e social, configurada em diferentes filmes, e as problemáticas do conhecimento histórico-social elaboradas por pesquisadores dessas áreas.
Existe ainda uma questão epistemológica de fundo: não vale a pena enfatizar uma separação absoluta entre razão e emoção. O laboratório da relação cinema-história procura destacar sentimentos e emoções como modalidades de pensamento. Tal atitude é o que chamamos de razão-poética que é, por excelência, transdisplinar. Expõe para a pesquisa diversos objetos, linguagens, suportes e problemáticas. Como obras de arte, os filmes refletem sobre experiências sociais no plano da razão poética, que, por sua vez, dialoga com a metodologia da história e de outras áreas de conhecimento.
As pesquisas e o trabalho pedagógico com filmes serão vistos, neste Simpósio, como dimensões do pensamento de profissionais sobre experiências sociais de diferentes períodos. Eles recorrem tanto a filmes quanto a outros diferentes suportes narrativos e poéticos, bem como de outras naturezas nas relações sociais (artes, técnicas etc), e essa multiplicidade documental remete também à pluralidade de experiências humanas. Interessa ao Simpósio o estudo de diferentes gêneros de filmes (épicos, comédias, dramas de amor, desenhos animados, ficção científica etc.) e também a atuação dos profissionais de história e ciências sociais em diferentes instituições de ensino e pesquisa (universidades, museus, arquivos, escolas de nível fundamental ou médio, bibliotecas, empresas etc.).

47. Estado e Políticas Públicas – Séculos XIX e XX

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio propõe-se a discutir as relações entre o Estado e as políticas dele emanadas, no decorrer dos séculos XIX e XX, a partir da perspectiva das relações entre essas e grupos de interesses específicos. Seu objetivo mais amplo é propiciar um painel histórico das mais distintas políticas públicas resultantes das disputas, quer no âmbito da sociedade civil, quer no da sociedade política. A proposta tem por base as atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Pesquisas sobre Estado e Poder no Brasil, cuja marca consiste na utilização do referencial teórico gramsciano em suas pesquisas e reflexões e que vem regularmente apresentando simpósios temáticos junto à ANPUH Nacional.

Bibliografia:    

DRAIBE, Sonia. Rumos e Metamorfoses. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1985.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira. 6 vols.
HOBSBAWM, Eric. Sobre a História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
MARX,Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 2008.
MENDONÇA, Sonia Regina de. O Estado Brasileiro: Agências e Agentes. Niterói: EDUFF/Vício de Leitura, 2005.
NOGUEIRA, Marco Aurélio. As Possibilidades da Política: idéias para a reforma democrática do Estado. SP, Paz e Terra, 1998.
OLIVEIRA, Francisco de. Crítica à Razão Dualista/O Ornitorrinco. São Paulo, Boitempo, 2003.
POULANTZAS, Nicos O Estado, o Poder e o Socialismo. RJ, Graal, 1985.
WOOD, Ellen M. Democracia contra Capitalismo. São Paulo, Boitempo, 2003.
WOOD, Ellen e FOSTER, John B. (Orgs.) Em defesa da História: marxismo e pós-modernismo. Rio de Janeiro:Jorge Zahar,1999

Justificativa:    

O estudo das políticas públicas se configura em dimensão essencial, não apenas para o conhecimento da dinâmica do próprio Estado, em seu sentido ampliado, como também das correlações de força inscritas em sua ossatura material, responsáveis por aspectos peculiares de sua organização. Os resultados de pesquisas a serem apresentados permitirão igualmente desvendar os mecanismos de dominação/coerção vigentes na sociedade. Nos tempos atuais, a valorização de problemáticas como a das políticas públicas, na perspectiva aqui proposta, propicia a recuperação de reflexões de cunho totalizante e integrador, sobretudo em perspectiva histórica. O Simpósio constitui-se ainda num espaço de discussão para os que concebem o Estado como produto de relações entre classes sociais.

48. Ética e Estética no Mundo Antigo: Cotidiano, Cultura e Sociabilidade

Coordenadores:

Descrição:    

O simpósio se propõe abordar, sob perspectivas variadas, uma ampla reflexão sobre as relações entre a ética e a estética no Mundo Antigo, propondo três vertentes de observação desta interface: as experiências e práticas da vida diária, as formas de sociabilidade e as expressões culturais. Em várias civilizações do Mundo antigo, os temas da ética e da estética foram abordados de forma articulada, seja no viés político, religioso ou moral, com impactos variados sobre a vida comum e sobre as formas de pensamento e representações sociais. Foi entre os antigos gregos que a associação entre a ética e estética se tornou mais conhecida, sendo a beleza e o bem considerados virtudes políticas indissociáveis, seja esta beleza compreendida em um sentido físico ou moral. O ideal do kalos-kagathos – belo e bom – era considerado uma areté (virtude) distintiva na vida política. A kalogathia foi um dos ideais que moveram o pensamento político da democracia antiga e que somente fazia sentido no âmbito da cultura do Mundo antigo. É nesta perspectiva que o pensamento platônico vincula a noção do Bem e do Belo na busca da verdade filosófica. Este simpósio tem como objetivo abordar como este imbricamento entre uma noção moral e uma noção estética ocorre em diferentes culturas do Mundo Antigo.

Bibliografia:    

ALMEIDA, Danilo. Corpo e Ética. São Paulo:Univ. Metodista, 2002.
ANDRADE, M. M. de. A vida comum. Espaço, cotidiano e cidade na Atenas Clássica. Rio de Janeiro: DP&A editora, 2002.
BENOIT, H. e FUNARI, P. P. A. Ética e política no Mundo Antigo. Coleção Idéias. Campinas: UNICAMP, Instituto de Filosofia e Ciencias Humanas, 2001.
BURKE, P. A Escrita da História. SÃO Paulo: UNESP, 1992.
CERQUEIRA, F. V. Percepciones estéticas y valoraciones éticas del uso cotidiano de los instrumentos musicales en la Grecia antigua. ITER Encuentros, La Idea de belleza em la antigua Hélade, Centro de Estudios Clásicos, Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, vol. XIV, 2006, p. 103-127.
CERTEAU, M. de. A invenção do cotidiano: 1. Artes de Fazer, Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
ELIAS, N. O processo civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., vol. 2, 1993.
FUNARI, P. P. A. A vida quotidiana na Roma antiga. São Paulo: Annablume, 2003.
GERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S. A., 1989.
GOFFMAN, E. A representação do Eu na vida cotidiana. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes, 1985.
GONZÁLEZ DE TOBIA, A. M. (org.) Ética y estética. De la Grecia a la modernidad. Centro de Estudios de Lenguas Clásicas, Área de Filología Griega. Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación. Universidad Nacional de La Plata, La Plata, 2004.
GONZÁLEZ DE TOBIA, A. M. (org.). Una nueva visión de la cultura griega antigua en el Fin del Milenio. La Plata: Editorial de la Universidad Nacional de La Plata, 2000.
GOTO, T. A. Corpo e Existência. São Paulo: Univ. Metodista, 2003.
HUNT, L. A Nova História Cultural. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
THELM, N.; BUSTAMANTE, R. M. da C. e LESSA, F. de S. (org.) Olhares do Corpo. Rio de Janeiro: MAUAD, 2003.

Justificativa:    

O GT História Antiga, organizado em esfera nacional desde 2000, congrega pesquisadores de História Antiga vinculados a instituições de todo o país, incluindo docentes do ensino superior público e privado, bem como estudantes de pós-graduação e jovens graduandos, articulando-se, regionalmente, em GTs regionais, alguns deles bastante ativos. A estratégia de aglutinação dos pesquisadores brasileiros de História Antiga no GT Nacional da ANPUH tem surtido resultados bastante positivos no que tange à consolidação da área, tanto no que se refere à produção de conhecimento quanto à qualificação da docência em ensino superior na área. O grande número de concursos recentes, em universidades públicas, para a área de História Antiga, permitiu o ingresso na carreira de docente de um importante número de recém-doutores, dando sustentabilidade à expansão da área em termos nacionais, atingindo todas as regiões do país.
Entre as estratégias definidas coletivamente, nas assembléias do GT, destacam-se a valorização dos simpósios nacionais e dos encontros nacionais, os últimos tendo sido realizados em Pelotas (2008) e Goiânia (2006). Enquanto os encontros nacionais do GT História Antiga seguem temáticas livres, definidas pelo GT, no simpósio nacional da ANPUH, procura-se inscrever sempre duas propostas de simpósio temático, uma delas seguindo a temática geral do evento. Assim ocorreu nos congressos de São Leopoldo (2007).
O Simpósio Temático Ética e Estética no Mundo Antigo: cotidiano, cultura e sociabilidade constitui-se em uma proposta voltada a debater o tema da ética numa perspectiva bastante cara ao Mundo antigo – a articulação entre os temas éticos e estéticos. Com o fito de garantir abrangência ao debate, o simpósio propõe convergir o debate sobre ética e estética a partir de diferentes abordagens do Mundo antigo, preocupando-se em analisar como esta discussão, de cunho filosófico, pedagógico e ideológico, transborda para as práticas sociais e culturais da vida diária.

49. Fronteiras e Fronteiriços: Espaços, Identidades e Comportamentos

Coordenadores:

Descrição:    

Dentro do marco mais geral indicado pelo título do XXV Simpósio Nacional de História da ANPUH, “História e Ética”, o presente Simpósio Temático, proposto pelo GT Fronteiras Americanas, tem por objetivo reunir investigadores interessados em debater abordagens e temas diversos da história e historiografia das fronteiras americanas, como aspectos teórico-metodológicos e historiográficos; as interações e confrontos entre diferentes grupos sociais e culturais nos espaços fronteiriços; o choque entre poderes locais e centrais; diferentes experiências e práticas sócio-culturais fronteiriças nas Américas, em períodos diversos; os conflitos entre impérios coloniais e Estados nacionais em formação nestes territórios; a oposição entre identidades regionais e centrais; a construção de representações literárias e culturais sobre fronteira e região; das disputas territoriais, das buscas de hegemonia política, das relações internacionais, das identidades, dos crimes e contravenções, das buscas por internacionalização de idéias e movimentos, apenas para citar algumas das possibilidades que se abrem; e por fim, a utilização de variadas fontes para pesquisas sobre o objeto. Fundamentalmente, buscamos uma reflexão sobre as ambigüidades e o caráter “fronteiriço” que apresentam os comportamentos – sociais, políticos e culturais – e das identidades das populações que vivem em espaços de fronteira.

Bibliografia:    

AZARA, Félix. Memoria Rural del Rio de la Plata. In: Manuscritos da Coleção de Angelis VII. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1969, p.451. BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. O Expansionismo Brasileiro e a Formação dos Estados na Bacia do Prata. Argentina, Uruguai e Paraguai – da Colonização à Guerra da Tríplice Aliança. Brasília: Ensaio/UnB, 1995. CALÓGERAS, J. Pandiá. A Política Exterior do Império. Brasília: Câmara dos Deputados/ Companhia Editora Nacional, 1989. CERVO, Amado Luiz. O Parlamento Brasileiro e as Relações Exteriores (1826-1889). Brasília: UnB, 1981. FONTOURA, Antônio Vicente. Diário. De 1º de janeiro de 1844 a 22 de março de 1845. Caxias do Sul: EDUCS/Sulina/Martins, 1984. GUAZZELLI, Cesar Augusto Barcellos. O Horizonte da Província: a República Rio-Grandense e os Caudilhos do Rio da Prata (1835-1845). Rio de Janeiro: UFRJ, 1998. Tese de Doutorado (mimeo). OLIVEIRA, Manuel Lucas de. Diário. Porto Alegre: Edições EST, 1997. PICCOLO, Helga Iracema Landgraf. A Guerra dos Farrapos e a Construção do Estado Nacional. In: DACANAL, José Hildebrando (org). A Revolução Farroupilha: História & Interpretação. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985. SERRA PADRÓS, Enrique. Fronteiras e Integração Fronteiriça: elementos para uma abordagem conceitual. Humanas – Revista do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Porto Alegre, v.17, n.1/2, jan./dez., 1994, p.63-85. SILVA, José Luiz Werneck da. As Duas Faces da Moeda: a Política Externa do Brasil Monárquico. Rio de Janeiro: Universidade Aberta, 1990. VARELA, Alfredo. Revoluções Cisplatinas. A República Riograndense. Porto: Livraria Chardron, 1915 (2 v.). ZIENTARA, Benedikt. Fronteira. In: ENCICLOPÉDIA EINAUDI. Porto: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1989, vol. 14, p.306-317.

Justificativa:    

A delimitação espacial que tradicionalmente usam os historiadores, a partir dos limites políticos que existem no presente, especialmente aqueles nacionais, em geral são causadores de uma série de anacronismos quando se examina o passado latino-americano. Assim como a idéia de um “Brasil Colônia” não dá conta de um imenso mundo português que abarcava quatro continentes, tampouco serve para uma melhor compreensão das Missões Jesuíticas ou da Colônia do Sacramento; analogamente, a construção dos Estados nacionais ao longo do século XIX dificilmente pode ser analisada se pensarmos nas definições políticas do presente. Tais razões motivaram a criação do GT "Fronteiras Americanas".
O Simpósio Temático "As Fronteiras e a Construção das Identidades na América" tem por objetivo acolher aqueles trabalhos que versam sobre identidades/alteridades que se construíram ao longo do processo de ocupação/formação do espaço americano, contemplando desde as questões envolvendo colonos/nativos, lusitanos / castelhanos, ingleses / franceses, passando pelo intrincado processo de construção dos Estados nacionais que redimensionaram as questões fronteiriças, agregando outras tantas relacionadas às noções de pertencimento regionais/provinciais, superpostas e/ou contrapostas às nações que se idealizavam.

50. Dimensões Históricas do Audiovisual: o Ethos e o Pathos da Imagem

Coordenadores:

Descrição:    

O objetivo do seminário temático é discutir a potencialidade do audiovisual em gerar uma retórica que tenha a história como matéria, em todas as suas implicações políticas e estéticas, mobilizando ethos e pathos na comunicação com as audiências. Assim, se a ambigüidade entre estas duas instâncias da retórica é corrente no mundo do audiovisual como um todo, um dos seus gêneros específicos – o melodrama – articula os dois elementos de maneira muito particular, que poderíamos definir como uma ética das paixões, um sentimentalismo em torno do real que tende a cristalizar uma determinada moral pública, fortemente ancorada em ideologias, evitando matizes e contradições nas representações fílmicas do real. Se no melodrama estas características da retórica do audiovisual aparecem mais destacadamente, isto não quer dizer que em outros gêneros ficcionais, ou mesmo nos filmes de natureza documental ou jornalística, o jogo entre Ethos e Pathos seja menos marcante. No caso do documentário, a dimensão política e moral que preside seu olhar no registro das imagens têm sua extensão no trabalho de edição do material obtido durante as filmagens. Este aspecto remete à relação do cineasta com o seu objeto e com os testemunhos e materiais de arquivo incorporados em um filme. No testemunho e no arquivo, o passado parece se manifestar por si, quando na verdade é o arranjo proposto no discurso fílmico que está no centro das representações históricas que estão em jogo. Portanto, neste Seminário Temático discutiremos fundamentalmente o quanto o audiovisual (cinema e televisão; ficção e documentário) mobiliza uma determinada “ética” das imagens articulando representações do passado. Neste processo, as estratégias da retórica, seja apelando para a verdade ou para a paixão, dificilmente se expressam em narrativas sem contradições ou ambigüidades, e é a partir destas fissuras que se deve exercitar a crítica do audiovisual como fonte histórica.

Bibliografia:    

BROOKS, Peter. The Melodramatic Imagination. New Haven, Yale University Press, 1995.
CAPELATO, Maria Helena e outros (orgs.). História e cinema: dimensões históricas do audiovisual. São Paulo, Alameda Casa Editorial, 2007.
DELAGE, Christian. La vérité par l’image. De Nuremberg au procès Milosevic. Paris, Denoël, 2006.
_______ e GUIGUENO, Vincent. L’historien et le film. Paris, Gallimard, 2004.
KORNIS, Mônica A. Uma história do Brasil nas minisséries da Rede Globo. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, ECA, 2001.
NAPOLITANO, Marcos. A história depois do papel. In: PINSKY, Carla B. Fontes Históricas. São Paulo, Contexto, 2005, p. 235 – 289.
SÁNCHEZ-BIOSCA, Vicente. Cine de historia, cine de memoria: la representación y sus límites. Madrid: Cátedra, 2006
XAVIER, I. O Olhar e a Cena. São Paulo, Cosac-Naify, 2003.

Justificativa:    

O cinema e a televisão possuem uma força de convencimento acerca de uma verdade histórica veiculada tanto pelos gêneros ficcionais ou documentais que elaboram imagens sobre o passado histórico. Esta propriedade liga-se diretamente à problemática central do Simpósio. No campo da retórica, que nos interessa mais diretamente à medida que o cinema e a televisão desenvolvem retóricas particulares dentro do universo das imagens, o termo Ethos liga-se à capacidade e credibilidade do orador em produzir uma verdade na audiência. Por outro lado, o Pathos serve como contraponto a esta propriedade, definindo-se como a capacidade de jogar com as paixões coletivas e prescindindo da reflexão racional sobre a matéria do discurso. Nesta breve definição, fica claro o quanto o mundo do audiovisual mobiliza Ethos e Pathos na relação com as platéias espectadoras, ainda que seu discurso seja freqüentemente trespassado pela lógica do entretenimento.
Todos os gêneros ficcionais e documentais mobilizam uma “ética das imagens” com profundas implicações políticas, No melodrama, a tensão entre ethos e pathos se potencializa, a partir de um esquematismo simples no qual “o sucesso é fruto do mérito e da ajuda da Providência (..) e o fracasso resulta de uma conspiração exterior que isenta o sujeito de culpa”(XAVIER, 2003, p.85), provendo o mundo de uma moral dicotômica (bem versus mal) e naturalizada, dotando a retórica das imagens audiovisuais de um apelo excessivo ao Pathos, ao mesmo tempo em que a ancora num efeito de verdade dado pelo Ethos da “reprodutibilidade técnica” da “realidade natural”.

51. História da Saúde e das Doenças: Implicações Culturais e Sociais

Coordenadores:

Descrição:    

Este Simpósio pretende reunir trabalhos que contribuam para a reflexão sobre a saúde e as doenças, a partir de uma perspectiva histórica ampla, funcionando como um canal de interlocução e de troca entre os pesquisadores que se dedicam a trabalhos voltados para essa temática. É nossa expectativa também, ampliar e fortalecer a atuação do GT História da Saúde e das Doenças entre os pesquisadores e estudantes da área.

Bibliografia:    

NASCIMENTO, D. R. (Org.); CARVALHO, Diana Maul de (Org.); MARQUES, Rita de Cássia (Org.). Uma história brasileira das doenças v.2. 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 2006. 277 p.
NASCIMENTO, D. R.. As pestes do século XX. Tuberculose e Aids no Brasil: uma história comparada. 1.ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2005. v1. 193 p.
NASCIMENTO, D. R. (Org.); CARVALHO, Diana Maul de (Org.). Uma história brasileira das doenças. 01. ed. Brasília: Paralelo 15, 2004. v. 01. 338 p.
NASCIMENTO, D. R. . Fundação Ataulpho de Paiva-Liga Brasileira contra a Tuberculose: um século de luta. 1. ed. Rio de Janeiro: Quadratim g, 2002. v. 1. 165 p.
SILVEIRA, Anny Jackeline Torres; NASCIMENTO, D. R. A doença revelando a história. Uma historiografia das doenças. In: Dilene Raimundo do Nascimento; Diana Maul de Carvalho. (Org.). Uma história brasileira das doenças. 01 ed. Brasília: Paralelo 15, 2004, v. 01, p. 13-30.

Justificativa:    

A recente produção cientifica vem consolidando a temática da saúde e das doenças entre a comunidade de historiadores. A cada ano somos contemplados com trabalhos que apresentam novos olhares e possibilidades de pesquisa dentro deste campo. A historia da saúde e das doenças apresenta um universo amplo de análise, abordando questões de diferentes tipos que impactam a vida social, cultural, econômica e política das sociedades: as relações entre saúde/doença e as políticas sociais; suas implicações econômicas e demográficas; a emergência de novas doenças e o ressurgimento de outras; as reações, interações e representações da sociedade sobre os estados mórbidos; a produção de saberes (científicos e leigos) sobre saúde/doença; a criação e a trajetória de instituições e personagens etc. Esse universo de análise, além de agregar novos documentos ao trabalho do historiador, também tem propiciado uma nova perspectiva de análise sobre conjuntos documentais já estabelecidos, além de contribuir para a preservação e a organização de acervos.

52. História do Crime e da Justiça Criminal

Coordenadores:

Descrição:    

Nos anos 1980, os historiadores passaram a se utilizar mais sistematicamente das fontes criminais. Primeiro buscando temáticas externas às suas condições de produção, depois tentando cada vez mais compreender a produção destas fontes e o lugar da violência e do crime na sociedade. O projeto deste simpósio é congregar os historiadores que trabalham sobre temas e fontes da violência, do crime e da justiça criminal, criando a oportunidade para debater metodologias de pesquisa e resultados obtidos.
Das investigações sobre as fontes nos anos oitenta, os historiadores passam a trabalhar diversos temas que dão dinâmica ao campo. Influenciados também por análises e metodologias internacionais, investigam situações que podem ser agrupadas nessas linhas principais:
1) O crime e os criminosos Variações ao longo do tempo – ou região – surgimento de novos tipos e estudo daqueles que foram historicamente identificados como autores destes crimes, tanto enquanto grupos sociais como individualmente;
2) As instituições públicas que tratam do crime, o surgimento e o funcionamento de aparatos legais, judiciários, policiais e prisionais enquanto forma de lidar com o crime. Pode ser tratado do ponto de vista da história do direito e das normas legais sobre o estabelecimento de instituições, ou então enquanto uma história social destas instituições, seus modos de funcionar e as ações daqueles que participam delas;
3) A polícia e às ações repressivas diretas, ponto derivado do anterior, mas com uma produção específica destacada no campo;
4) As representações sociais a respeito do criminal, notadamente a imprensa, mas igualmente a literatura. Como a opinião pública, as memórias e outras formas de acessar o público procuram construir narrativas que dão sentido ao crime e produzem determinadas imagens daqueles que os cometem.
5) Formas históricas de punição e a problemática do nascimento da prisão e das penas, que forma conexão com o debate sobre as penas alternativas

Bibliografia:    

CHEVALIER, Louis. (1984) Classes laborieuses et classes dangereuses à Paris, pendant la première moitié du XIXe. siècle. Paris : Hachette.
CORBIN, Alain. (1991) Le temps, le désir et l’ horreur. Essais sur le XIXe. Paris: Flammarion.
DARMON, Pierre. (1991) Médicos e assassinos na Belle Époque: a medicalização do crime. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
DUPRAT, Catherine. (1987) “Punir e curar – em 1819, a prisão dos filantropos”, in: REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA: Instituições. São Paulo, vol. 7, n. 14.
FARCY, Jean-Claude. “Justice, Paysanneirie et etat en France au XIXe Siecle”, in: ROUSSEAUX, Xavier e LEVY, René (orgs). (1997) Le Penal Dans tous ses Etats: Justice, Etats et Sociétés en Europe (XIIe-XXe siècles). Bruxelles: Facultés universitaires Saint-Louis, pp. 191-207.
FARGE, Arlette.(1992) Vivre dans la rue à Paris au XVIIIe siècle. Paris : Gallimard.
FOUCAULT, Michel. (1987) Vigiar e punir. 9a ed., Petrópolis: Vozes.
KALIFA, Dominique. L’encre et le sang. Récits de crimes et société à la Belle Époque. (1995) Paris : Fayard.
LÉVY, René. 1996. “Crime, the Judicial System, and Punishment in Modern France”, in: ENISLEY, Clive e KNAFLA, Louis A. Crime History and histories of crime: studies in historiography of crime and criminal justice in Modern History. Westport: Greenwood Press.
LINEBAUGH, Peter. (1983) “Crime e Industrialização”, in: PINHEIRO, Paulo Sérgio. Crime, violência e poder. São Paulo, Brasiliense.
MALERBA, Jurandir. (1994) Os brancos da lei. Maringá: EDUEM.
PERROT, Michelle.(1992) “Delinqüência e sistema penitenciário na França no século XIX”, in: PERROT, Michelle. Os excluídos da História. 2a. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, pp. 235-273.
ELIAS, Norbert. (2000) Os estabelecidos e os outsiders. Sociologia das relações de poder de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
FARGE, Arlette. (1989) Le goût de l’archive. Paris : Seuil.
THOMPSON, Edward P. (1998) Costumes em comum. São Paulo: Cia das Letras.

Justificativa:    

A temática do crime e da justiça criminal já se encontra bastante consolidada no campo acadêmico internacional, com a publicação de revistas especializadas como Crime, History & Society e a aglutinação daqueles pesquisadores no grupo de trabalho CRIMINAL JUSTICE na European Social Science History Conference, mas ainda começa a se desenvolver no Brasil. Os estudos sobre criminalidade, polícia, justiça e prisão começam a aparecer na forma de dissertações e teses, que vão aos poucos sendo publicadas. Autores significativos como E. P. Thompson, Michel Foucault ou Norbert Elias são objeto de grandes discussões e têm papel marcante neste campo,  se vai da mensuração da violência como forma de perceber a introjeção dos valores a mecanismos de contenção e resposta estabelecidos no quadro do Estado moderno. O processo de expansão do estado e da cidadania no Brasil também coloca questões sobre os usos da violência legítima, os embates e resistências ao controle público e as mais diversas formas de representar culturalmente esta presença da violência no social.
Um espaço de discussão no Simpósio da ANPUH, que permita congregar pesquisadores de todo o Brasil interessados nestes temas permitiria a consolidação de uma área de pesquisa em História Social com penetrações da cultura, levando à constituição de uma circulação acadêmica promissora. A idéia dos coordenadores, Marcos Luiz Bretas e José E. Pimentel Filho em conjunto com um grupo mais amplo de doutores vinculados a Universidades, é caminhar para a criação de um Grupo de Trabalho. A cooperação já está se estabelecendo, e um primeiro resultado é o livro História das Prisões no Brasil, o qual tem lançamento previsto para o mês de abril, e que gostaríamos de lançar também durante o Simpósio.

53. História e Ética na Preservação do Patrimônio Cultural no Brasil

Coordenadores:

Descrição:    

No Brasil, a temática do patrimônio se coloca hoje numa perspectiva relacionada à questão das identidades, visando garantir a singularidade de expressões e modos de vida bem como o direito à memória dos diversos grupos formadores da sociedade brasileira. Os problemas, temas e questões postos na agenda da contemporaneidade no campo da cultura passaram a ser tratados sob a ótica da patrimonialização e têm nos levado a refletir sobre a ética no ofício do historiador do patrimônio (i.e., dos profissionais que refletem sobre essa temática academicamente e/ou a partir da sua inserção do campo do patrimônio cultural), cuja prática relaciona-se à produção de narrativas que conferem sentidos e valores simbólicos a determinados bens, práticas e manifestações culturais. Neste sentido, o Simpósio pretende reunir trabalhos produzidos em diferentes campos disciplinares, valorizando uma multiplicidade de olhares, que explorem os processos de patrimonialização de bens e práticas culturais, destacando aspectos éticos que o envolvem, tais como:
1) a construção de narrativas de patrimônio que amalgamam grupos de identidade;
2) o confronto entre diferentes temporalidades ao se trabalhar com práticas culturais, principalmente aquelas tradicionais e a ação do poder público, de patrimonialização e gestão dessas práticas;
3) as relações entre o mercado e a patrimonialização de bens e práticas culturais, que agrega valor simbólico e, por conseguinte, econômico, ao patrimônio mobiliário e também ao patrimônio imobiliário urbano;
4) o direito à memória, a partir da produção de fontes documentais sobre o patrimônio cultural e a constituição dos acervos das instituições de patrimônio.
5) a discussão acerca do nacional, considerando, inclusive, outros recortes de identidade possíveis contidos e/ou relacionados ao(s) nacional(is).
6) Historiografia da produção dos historiadores do patrimônio cultural, em suas diferentes formas de inserção político-institucional.

Bibliografia:    

ABREU. R.; CHAGAS, M. (orgs.). Memória e Patrimônio: ensaios contemporâneos. RJ: DP&A, 2003
AGUIAR, Leila B. Turismo e Preservação nos sítios urbanos brasileiros: o caso de Ouro Preto. (Doutorado). Niterói: UFF, 2006.
ANDERSON, Benedict. Comunidades Imaginadas - Reflexões Sobre a Origem e a Difusão do Nacionalismo. SP: Cia. das Letras, 2008.
ARANTES, Antônio A. (org). O espaço da diferença. 5ª ed. SP: Papirus, 2000
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 9ª ed. RJ: Bertrand Brasil, 2006
CANCLINI, Nestor G. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. SP: EDUSP, 2006.
CERTEAU, Michel de. A operação Historiográfica. In A Escrita da História. RJ: Forense Universitária, 1982
CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. SP: Estação Liberdade/UNESP, 2001
CHUVA, Márcia. Os Arquitetos da memória. A construção do patrimônio histórico e artístico nacional no Brasil – 1930-1940. (Doutorado em História), Niterói, UFF, 1998.
FONSECA, Maria Cecília L. O Patrimônio Em Processo. RJ: UFRJ/IPHAN, 1997.
GONÇALVES, José Reginaldo. A retórica da perda: os discursos do patrimônio cultural no Brasil. 2ª ed. RJ: UFRJ, 2002.
HOBSBAWM, Eric. Etnia e nacionalismo na Europa de hoje. In Balakrishnan, G. Um mapa da questão nacional. RJ: Contraponto, 2000.
LIMA F., Manuel F. et ali. Antropologia e Patrimônio Cultural: Diálogos e desafios contemporâneos. Brasília: ABA, 2007
NOGUEIRA, Antonio Gilberto. R. Por um inventário dos sentidos: Mário de Andrade e a concepção de patrimônio e inventário. SP: Hucitec, 2005.
PROGRAMA DE ESPECIALIZAÇÃO EM PATRIMÔNIO DO IPHAN. Cronologia e bibliografia das práticas de preservação do patrimônio cultural. RJ: IPHAN, 2007. (Cadernos de Estudos do PEP)
Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Patrimônio Imaterial e Biodiversidade. nº 32, IPHAN, 2006.
RIBEIRO, Rafael W. Paisagem cultural e patrimônio. RJ: IPHAN/Copedoc, 2007.
SILVA, Zélia L. (org). Arquivos, patrimônio e memória: trajetórias e perspectivas. S P: UNESP.

Justificativa:    

Em Etnia e nacionalismo na Europa de hoje, de 1995, a crueza com que Eric Hobsbawm se refere à consciência da atualidade dos limites éticos do ofício dos historiadores em geral provoca incômodos até nos mais conservadores e provoca uma reflexão sobre o papel dos historiadores de patrimônio, na atualidade. No artigo de Michel de Certeau, A operação historiográfica (1975), tal desconforto já se colocava, na análise precisa que faz a respeito do ofício do historiador, observando o lugar do qual suas narrativas são produzidas, os constrangimentos, limites e regras que condicionam o exercício do ofício. Submetidos a tais procedimentos disciplinarizadores, conforme Certeau, o lugar de autoridade do intelectual de um modo geral e do historiador em particular fica em questão, inserido num campo de possibilidades dadas pelas disputas, negociações e posições historicamente constituídas, no qual se estabelecem as verdades históricas.
A problemática da preservação do patrimônio cultural, que teve origem nos processos de constituição dos estados nacionais, no século XIX, por um lado, estrapolou as fronteiras nacionais, tratando-se agora de uma dimensão do social que se integra ao sistema internacional na relação entre estados e, por outro, mergulhou no universo particular das identidades locais, territorializadas, que necessariamente, também, dialogam com o nacional. No âmbito de ação no mundo social no qual se constituiu o campo do patrimônio, estão comprometidos, na atualidade, diferentes foros de debates, sobre os quais é necessário, no estado atual da produção acadêmico-científica, consolidar noções, categorias e conceitos, partilhados (mas não necessariamente compartilhados) por todos envolvidos nessa cadeia de ações e agentes, estabelecida nesse processo em rede, desde o pesquisador, gestores públicos até os produtores desses bens, detentores de saberes, garantindo a associação transparente entre produção de conhecimento e atuação política.

54. História, Historiografia e Fontes Orais: Temas, Abordagens e Perspectivas de Investigação

Coordenadores:

Descrição:    

O propósito deste Simpósio é reunir pesquisadores cujas ferramentas de trabalho historiográfico incluam as fontes orais. Pretendemos, com isto, propor o debate sobre os vários temas que têm sido pautados por estes trabalhos, bem como colocar em foco as diferentes perspectivas de abordagem com as fontes orais e a contribuição que tais pesquisas proporcionam à historiografia mais recente.
Acreditamos que as fontes orais têm sido um instrumento metodológico que nos coloca frente a outros sujeitos que reclamam outras possibilidades de interpretação, o que tem nos levado a prestar atenção às diferenças, redimensionando assim nossos conceitos, obrigando-nos a um repensar do papel da história e da historiografia na luta política.
Trabalhando temáticas como movimentos sociais, trabalho e trabalhadores, culturas e religiosidades, preservação e patrimônio, campo e cidade, propomos suscitar o debate sobre a produção de memórias, os diversos atributos das experiências, da consciência social, e das várias tensões que emergem nas formas de narrar e nas linguagens presentes na produção das fontes orais.
A proposta é reunir pesquisadores que procurem refletir os significados destas linguagens - entendidas como prática e elemento constituinte dos sujeitos - e das narrativas na história e na historiografia, tentando avançar no entendimento de que elas são práticas sociais num universo amplo, diversificado, firmando perspectivas com as quais tentamos dialogar para construir outras histórias, o que inclui possibilidades de pensarmos outra sociedade.

Bibliografia:    

BOSI, Ecléa. O Tempo Vivo da Memória. Ensaios de Psicologia Social. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.
CARDOSO, Heloisa H. P..Narrativas de um candango em Brasília. Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH, n.47,jan.-jun.2004, 163-180.
FENELON, Déa Ribeiro e outros. Muitas memórias, outras histórias. São Paulo: Olho D´Água, 2004.
------ . O historiador e a cultura popular: história de classe ou história do povo?. História & Perspectivas. Uberlândia/MG: EDUFU, n.6, 1992, p. 5-24.
FERREIRA, Marieta de Morais e outros. História Oral: desafios para o século XXI. Rio de Janeiro: Fiocruz/ CPDOC, 2000.
FERREIRA, Marieta de Morais e AMADO, Janaina (orgs.). Usos e Abusos da História Oral. Rio de Janeiro: FGV, 1996.
KHOURY, Yara Aun. Narrativas Orais na investigação da História Social. Projeto História. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História da PUC/SP. São Paulo: EDUC, n.18, 1999, p.79-103.
LE GOFF, Jacques. Enciclopédia Einaudi, vol. 1: Memória- História. Porto: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1984.
MACIEL, Laura A. ET alii ( Orgs) Outras Histórias: Memórias e Linguagens. S.P., Editora Olho Dágua, 2007.
POLLAK, Michel. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos. Rio de Janeiro: CPDOC/FGV, v.2, n.3, 1989.
PORTELLI, Alessandro. A filosofia e os fatos: narração, interpretação e significado nas memórias e nas fontes orais. Tempo. Revista do Departamento de História da UFF. Rio de Janeiro:UFF, v.1, n.2, 1996, p.59-72.
...........As fronteiras da memória: o massacre das fossas ardeatinas. História, mito, rituais e símbolos. História & Perspectivas, n.25/26, Uberlândia/MG: EDUFU, 2001/2002, p. 9-26.

Justificativa:    

A proposta de um simpósio sobre “História, historiografia e fontes orais” visa criar um espaço onde propostas metodológicas diferenciadas possam ser debatidas, mapeando usos destas fontes na historiografia.
As narrativas orais têm ocupado um lugar importante nas reflexões dos historiadores .Enquanto fontes, elas têm nos levado a pensar a relação entre história e ética, não só pelo reconhecimento da diversidade e pela possibilidade de fazer com que as pessoas sejam ouvidas, como nas atitudes que assumimos perante nossos entrevistados, respeitando sentimentos, emoções, crenças, interpretações.
As diversas pesquisas que refletem sobre a relação entre histórias, memórias e fontes orais, que serão apresentadas neste simpósio, podem possibilitar diálogos e avaliações sobre os caminhos metodológicos que estão sendo construídos pelos pesquisadores em temáticas variadas.

55. Infância, Adolescência e Juventude no Brasil: História e Historiografia

Coordenadores:

Descrição:    

Nos últimos encontros nacionais organizados pela Associação Nacional dos Professores Universitários de História – ANPUH os simpósios temáticos propostos sobre História da infância, da adolescência e, mais recentemente, da juventude, revelaram-se espaços oportunos de interlocução entre pesquisadores das várias regiões do Brasil. A presente proposta pretende dar continuidade a esse debate, indicativo, sem dúvida, de que a História da infância, da adolescência e da juventude tornou-se, nas últimas décadas, um campo de estudos valorizado internacionalmente. Consolidada, também, no Brasil, essa linha de pesquisa configura campo de estudos ainda em aberto, uma vez que as análises têm conferido prioridade ao mundo urbano - em que sobressaem grandes cidades brasileiras - às instituições – sobretudo correcionais -, às modalidades de abandono, à ilegitimidade, ao trabalho infantil, dentre outras questões, a demonstrar que os temas afeitos à infância, à adolescência e à juventude continuam a apresentar, não obstante a densa produção historiográfica existente a respeito, amplas possibilidades de abordagem. Possibilidades que, somadas à centralidade que infância, adolescência e juventude apresentam no Brasil e no mundo, conferem mais do que mera atualidade, sentido à pesquisa histórica e, portanto, ao interesse dos historiadores e historiadoras quanto à questão.

Bibliografia:    

AREND, Silvia M. F. Relações de gênero e desigualdade em um programa social para infância e juventude pobre (Florianópolis, Brasil, década de 1930). Otras Miradas. Revista Venezuelana de Estudios de Genero, v. 7, p. 97-113, 2007.
ARIÉS, Philippe. História social da criança e da família. 2. ed. Tradução: Dora Flaksman. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
BECCHI, Egle; JULIA, Dominique (org.). Histoire de l’enfance en occident. Paris: Éditions du Seuil, 1998.
BENJAMIN, Walter. Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. Tradução: Marcus Vinicius Mazzari. São Paulo: Summus, 1984.
DONZELOT, Jacques. A polícia das famílias. 2. ed. Tradução: M. T. da Costa Albuquerque. Rio de Janeiro: Graal, 1986.
FORACCHI, Marialice M. A juventude na sociedade moderna. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1972.
GÉLIS, Jacques. A individualização da criança. In: ARIÈS, Philippe e DUBY, Georges. História da vida privada. V. 3. Da Renascença ao Século das Luzes. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
GROPPO, Luís A. Juventude: ensaios sobre a sociologia e história da juventude. São Paulo: Difel, 2000.
MOURA, Esmeralda Blanco B. de. Por que as crianças? In: CARVALHO, Carlos Henrique, MOURA, Esmeralda Blanco B. de, ARAUJO, José Carlos Souza (org.). A infância na modernidade: entre a educação e o trabalho. Uberlândia: EDUFU, 2007.
POSTMAN, Neil. The Disappearance of Childhood. New York: Vintage Books, 1994.
PRIORE, Mary Del. História da criança no Brasil. São Paulo: Contexto, 1991.
PRIORE, Mary Del. História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 1999.
REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA. V. 19, n. 37. Dossiê: Infância e adolescência. ANPUH/Humanitas, 1999.

Justificativa:    

Oportunidade ímpar para reunir pesquisadores em torno de eixos temáticos, o mini-simpósio proposto configura uma possibilidade de discussão que abrange a historiografia, os aportes teórico-metodológicos e documentais, além de reflexão sobre os múltiplos temas relativos à história da infância, da adolescência e da juventude.
Especialmente nas últimas décadas do século XX, as crianças, os adolescentes e, mais recentemente, os jovens, têm ocupado, um significativo espaço de discussão na sociedade brasileira. A produção historiográfica sobre estes sujeitos é relevante, na atualidade, tanto no Brasil, quanto no exterior. Todavia os desafios presentes na escrita de História sobre as temáticas da infância, adolescência e juventude são inúmeros. Afirmamos na apresentação, que a grande maioria dos estudos foi realizada tendo como cenário o mundo urbano e os problemas advindos da modernização da sociedade. Outras dimensões, tais como, as relativas à etnicidade, as relações de gênero, ao rural, a religiosidade, etc podem ser incorporadas nas análises. De maneira geral as fontes documentais escritas, orais e áudiovisuais possibilitam estes outros olhares que, conjugados aos existentes, ampliariam os saberes históricos acerca do universo infanto-juvenil. A perspectiva da vitimização das crianças, adolescentes e dos jovens também deve ser superada, uma vez que esta abordagem impede que o historiador os perceba como sujeitos plurais.

56. Memórias, Identidades e Conflitos Sociais

Coordenadores:

Descrição:    

O presente Simpósio visa discutir os processos de construção e reconstrução da memória social, numa perspectiva interdisciplinar, refletindo sobre as estratégias de apropriação e usos do espaço - tanto físico como social - e seus reflexos na afirmação da identidade de grupos, gêneros, comunidades, etnias. Nesse sentido, estarão em tela as relações de poder e resistência geradoras de conflitos sociais diversos, por exemplo, no âmbito da cultura e do trabalho, bem como os possíveis problemas éticos envolvidos em trabalhos sobre o tema.

Bibliografia:    

Amado, Janaína e Ferreira, Marieta de Moraes (Orgs) (1996). Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro. Fundação Getúlio Vargas.
Bachelet, Bernard (1998). L’espace. Paris. PUF.
Candau, Joel (1996). Antropologie de la Mémoire. Paris. PUF.
Claval, Pierre. (1978). Espaço e Poder. Rio de Janeiro. Zahar.
Costa, Icléia T. M.e Gondar, J. (orgs) (2000). Memória e espaço Rio de Janeiro. Sete Letras.
Foucault, Michel (1981). Microfísica do poder. Rio de Janeiro. Graal.
Halbwachs, Maurice (1990). A memória coletiva. São Paulo, Vértice.
Hobsbwn, Eric. e Ranger, Trevor. (orgs.) (1984). A invenção das tradições. Rio de Janeiro. Paz e Terra..
Huyssen, Andréas (2000). Seduzidos pela memória. Rio de Janeiro. Aeroplano.
Jeudy, H-P. (1990). Memórias do social. Rio de Janeiro. Forense Universitária..
Le Goff, Jacques (1992). História e Memória, Campinas, Edunicamp..
Lovisolo, Hugo (1989). A memória e a formação dos homens. Estudos históricos, Rio de Janeiro, CPDOC.
Montenegro, A. Torres (1993). História oral: caminhos e descaminhos. Revista Brasileira de História, v.13, nos 25/26, São Paulo, ANPUH.
Pollak, Michael (1989). Memória, esquecimento, silêncio. Estudos históricos, Rio de Janeiro, CPDOC.
Pollak, Michael (1992). Memória e identidade social. Estudos históricos, N. 10. Rio de Janeiro, CPDOC.
Rébérioux, Madeleine (1992). Lugares da memória operária. In O direito à memória. São Paulo, Departamento de Patrimônio Histórico.
Santana, Marco Aurélio (2000). Memória, Cidade e Cidadania. In: Memória e espaço.Costa, Icléia T. M.& Gondar, J. (orgs). Rio de Janeiro. Sete Letras.
Thomson, Alistair et al (1996). Os debates sobre memória e história: alguns aspectos internacionais. In Janaína Amado e Marieta de Moraes Ferreira (orgs.). Usos e abusos da história oral, Rio de Janeiro. Fundação Getúlio Vargas.
Thompson, Paul (1998). A voz do passado. 2ª Edição, Rio de Janeiro, Paz e Terra.

Justificativa:    

A reflexão acerca dos conflitos sociais – em seus níveis macro e micro - tem na análise da construção e reconstrução da memória social e da identidade um suporte extremamente valioso. No engendramento e desenrolar de tais conflitos, tanto memória quanto identidade jogam um papel que pode ser considerado central. Elas são, a um só tempo, local de controle e resistência, palco de práticas de homogeneização e lugar de afirmação da diferença. Não há memória sem disputa, nem conflito que não produza memórias e identidades. Muito menos se pode falar de identidade(s) sem referência a algum tipo de memória e de conflito. Assim, pensar as formas de elaboração da memória e dos processos identitários é lançar luz, de uma perspectiva particular, sobre o conflito social, seus discursos e suas práticas, construídos social e historicamente.
Ao longo dos últimos anos temos, em âmbito regional e nacional da ANPUH, mantido este tipo de reflexão e debate. Tal abordagem do passado se mostra justificada numa época em que se evidenciam processos de desterritorialização que redesenham o perfil das cidades e afetam as concepções de pertencimento, alteridade e identidade. As metamorfoses espaço-temporais, encurtando distâncias e acelerando o tempo, produzem sintomas de desenraizamento que vêm afastando sistematicamente enormes contingentes humanos, por exemplo, da terra, do trabalho e das formações identitárias, certamente híbridas e que, em momentos de crise, se voltam para narrativas de gênese buscando elaborar seus novos processos de territorialização.

57. Militares, Política e Estratégia

Coordenadores:

Descrição:    

Os campos temáticos abrangidos pela presente proposta serão aqueles originados da inter-relação entre a história política, história militar e dos estudos estratégicos. Serão aceitos trabalhos que versem sobre:
Política: doutrinas e ações estratégicas; soberania nacional; alianças internacionais de cunho estratégico; políticas de defesa nacional; políticas internas e externas de intervenção armada, relações sociais e políticas entre grupos e classe civis e as instituições militares; conexões entre conflitos internos e externos às nações, potenciais ou reais;
História militar: história das instituições militares; preparação, desenvolvimento e conseqüência das guerras na sociedade; inserção da instituição militar nas estruturas do Estado Nacional; história social dos conflitos armados;
Estratégia e relações internacionais: formulação, desenvolvimento e conseqüências de teorias e doutrinas estratégicas; aspectos conjunturais dos conflitos internacionais e suas conexões com as lutas políticas nos âmbitos internos e externos às nações.
Em suma, a essência do campo temático proposto é o conjunto de estudos do uso da força na política, estatal ou não, e suas conseqüências.

Bibliografia:    

BOBBIT, Philip. A Guerra e a Paz na História Moderna. O impacto dos grandes conflitos e da política na formação das nações. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
BONIFACE, Pascal, As Guerras do Amanhã, Inquérito, Mem Martins, Portugal, 2003.
CASTRO, Celso; IZECKSOHN, Vitor; KRAY, Hendrik (orgs.). Nova História Militar Brasileira. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004.
FERRAZ, Francisco César Alves. História militar e história social. I Seminário Internacional de História, Maringá: UEM/CCH/DHI, p. 620-628, out/2003. CD ROM.
HEYNEMANN, Philip B.. Terrorism, Freedom, and Security: winning without war. Cambridge (Mas) The MIT press, 2003.
HOGAN, Michael (ed) America in the world: the historiography of American foreign relations since 1941. Cambridge: Cambridge University Press, 1995.
HUNTINGTON, Samuel. O Soldado e o Estado: teoria política das relações entre civis e militares. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1996.
KEEGAN, John. Uma História da Guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
LaFEBER, Walter. The American age: U.S. foreign policy at home and abroad 1750 to the present. New York: Norton, 1994.
McCORMICK, Thomas J. Americas’s Half-Century: United States Foreign Policy in the Cold War and After. Baltimore : The John Hopkins Press, 1995, 2º ed.
MUNHOZ, Sidnei J. . Guerra Fria: um debate interpretativo. In: Francisco Carlos Teixeira da Silva. (Org.). O Século sombrio: Ensaios sobre as guerras e revoluções do século XX. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2004, v. , p. 261-281.
PARKER, Geoffrey (ed.). The Cambridge Illustrated History of Warfare. The triumph of the West. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1995.
RAMONET, Ignacio. Guerras do Século XXI. Petrópolis: Vozes, 2003.
TEIXEIRA DA SILVA, Francisco Carlos (org.) Enciclopédia das Guerras e Revoluções do Século XX, Rio de Janeiro, Editora Campus, 2004.
WILLIAMS, W. A. The Tragedy of American Diplomacy. New York: Norton, 1988.

Justificativa:    

Após décadas de ostracismo no panorama historiográfico, os assuntos vinculados à história dos conflitos armados, das instituições militares dedicadas à sua preparação e execução, das suas relações sociais, culturais e políticas com a sociedade civil, bem como as perspectivas estratégicas dos Estados Nacionais, voltaram a atrair pesquisadores em todo o mundo. Essa retomada das histórias políticas, militares e das relações internacionais foi proporcionada por grande renovação teórica e temática, com a incorporação de questões vinculadas à história social, distanciando-se, assim, do caráter essencialmente institucional e conjuntural das práticas historiográficas anteriores.
Os campos temáticos da história das relações internacionais, da história militar e da história das relações entre militares e civis proporcionam reflexões acerca da natureza e desenvolvimento dos Estados Nacionais, das construções sociais e culturais entre as instituições de poder, das estruturas de planejamento e execução do monopólio da força, bem como de seus potenciais oponentes, sejam esses instituições armadas de outras nações, movimentos políticos e sociais, milícias, guerrilhas, etc.

58. Múltiplos Femininos: Gênero, Memória e Identidades

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio pretende reunir trabalhos e debates que abordem questões relativas à captação das múltiplas identidade femininas, inseridas em espaços e tempos históricos distintos. Pretende ainda enfatizar a categoria “gênero” em seu caráter multidisciplinar visando garantir os profícuos diálogos devido a presença de análises e interfaces com outros campos do conhecimento, permitindo captar as experiências e compreender a construção de comportamentos femininos visíveis e invisíveis, na complexa dinâmica sócio-cultural. Neste XXV Simpósio Nacional pretende-se que as comunicações assegurem as desejadas inflexões a partir do tema geral - História e Ética. A idéia é de ampliar os debates reconhecendo os dilemas no campo dos estudos de gênero, mas reconhecendo a grande possibilidade e a riqueza teórica provenientes do trabalho de pesquisa empírica, nesse caso, da recuperação das memória, de uma nova demanda com relatos capazes de superar a construção dos fatos enquadrados por uma história institucionalizada .

Bibliografia:    

BLOCH, Marc. Introdução à história. Lisboa: Publicações Europa-América, 1965.
CHARTIER, Roger. A história cultural entre práticas e representações. Lisboa: Berthand – Brasil: Difel, 1990.
DEL PRIORI, Mary (Org.) & BASSANESI, Carla (Coord.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 1997.
DEL PRIORI, Mary. História das mulheres: as vozes do silêncio. In: FREITAS, M. C. (Org.). Historiografia brasileira em perspectiva. São Paulo: Contexto, 2000.
DUBY, Georges. O historiador hoje. In: História Nova e Nova História. Lisboa: Teorema, 1986.
HOBSBAWM, E. A outra história: algumas reflexões. In: KRANTZ, F. (Org.). A outra história. Rio de Janeiro: ZAHAR, 1990.
MATOS, Maria Izilda S. Gênero: trajetória, impasses e perspectivas. São Paulo: UNESP,1996.
PERROT, Michele. Os excluídos da história. Rio de Janeiro: Paz e Terra.1998.
SCOTT, Joan "Gênero uma categoria útil de análise histórica" IN Mulher e Realidade, mulher e educação. Porto Alegre, Vozes v 16. nº 2 julho/dez, 1990.
SCOTT, Joan. História das Mulheres In: BURKE, Peter. A Escrita da História Novas Perspectivas. São Paulo: Ed. UNESP, 1992

Justificativa:    

Em vista desta ênfase, perceber, na vida cotidiana as trajetórias e as performances engendradas pelas mulheres, suas lutas e conquistas seja individualmente, seja atuando em distintos movimentos sociais, onde as relações de gênero esboçam práticas sociais de dominação e de resistências, tornando possível analisar as permanências de valores e representações sobre o que seja o feminino, a feminilidade como pressuposto de identidade.
Nessa perspectiva, enfatiza–se o trabalho com a memória como identidade social, fazendo emergir as “ memórias subterrâneas” , as lembranças de mulheres que viveram e ainda vivem o sentimento de exclusão.

59. Tramas da Linguagem – História, Política e Cidade

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio “Tramas da linguagem – história, política e cidade”, ao objetivar debates e reflexões em torno das relações entre linguagem e história, busca reunir pesquisadores interessados em explorar as várias linguagens que se presentificam no político: as dimensões políticas implicadas no funcionamento de vários gêneros discursivos (literário, memorialístico, imagético, científico, técnico); as tramas da linguagem na/sobre a cidade; as linguagens sobre os diferentes espaços que, por afinidade ou contraposição, interferem na definição da cidade, locus por excelência da história e do político.
A proposta, que busca confluir dois veios investigativos presentes no campo historiográfico contemporâneo – a gestão do político e a questão urbana –, tem o político como horizonte comum a nortear os seus processos de inquirição e na abordagem interdisciplinar o seu modo de operação. O primeiro dos veios parte da premissa de que a história e a cultura políticas só podem ser compreendidas levando-se em conta a intervenção de motivações a um só tempo conscientes e inconscientes nas ações humanas, individuais e coletivas, colocando em pauta investigações que focalizam a presença dos sentimentos, sensibilidades e paixões nas ações políticas e na gestão do político. Gestão compreendida a partir daquilo que Pierre Ansart define como “clínica” e intervenção institucional, mas também como gestual, de condutas e formas. O segundo, ao compreender a cidade, seja na condição de fenômeno histórico ou de objeto de conhecimento, como intrinsecamente heterogênea e complexa, inapreensível sob a ótica de um único campo disciplinar ou sensível, problematiza o urbano em suas dimensões plurais, abordando-o a partir dos campos conceituais que o constituem historicamente. Adentrar a cidade a partir de suas “portas conceituais” implica o escrutínio das forças e linguagens plurais que a estruturam, inevitavelmente, no e pelo debate político.

Bibliografia:    

AGAMBEN, Giorgio. Profanações. Trad. e apres. Selvino José Assmann. São Paulo: Boitempo, 2007 [1ª ed.: Roma, 2005].
ANSART, Pierre. La gestion des passions politiques. L’Age d’Homme. Lausanne, 1983.
ARGAN, Giulio C. História da arte como história da cidade. 3 ed. Trad. Pier Luigi Cabra. São Paulo: Martins Fontes, 1995 [1ª ed.: Roma, 1984].
BRESCIANI, Maria Stella M. O charme da ciência e a sedução da objetividade: Oliveira Vianna entre os intérpretes do BrasiI. 2 ed. São Paulo: Editora da UNESP, 2007 [1ª ed. 2005].
____________. Cidade e História. In: OLIVEIRA, Lúcia Lippi (org.). Cidade: história e desafios. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2002, pp. 16-35.
____________. Imagens de São Paulo: estética e cidadania. In: FERREIRA, Antônio, LUCA, Tania Regina de, IOKOI, Zilda Grícoli (org.). Encontros com a história: percursos históricos e historiográficos de São Paulo. São Paulo: Ed. UNESP, 1999, pp. 11-45.
BRESCIANI, S., NAXARA, M. (org.). Memória e (res)sentimento: indagações sobre uma questão sensível. 2 ed. Campinas: Ed. da Unicamp [1ª ed. 2001].
CHOAY, Françoise. A Regra e o Modelo: sobre a teoria da arquitetura e do urbanismo. Trad. Geraldo Gerson de Sousa. São Paulo, ed. Perspectiva, 1985.
LE GOFF, Jacques. Por amor às cidades. Conversações com Jean Lebrun. Trad. Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes. São Paulo: Ed. UNESP, 1998.
NERI, Demetrio. Filosofia Moral: manual introdutivo. Trad. Orlando Soares Moreira. São Paulo: Edições Loyola, 2004 [1ª ed.: Milano, 1999].
MARSON, I., NAXARA, M. (org.). Sobre Humilhação – sentimentos, gestos, palavras. Uberlândia: EDUFU, 2005.

Justificativa:    

Sendo múltiplos os territórios e cenas possíveis que emergem da confluência destes dois veios investigativos, destacamos: as configurações intelectuais e os pensamentos políticos, os processos e atitudes de submissão e insubmissão, as relações democráticas e os sentimentos morais que as estruturam, os modos de constituição de identidades e subjetividades, as configurações espaciais e a história, a problemática da memória, a reiterada discussão sobre a impropriedade política e/ou ética, freqüentemente traduzida como inadequação – sob o viés de desordem, insalubridade, caos, insuficiência, ineficiência, depreciação física e moral – e os seus graves desdobramentos.
Considerando-se ainda as relações entre linguagem, história e política, a ética atualiza-se neste simpósio temático sob dois pontos de vista: como móvel de conduta e como objeto de luta. As avaliações negativas, céticas ou desconfiadas, em relação ao urbano e à política, ao deixarem entrever certa concepção de inadequação ou incompletude, repõem a idéia de uma distância entre as experiências históricas enunciadas e as virtudes supostamente necessárias à conservação da sociedade. Inversamente, parecem retomar a ética liberal que compreende como indissolúvel o liame entre a virtude, as condutas e a felicidade (pública?), e desse modo justificariam as intervenções “civilizatórias” ou “disciplinadoras” na sociedade. Por outro lado, a ética entendida como luta não pelo aperfeiçoamento e/ou cumprimento da norma existente, mas como propõe Giorgio Agamben, luta para que possamos experimentar nossa “própria existência como possibilidade ou potência”, define a ação política como exercício de profanação de modos consagrados – conceitos, saberes e gêneros discursivos – no ato mesmo que busca dizer a liberdade ou exercer-se ele próprio como libertação.

60. Práticas Educativas e Novas Linguagens no Ensino de História

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio Temático tem como objetivo a discussão das práticas educativas e das novas linguagens, propondo experiências de pensamento que façam do ato didático um processo de produção de sentido, com um discurso que dê lugar à participação ativa do sujeito, nas atividades de ensino desenvolvidas em sala de aula, dos relatos de experiências e da divulgação dos trabalhos de graduação, pós-graduação, extensão e de investigações científicas.
O ST pretende repensar a formação do professor e as práticas educativas relacionadas ao ensino de história. Consideramos importante o diálogo entre campos de conhecimento da historiografia e da educação para demarcar as especificidades culturais e sociais desses campos de estudo. No movimento de crítica e debate sobre as concepções da história evenementielle, da história-problema, da história-progresso-processo, da virada lingüística... como se configuram novos rumos para se pensar a História e seu ensino? Refutando a concepção de que o professor é apenas um transmissor do conhecimento muitas pesquisas em educação ampliam a compreensão desse ofício e cria novos paradigmas de pesquisa e pensamento sobre os saberes docentes. Há que se buscar, nesse sentido, a formação integrada do pesquisador e professor, até porque o professor não pode ser considerado um mero reprodutor do conhecimento, mas alguém que o produz.

Bibliografia:    

ITTENCOURT, Circe O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2004.
CABRINI, Conceição. et alii.O Ensino de História: revisão urgente. 3ª edição, São Paulo, Editora Brasiliense, 1987.
CARRETERO, Mário. Ensino da História e Memória Coletiva. Porto Alegre: Artmed, 2007.
CERRI, L. F. (Org.). O ensino de História e a ditadura militar. 2ª. ed. Curitiba: Aos Quarto Ventos, 2005.
FERREIRA, Carlos Augusto Lima. Ensino de história: reflexões e novas perspectivas. Salvador: Quarteto, 2004.
FONSECA, Selva. G. Ser professor no Brasil. Campinas: Papirus, 1997.
_________________. Caminhos da história ensinada. Campinas: Papirus, 1993.
_________________. Ensinar história no século XXI: em busca do tempo entendido. Campinas: Papirus, 1993.
FONSECA, Thais Nivia de Lima e. Historia & Ensino de Historia. Belo Horizonte: Autentica, 2003.
GATTI JR, Décio. A escrita escolar da história: livro didático e ensino no Brasil. Bauru; Uberlândia. EDUSC; EDUFU, 2004.
GUSMÃO, Emery M. Memórias de quem ensina história. São Paulo: Ed. UNESP, 2004.
HORN, Geraldo B; GERMINARI, Geyso D. O ensino de história e seu currículo. Petrópolis: Vozes, 2006.
KARNAL, Leandro. História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2004.
MONTEIRO, Ana Maria. Professores de História: entre saberes e práticas. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Mauad X, 2007.
MORAES, Maria Thereza Didier. Emblemas da Sagração Armorial: Ariano Suassuna e o Movimento Armorial. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2000.
NEVES, Lúcia Maria W. Educação e política no Brasil de hoje. São Paulo: Cortez, 2002.
NIKITIUK, Sônia. Repensando o ensino de história. São Paulo: Cortez, 2004.
NÓVOA, Antônio. (Org.). Vidas de professores. Portugal. Porto: Porto Editora, 1999.
PERRENOUD Philippe. A Prática Reflexiva no Ofício de Professor, Porto Alegre: Artmed, 1999.

Justificativa:    

No Simpósio Temático pretendemos debater uma história que indique novos temas, mas também, promova a abertura para novas abordagens. Assim, será possível viabilizar a relação de conteúdo/forma objetivando uma concepção de História que não entenda o ensino como mera transmissão de conhecimento. Faz-se necessário o diálogo com a historiografia, com os documentos históricos orais ou referentes à cultura material, fazendo do ensino de História um processo ativo de produção de novos “saberes” e não apenas a vulgarização ou difusão de saberes já consagrados. Para que os alunos se apropriem do conhecimento a produção deve ser estimulada através da pesquisa. Dessa forma, estaremos formando sujeitos habilitados para o ensino, a pesquisa e a reflexão crítica acerca da História e de seus processos, capazes de intervir na sociedade.
A relevância social crescente da História nas últimas décadas propiciou a ampliação do campo de trabalho do historiador para o ensino superior, anteriormente restrito ao exercício do magistério apenas no ensino fundamental e médio. Devemos ressaltar que a pesquisa deve estar vinculada à formação do professor estando necessariamente presente no exercício da profissão em qualquer nível ou modalidade de ensino e, em sendo assim, nos remete para uma série de outras questões, igualmente relevantes para a formação do historiador, tais como: preservação e valorização do patrimônio artístico e cultural, conservação de documentos escritos, orais e iconográficos, gerenciamento de informações, catalogação de fontes, organização de acervos, assessoria a projetos culturais, entre outros.

61. Relações Internacionais e Política Externa: História e Historiografia

Coordenadores:

Descrição:    

Devido ao crescente interesse e importância do estudo das relações internacionais, observa-se um número cada vez maior de cursos, congressos, seminários e encontros que se traduz em um significativo aumento do número de pesquisas acadêmicas e das publicações especializadas. Tal fenômeno traduz o incremento das relações interestatais, assim como uma certa democratização dos assuntos internacionais ou de política externa, antes reservados apenas aos agentes diretamente envolvidos, e, atualmente, cada vez mais, ao alcance dos estudiosos e pesquisadores acadêmicos. Há, igualmente, uma redefinição do campo das relações internacionais não mais circunscrito, exclusivamente, às relações interestatais, o que ampliou o leque de possibilidades de pesquisas multiplicando seus temas. Há, por último, não apenas o reconhecimento da autoridade dos trabalhos acadêmicos produzidos nas últimas décadas mas, ainda, o reconhecimento da utilidade dos mesmos para as políticas externas dos países.

Bibliografia:    

ALBUQUERUQE, J.A.Guilhon de (org.), Sessenta anos de política externa brasileira 1930-1990. São Paulo, Cultura Editores Associados/Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP, 2000.
ARENAL, Celestino del. Introducción a las relaciones internacionales. Madrid, Tecnos, 1990.
BARBÉ, Esther. Relaciones Internacionales. Madrid, Tecnos, 1995.
CERVO, Amado Luiz, BUENO, Clodoaldo. História da Política Exterior do Brasil. São Paulo, Ática, 1992.
FREIXO e alii. Tempo Negro, Temperatura Sufocante: Estado e Sociedade no Brasil do AI-5. 1. ed. Rio de Janeiro: Contraponto Editora e Editora da PUC-Rio, 2008.
HALLIDAY, Fred. Repensando as Relações Internacionais. Porto Alegre, Editora da Ufrgs, 1999.
LESSA, Mônica Leite & GONÇALVES, Williams da Silva (Org.). História das Relações Internacionais: Teoria e Processos. Rio de Janeiro: EdUerj, 2007.
NOGUEIRA, João Pontes e MESSARI, Nizar. Teoria das Relações Internacionais. Correntes e debates. Rio de Janeiro, Elsevier/Editora Campus, 2005.
SARAIVA, José Flávio Sombra (org.). Relações Internacionais: Dois Séculos de História: . Vol. 1. Brasília, FUNAG/IBRI, 2001.
____________. (org.). Relações internacionais - dois séculos de história: entre a ordem bipolar e o policentrismo (de 1947 a nossos dias). Vol. 2. Brasília, FUNAG/IBRI, 2001.
VIZENTINI, Paulo Fagundes. A política externa do regime militar brasileiro. Porto Alegre, Editora da Universidade/UFRGS, 1998.

Justificativa:    

Diante desse quadro, um dos objetivos centrais deste Simpósio é o de contribuir para a constituição de um espaço que agregue pesquisadores de História das Relações Internacionais e de Política Externa, de forma a propiciar o estímulo ao debate e à troca de experiências – uma tradição já amplamente reconhecida nos Encontros Nacionais da ANPUH. Nesse sentido, refletindo a multidisciplinaridade característica da área das Relações Internacionais, este Simpósio contempla temas referentes às diversas formas de interação, cooperação, conflitos e assimetrias de poder constituintes dos cenários regionais e sub-regionais, bem como as principais dinâmicas históricas ocorridas na sociedade internacional a partir do século XIX.
Por sua vez, e em acordo com a praxis intelectual, típica dos estudos internacionais, serão aqui acolhidas pesquisas referentes às diferentes dimensões e atores atuantes na vida internacional de forma a se oferecer um panorama de seus posicionamentos, ações e visões, seja da perspectiva dos Estados, das elites, das organizações governamentais e não-governamentais, das empresas e de outras formas de entes corporativos atuantes nos diversos campos da esfera internacional, tais como o diplomático, o político, o militar, o econômico, o jurídico, o científico e o cultural. Dessa forma, o Simpósio também se afirma como um espaço de discussões sobre as diferentes concepções teóricas e metodológicas da História das Relações Internacionais e das Políticas Externas dos países.

62. Cidade e Cultura: História e Ética

Coordenadores:

Descrição:    

Os estudos históricos sobre as cidades vêm acompanhando as significativas mudanças contemporâneas, bem como as tensões emergentes na Urbe. Reconhecendo as cidades como elementos constitutivos da trama cultural e histórica, de seus fluxos e dinâmicas, os historiadores as observam como territórios que condicionam múltiplas experiências pessoais e coletivas, tecidos de memórias do passado e de impressões recolhidas ao longo das diversas experiências urbanas.
As problemáticas da cidade são delineadas como questões significativas, nas quais emergem temáticas variadas, entre elas merecem destaques as que têm como mote as questões éticas, entre outros, objeto da presente proposta.
Sob a perspectiva da História Cultural, este seminário temático se propõe a implementar o diálogo entre pesquisadores que priorizem em suas investigações aspectos diferenciados das temáticas: Cidade e cultura: história e ética.

Bibliografia:    

DEMO, Pedro. Éticas Multiculturais: sobre convivência humana possível. Petrópolis: Vozes, 2005.
JOVCHELOVITCH, Sandra. Representações sociais e esfera pública: a construção simbólica dos espaços públicos no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2000.
LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Ed. Documentos. 1969.
MARTINS, José de Souza. A Sociabilidade do Homem simples: cotidiano e história na modernidade anômala. São Paulo: Hucitec, 2000.
MATOS, M. Izilda S. . Cotidiano e Cultura: história, cidade e trabalho. 1. ed. Bauru: EDUSC, 2002. v. 1. 206 p.
OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Ética e Sociabilidade. São Paulo: Loyola, 2003.
PECHMAN, R. M. Cidades estreitamente vigiadas: o detetive e o urbanista. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2002.
ROLNIK, Raquel. A Cidade e a Lei: Legislação, política urbana e territórios na cidade de São Paulo. São Paulo: Studio Nobel, 2003.

Justificativa:    

O ethos da cidade nos induz ao espírito urbano que se equilibra entre economia moral e o espírito das leis. Esse equilíbrio possibilita dinâmicas, transformações, permanências e rupturas que persegue o que promove a felicidade, a justiça, o que é bom para os indivíduos em sociedade. As temáticas como educação, política, habitação, meio ambiente, família, corpo, alimentação, revoltas, revoluções entre outras, trazem no seu seio o eterno desejo de bem-viver. Nesse sentido, poderíamos dizer que a ética permeia e é uma exigência de nossas sensibilidades e de nossas sociabilidades urbanas. Por isso, é oportuno por em debate pesquisadores que articulam em seus estudos a cidade, a cultura e a história em cumplicidade com a ética, para que esta, assim como os estudos sobre ela, se projete como preocupação recorrente no nosso ofício de historiador.

63. Diferenças e Desigualdades

Coordenadores:

Descrição:    

Muitas das características individuais são utilizadas para a construção das diferenciações sociais, todavia, constatamos que várias delas são escolhidas arbitrariamente como traços diacríticos das hierarquizações sociais. Entre essas diferenciações, ressaltamos as de classe e status, de gênero, de geração, de ocupação no mercado de trabalho, assim como as étnicas e a raciais, as lingüísticas, as regionais e nacionais, entre outras, que não apenas distinguem, mas hierarquizam e excluem pessoas, influenciando diretamente no curso de suas vidas. As taxionomias produzidas não são neutras, envolvendo relações de saber-poder e construindo subjetividades, a partir das quais grupos sociais privilegiados estabelecem padrões éticos, freqüentemente hegemônicos, por meio dos quais se naturaliza a desigualdade e os perversos sistemas de trabalho e distribuição de renda.
Hodiernamente, cabe-nos indagar que relações e implicações escondem-se por trás de cada um destes pontos de vista: a irredutível igualdade humana e a incontornável diferença dos seres humanos e dos grupos sociais que constituem a humanidade. Este Simpósio está, com base num novo modelo ético, voltado ao respeito às diferenças, contanto que isso não implique a eliminação do direito à igualdade, ou seja, a prerrogativa das pessoas serem tratadas como iguais em todas as esferas institucionais. Portanto, encontra-se aí uma plataforma ética sobre a qual se assentam não apenas nossas pesquisas, mas uma proposta de intervenção social: a teoria crítica sobre as desigualdades para lutar pela eqüidade dos direitos humanos.

Bibliografia:    

ALMEIDA, M. V. de. Senhores de si. Uma interpretação antropológica da masculinidade. 2 ed. Lisboa: Fim de Século, 2000.
ANDERSON, Benedict - Nação e Consciência Nacional. S. Paulo, Editora Ática, 1989.
AUGÉ, M. O Sentido dos Outros. Petrópolis: Vozes, 1999.
BOURDIEU, Pierre. A Distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: EDUSP; Porto Alegre: Zoouk, 2007.
BURKE, P. Hibridismo cultural. São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 2003.
FOUCAULTm Michel. Os Anormais. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
GOFFMAN, E. Estigma. Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988.
GRUZINSKI, Serge. O Pensamento Mestiço. São Paulo: Companhia das Letras.
GUIBERNEAU, Montserrat. Nacionalismos. O Estado Nacional e o nacionalismo no século XX. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997.
PERROT, Michele. Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
PIERUCCI, Antônio Flávio. Ciladas da Diferença. São Paulo: USP, Curso de Pós-Graduação em Sociologia, Editora 34, 1999.
POUTIGNAT, Philippe & Streiff-Fenart, Jocelyne. Teorias da Etnicidade. Seguido de Grupos Étnicos e suas Fronteiras de Fredrik Barth. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1998.
SILVA, T. T. da (Org.). Identidade e diferença. A perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis, Vozes, 2000.
THOMPSON, E. P. A formação da classe operária. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
TODOROV, Tzvetan. Nós e os Outros. A reflexão francesa sobre a diversidade humana. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor. 1993.
VEYNE, P. O inventário das diferenças. São Paulo: Brasiliense, 1983.
WARE, V. Branquidade: Identidade branca e multiculturalismo. Rio de Janeiro: Garamond, 2004.

Justificativa:    

Indica-se aqui, neste Simpósio Temático, um espaço de colóquio científico, extremamente bem sucedido nos últimos Simpósios Regionais no Rio de Janeiro e nos Nacionais, que pretende retornar XXV Simpósio Nacional de História cujo tema central trabalha a História e Ética, intimamente ligada à compreensão de sistemas de valores que justificaram, e ainda continuam a fazê-lo, organizações sociais desiguais, nas quais as diferenças não representam liberdades, mas variações no acesso dos indivíduos a direitos que, segundo a ética contemporânea, deveriam estar fundamentados no direito à igualdade. Desse modo, compete à este Simpósio Temático, ainda como articulação ao tema do Simpósio Nacional de História uma reflexão quanto aos valores axiológicos de respeito às diferenças e de eliminação das desigualdades, como parte indissociável da sustentação do nosso modelo ético.
Por outro lado, o Simpósio Temático tem dado visibilidade a laboratórios e grupos, envolvendo professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Gama Filho, Universidade Severino Sombra. Estes grupos são o LEDDES (Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades Sociais/UERJ), LEHP (Laboratório de Estudos de História Política/USS) e o TEMPO (Laboratório do Tempo Presente/UFRJ). Promovendo, assim, a permanente troca de informações e idéias entre os grupos e seus pesquisadores. Ademais, o Seminário Temático mostra-se aberto a outros investigadores que apresentem pesquisas e comunicações pertinentes ao Tema.

64. História e Religião no Mundo Luso-Brasileiro (Séculos XVI-XXI)

Coordenadores:

Descrição:    

A proposta do Simpósio Temático é constituir um espaço de reflexão em que, a partir de pesquisas recentes ou em curso, de caráter histórico e interdisciplinar, sejam focalizados situações e sujeitos sociais que expressem experiências e manifestações do fenômeno religioso. Ao invés de tratar a esfera da religião e as vivências religiosas como fatos residuais, isolados e estanques da estrutura social, busca-se produzir registros, problemas e hipóteses que favoreçam novos arranjos teóricos ou metodológicos de análise. O Simpósio Temático tem como objetivo promover o debate sobre modelos institucionais da religião e práticas nem sempre condizentes com o prescrito, confrontando abordagens que partam desde o trabalho de microanálise até as visões mais globalizantes da longa duração, atendo-se, do ponto de vista espaciotemporal, ao mundo luso-brasileiro a partir do século XVI.

Bibliografia:    

ALGRANTI, Leila Mezan. Honradas e Devotas: Mulheres da Colônia. Condição Feminina nos Conventos e Recolhimentos do Sudeste Brasileiro do Brasil, 1750-1822. Rio de Janeiro/Brasília: José Olympio/Editora da UnB, 1993.
AZEVEDO, Carlos Moreira (dir.). História religiosa de Portugal. Lisboa: Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa / Círculo de Leitores, 3 vols., 2000.
BELLINI, Lígia, SAMPAIO, Gabriela R., SALES SOUZA, Evergton (org.). Formas de crer. Ensaios de história religiosa do mundo luso-afro-brasileiro (sécs. XV-XXI). Salvador: Corrupio/Edufba, 2006.
CERTEAU, Michel de. Le lieu de l’autre. Histoire religieuse et mystique. Paris: Gallimard/Le Seuil, 2005.
DUPRONT, Alphonse. Du Sacré. Croisades et pèlerinages. Images et langages. Paris: Gallimard, 1987.
ELIADE, Mircea. O Sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
GONÇALVES, Margareth de Almeida. Império da Fé. Andarilhas da alma na era barroca. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.
LEITE, Serafim, História da Companhia de Jesus no Brasil. Lisboa: Portugália; Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1938-1950. 10 v
MIRANDA, Júlia. Carisma, sociedade e política. Novas linguagens do religioso e do político. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1999.
MOTT, Luiz . Rosa Egipcíaca: uma santa africana no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1993.
PÉCORA, Alcir. Teatro do Sacramento. A unidade teológico-retórico-política dos Sermões de Vieira. São Paulo, Campinas: Edusp, Ed. Unicamp, 1995.
REIS, João José. A morte é uma festa. Ritos Fúnebres e Revolta Popular no Brasil do Século XIX. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.
SILVA DIAS, J. S. da. Correntes do sentimento religioso em Portugal (sécs. XVI a XVIII). Coimbra: Universidade de Coimbra, 1960.
SOUZA, Laura de Mello e. O Diabo e a Terra de Santa Cruz. Feitiçaria e religiosidade popular no Brasil colonial. São Paulo: Cia. das Letras, 1986.
VAINFAS, Ronaldo.Trópicos do Pecado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997

Justificativa:    

A presença das religiões na cena contemporânea e o retorno de manifestações de religiosidade e de santificação no tempo presente expressam fenômenos singulares que sinalizam a emergência de novos modos de organização da subjetividade e de redes de sociabilidade. As religiões na contemporaneidade apontam para o surgimento de formas de constituição que oferecem um novo sentido à vivência da espiritualidade e mostram um constante exercício de reconstrução simbólica do passado. No final do século XX, a explosão de expressões do religioso faz, entretanto, destacar a importância de estudos históricos sobre essa ampla temática. Do ponto de vista histórico, se os topoi não se alteram, no entanto, os contextos históricos fornecem um sentido novo ao drama social. A eficácia simbólica das linguagens religiosas advém dos usos da tradição e do passado no sentido da produção de discursos formalmente corretos, mas cujos sentidos se matizam e sofrem deslizamentos. Os rituais e as cerimônias retiram do efeito mágico que produzem sua capacidade de persuasão e convencimento. A compreensão dos processos de ressignificação do passado remete à importância de um exercício de reflexão que possibilite gerar instrumentos analíticos que auxiliem à compreensão dos processos de mudança social.
A proposta do ST História e religião no mundo luso-brasileiro (séculos XVI-XXI) é incentivar a formação de um espaço de debate e reflexão sobre religião em diversas temporalidades e a partir de distintas abordagens teóricas e historiográficas.

65. Militares, Política e Sociedade no Brasil

Coordenadores:

Descrição:    

Este simpósio temático acolhe uma ampla diversidade de abordagens referentes à instituição militar no Brasil. Um dos tipos mais espetaculares e estudados de relações dos militares com a sociedade tem sido suas intervenções na política, em particular a construção de um regime autoritário de longa duração a partir do golpe de 1964. Entretanto, a importância deste tipo de evento não pode obscurecer o fato de que os militares exercem outros papéis menos explicitamente políticos, inserindo-se nas malhas da sociedade por meio de processos desvelados quando se analisam as formas de recrutamento, o perfil social dos integrantes das forças armadas, as matrizes ideológicas enriquecidas pela sua experiência corporativa etc.

Bibliografia:    

CARVALHO, José Murilo de. Forças armadas e política no Brasil. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2005.
CASTRO, Celso e D’ARAUJO, Maria Celina (orgs.). Militares e política na Nova República. Rio de Janeiro, Ed. FGV, 2001.
CASTRO, Celso; KRAAY, Hendrik; IZECKSOHN, Vitor (orgs.) Nova História Militar Brasileira. Rio de Janeiro, Ed. FGV/Bom Texto, 2004.

Justificativa:    

A riqueza do estudo dos militares no Brasil numa perspectiva histórica se traduz na progressiva consolidação do campo de estudo. Iniciativas como a criação do Programa Pró-Defesa da CAPES e da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED), bem como a existências de instâncias acadêmicas como o Laboratório de Estudos sobre os Militares na Política (LEMP) da UFRJ e de uma tradicional linha de pesquisa sobre a instituição militar no Brasil no CPDOC/FGV confirmam esta tese, além de indicarem que a relevância do tema transcende a experiência do regime militar. Deve-se também mencionar que simpósios temáticos como o que ora propomos foram realizados no encontro anual da ANPUH de Londrina (2005) e nos regionais do RJ em Niterói (2006) e Seropédica (2008). Além disso, há um significativo número de pesquisadores independentes que têm recentemente se dedicado ao estudo do tema. É esse conjunto de análises que se pretende reunir no ST.

66. Marxismo e Ética em Tempo de Crise: Contradições e Revoluções

Coordenadores:

Descrição:    

O GT História e Marxismo, a partir do tema geral da ANPUH, apresenta o Simpósio Temático "MARXISMO E ÉTICA EM TEMPO DE CRISE: CONTRADIÇÕES E REVOLUÇÕES", para estabelecer um diálogo com análises históricas, perspectivas teóricas e abordagens metodológicas que tenham como referência a dialética e o materialismo histórico, procurando contribuir para ampliar o alcance dos objetos e campos de análise histórica. A crítica da economia política elaborada por Marx demonstra sua atualidade na crise contemporânea, ao assinalar os limites e contradições da sociedade capitalista e estimular um conhecimento voltado para a sua superação.
A ética somente pode ser efetiva se for profundamente histórica, capaz de integrar as condições objetivas da história e as subjetividades que nela se formam. O ser humano, ser social da práxis, transforma o mundo e a si mesmo ao longo do tempo e, para que possa tornar-se criador livre de sua própria história, precisa superar revolucionariamente os limites sociais que bloqueiam sua plena historicidade: a existência de classes sociais e a acumulação cega do capital.
O tema ética e marxismo sugere também reflexões críticas sobre os processos revolucionários. Para tanto, é preciso superar o terreno do pensamento único ainda predominante ("não há alternativas") e de ecletismos ao gosto da moda, retomando o fio crítico e emancipador do marxismo.
Propomos reunir neste Simpósio Temático investigações relativas aos embates em curso na luta de classes, às estratégias de dominação, resistência e emancipação construídas historicamente pelos sujeitos sociais, às relações de trabalho, cultura e poder e às características contemporâneas das sociedades capitalistas.

Bibliografia:    

CARDOSO, Ciro F. Um historiador fala de teoria e metodologia. Bauru: Edusc, 2005
CHESNEAUX, J. Devemos fazer tabula rasa do passado? SP: Ática, 1995
COELHO, E. Uma esquerda para o capital. Tese de Doutorado, UFF, 2005
DIAS, E.F. Política brasileira: embates de projetos hegemônicos. SP, Instituto J.L. e R. Sundermann, 2004
DUAYER, M. e MEDEIROS, J. L. “Underlabouring for Ethics: Lukács’s Critical Ontology”, in Lawson, C. et alli (Ed.). Contributions to Social Ontology. New York; London: Routledge, 2008
FONTANA, J. A história dos homens. Bauru: EDUSP, 1998
FONTES, V. Reflexões im-pertinentes. Rio. Bom Texto. 2005
GRAMSCI, A. Cadernos do cárcere. 6 Volumes. Rio: C. Brasileira, 2001-2002
GRAMSCI, A. Escritos políticos. 2 volumes. Rio. C. Brasileira. 2004
HOBSBAWN, E. Sobre História. SP: Cia das Letras, 1998
KOSIK, K. Dialética do concreto. 2ª edição. SP: Paz e Terra, 1976
LEFEBVRE, H. Lógica formal x Lógica dialética. Rio: C. Brasileira, 1975
LUKACS, G. Ética, estética y ontologia. Buenos Aires, Colihue, 2007
LENIN. V I. O Estado e a revolução. SP: Global, 1986
LIGUORI, G. Roteiros para Gramsci. Rio: UFRJ, 2007
MARX, K. e ENGELS, F. A ideologia alemã. SP. Boitempo. 2007
MARX, K. Manuscritos Econômicos-Filosóficos. 2a. ed., SP: Boitempo, 2008
MARX, K. O 18 Brumário. Rio: Paz e Terra, 1997
MARX, K. O capital. SP. Bertrand Brasil, 1987
MENDONÇA, S. R. (Org.) O Estado brasileiro: agências e agentes. Niterói. EdUFF, Vício de Leitura, 2005.
MÉSZÁROS, I. Para além do capital. SP: Boitempo / Campinas: Unicamp, 2002
NEVES, L.M.W. (Org.) A nova pedagogia da hegemonia. SP, Xamã, 2005
NEVES, L.M.W. & LIMA, J.C. (orgs.). Fundamentos da educação escolar do Brasil Contemporâneo. Rio: Fiocruz/EPSJV, 2006.
NÓVOA, J.(org). Incontornável Marx. Salvador: Edufba / SP: UNESP, 2007
POULANTZAS, N. O Estado, o poder, o socialismo. 4ª ed. SP, Paz e Terra, 2000
SCHAFF, A. História e verdade. SP: M.Fontes, 1978
WOOD, E. Democracia contra capitalismo. SP. Boitempo, 2003

Justificativa:    

O Grupo de Trabalho História e Marxismo procura congregar historiadores e pesquisadores dedicados a analisar contribuições teóricas no âmbito do marxismo e/ou processos históricos e sociais relacionados aos referenciais teóricos do marxismo (proposta aprovada em Plenária da ANPUH, 2007, São Leopoldo-RS).
A história e a historiografia se nutrem de reflexão teórica e crítica, condição fundamental para a elaboração do trabalho consistente dos historiadores e para a socialização substantiva e coerente do conhecimento produzido. Marx e o marxismo integram uma das mais importantes tradições teóricas e historiográficas internacionais, tendo também forte inserção na historiografia brasileira. Na atualidade, a recente crise do grande capital internacional recoloca centralmente exigências de transformações históricas substantivas, permitindo a crítica de um período para o qual supôs-se até mesmo um “fim da história”. Ademais, a crise recoloca em questão os fundamentos de uma ética estiolada e reduzida ao mercado, exigindo sua profunda ligação com a totalidade da vida social.
O GT História e Marxismo participou, com programação própria, de Simpósios Regionais no Rio de Janeiro (Niterói, 2006 e Serópedica, 2008), do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, 2008), Bahia (Feira de Santana, 2008) e Paraná (2008) e estamos elaborando Encontro Nacional do Smpósio Temático.
Os integrantes do Simpósio Temático vêm editando a Revista História & Luta de Classes, atualmente no número 6 (novembro de 2008).

67. Ética, Arte, Política e Visões de Mundo na Cultura Moderna

Coordenadores:

Descrição:    

Trata-se de discutir a formação do Mundo Moderno tomando como referência as várias formas de experiência produzidas pelo homem moderno. Dentre estas experiências destacam-se as relações entre ética, política, religião e arte.

Bibliografia:    

RODRIGUES, A.E.M., FALCON, F. C. "A Formação do Mundo Moderno". Rio de Janeiro, Ed. Campos, 2006.
BURCKHARDT, J. "A A cultura do renascimento na Itália : um ensaio". São Paulo, Cia das Letras, 1991.
ARGAN, G.C. "História da Arte Italiana". São Paulo, Cosac Naify, 2003.]
WEBER, M. "Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo". São Paulo, Pioneira, 1989.
SKINNER, Q. "As fundações do pensamento político moderno". São Paulo, Cias das Letras, 1996.

Justificativa:    

Nosso interesse é promover o debate sobre a primeira modernidade a partir do conceito moderno de Ética e de Experiência com o objetivo de reler a historiografia sobre a cultura moderna e buscar alternativas teóricas que permitam a revisão conceitual do tema.

68. Idéias, Intelectuais e Instituições: História e Ética

Coordenadores:

Descrição:    

As análises a serem desenvolvidas devem procurar consolidar uma visão comparativa e interdisciplinar, a partir de abordagens identificadas com diferentes tradições acadêmicas. Os eixos que organizam e norteiam as reflexões do grupo devem contemplar aspectos atinentes à história e historiografia das idéias, intelectuais e instituições, em especial analisados sob a ótica da República, do republicanismo, do federalismo, da democracia, do Estado, da sociedade civil, da sociedade política, dos movimentos sociais, e das relações de poder, dos diversos projetos político-sociais concorrentes na cena pública brasileira e da ética, ao longo dos séculos XIX, XX e XXI.

Bibliografia:    

RAMOS, Alexandre Pinheiro. O Integralismo entre a Família e o Estado: análise dos integralismos de Plínio Salgado e Miguel Reale (1932-1937), Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ. Dissertação de Mestrado em História,2008.
COELHO, Franklin Dias. História Urbana e Movimentos Sociais, Universidade Federal Fluminense, UFF. Tese de Doutorado em História. 1996.
LATTANZI, José Renato. Imprensa, partidos e democracia: a experiência brasileira (1945/46), Universidade Federal Fluminense, UFF. Dissertação de Mestrado.em História. 2005.
MENEZES, Leila Medeiros de. Catatonia Integral. Gonzaguinha, a censura e o silenciamento dos malditos (1968-1978), Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ. Dissertação de Mestrado em História. 2003.
BRAGA, Marcos da Costa. A Organização Profissional dos designers no Brasil :APDINS - RJ , A luta pela hegemonia no campo profissional, Universidade Federal Fluminense, UFF. Tese de Doutorado em História. 2005.
REIS, Nathacha Regazzini Bianchi. Motins Políticos de Domingos Antonio Raiol: Memória, historiografia e identidade regional, Universidade Federal Fluminense, UFF. Dissertação de Mestrado.em História. 2003.
BARBOZA, Renata Lima. O Rio de Janeiro nas crônicas de Orestes Barbosa: uma cidade a meio caminho da modernidade e da tradição - hesitante entre a ordem e a desordem da Primeira República. Universidade do Estado do Rio de Janeiro,UERJ. Monografia de Bacharelado em História, 2006.
PEREIRA, Rodrigo da Nóbrega Moura. A Salvação do Brasil: as missões protestantes e o debate político-religioso do século XIX.. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ. Tese de Doutorado em História. 2008.
CURY, Vânia Maria. Engenheiros e Empresários: O Clube de Engenharia na gestão de Paulo Frontin (1903-1933). Universidade Federal Fluminense, UFF. Tese de Doutorado em História. 2000.

Justificativa:    

Este Simpósio tem como perspectiva resgatar uma importante tradição do pensamento social brasileiro, a história das idéias, e o papel do intelectual na elaboração de uma agenda de questões que extravasa os limites dos muros acadêmicos, chegando a influenciar os círculos do público não-especializado. Também busca-se investigar a inserção do intelectual no aparato estatal e na sociedade civil, por meio das instituições que se constituem em lugar privilegiado para a reflexão e o debate. O simpósio Idéias, Intelectuais e Instituições: História e Ética justifica-se também por reunir pesquisadores que trabalham com este eixo temático sob uma perspectiva plural e integrada. Este simpósio ainda tem como objetivo promover o X Encontro Anual do Grupo de Pesquisa CNPq UFF Idéias, Intelectuais e Instituições, tal como os anteriores, a realizar-se nos eventos promovidos pela ANPUH Nacional e Regional Rio de Janeiro.

69. Povos Tradicionais - História e Cultura

Coordenadores:

Descrição:    

O presente simpósio apresenta-se como um espaço para discussão de pesquisas relacionadas à temática “Povos Tradicionais, história e cultura.” Atualmente, o empenho de cientistas pertencentes a várias áreas do conhecimento na investigação e no reconhecimento legal dos grupos marginais apresenta-se como desafio aos historiadores da cultura. Parece que, em nenhuma outra época, se falou tanto sobre o tema e se estudou tanto estes grupos classificados, ainda, como excluídos da história. Sob tais categorias abriga-se a diversidade de grupos e tipos de povoamento existentes em determinado território ou país, marginalizados socialmente e, diga-se, ao mesmo tempo, que foram, até recentemente, pouco considerados nas políticas de escrita. Esse tratamento tangente pode-se dever à aplicação de esquemas teóricos gerais e globalizantes que implicam a negligência e até mesmo o menosprezo a respeito das peculiaridades, das características e das singularidades que nos permitem identificá-los como objetos de estudo, isto é, como fenômenos isoláveis. No caso do Brasil abrange, por exemplo, os indígenas, os remanescentes de quilombos, os caiçaras, os açorianos, os babaçueiros, os caboclos, os caipiras, os sertanejos, as quebradeiras de coco, os pantaneiros, os jangadeiros, os pescadores artesanais, os seringueiros, os vargeiros, os faxinalenses e muitos outros. A questão é que esses grupos, atualmente, são postos em destaque por suas especificidade tais como: as formas próprias de uso e posse da terra, o aproveitamento ecológico dos recursos naturais, o cultivo da vida comunitária e a preservação da memória comum.

Bibliografia:    

ALMEIDA, A. W. 2002. “Os Quilombos e as Novas Etnias” Em E. C. O´Dwyer, org., Quilombos: identidade étnica e territorialidade. Rio de Janeiro: Ed. FGV, pp. 43- 81.
BACZKO, Bronislaw. Los imaginarios sociales: memorias y esperanzas colectivas. Buenos Aires: Nueva Visión, 2005.
BRANDÃO, C. R. 1993. “O desencanto do outro: mistério, magia e religião nos estudos do mundo rural no Brasil”. Anuário Antropológico/91. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.
DIEGUES, C. A. (org.) Etnoconservação: novos rumos para a proteção da natureza nos trópicos. São Paulo: AnnaBlume: Nuapaub - USP: HUCITEC.
GEERTZ, C. 1969. C. A Interpretação das Culturas. Petrópolis: Vozes. pp. 13-41.
HALBWACHS, M. 2004. A Memória Coletiva. São Paulo: Centauro.
LEITE, I. B..1996. Negros no Sul do Brasil: invisibilidade e territorialidade. Ilha de Santa Catarina: Letras Contemporâneas.
LEITE, I. B..2000. “Os Quilombos no Brasil: Questões Conceituais e Normativas”. Textos e Debates. Florianópolis, NUER/UFSC, n. 7.
LITTLE, P. E. "Territórios sociais e povos tradicionais no Brasil: por uma antropologia da territorialidade". Série Antropologia n. 174. Brasília: Departamento de Antropologia. 2002.
___________. “Indigenous peoples and sustainable development subprojects in Brazilian Amazonia: The challenges of interculturality”. Law and Policy 27(3): 450-471. 2005.
RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas, Editora da UNICAMP, 2007.
SELIGMANN-SILVA, Marcio. História, memória, literatura: o testemunho na era das catástrofes. Campinas, Editora da UNICAMP, 2003.
SHARPE, Jim. A história vista de baixo. In: BURKE, Peter. (Org.) A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Editora da universidade Estadual Paulista, 1992.

Justificativa:    

A compreensão dos fenômenos na perspectiva temporal nos leva a considerar que acontecimentos, tais como, o uso coletivo da terra e de recursos naturais diversos, a criação de animais em comum, o trabalho coletivo, a preservação da memória coletiva, entre outros, não surgem por acaso. Pode-se dizer que a convicção de que tais elementos desenvolveram-se ao longo do tempo representa um ponto sobre o qual concordam os pesquisadores em geral, e não somente historiadores, como também aqueles que tentam explicar ou compreender e até mesmo engajar-se nas lutas dos faxinalenses e de outros povos tradicionais. Conforme Paul E. Little a diversidade fundiária do Brasil corresponde a uma imensa heterogeneidade cultural. Entretanto, o Estado-nação implanta nas Américas, a partir do primeiro quartel do século XVI, uma forma hegemônica de controle territorial e cultural. A legislação produzida por esse Estado toma como referência conceitos fundamentados numa matriz cultural uniforme e generalista (cultura ocidental), incapaz de abranger a diversidade cultural acima referida. Podemos dizer que, a despeito da existência de um poder centralizador e universalizante, as culturas dos povos tradicionais emergem como espaços de criatividade e alternativas conceituais, simbólicas e sociais. Justifica-se, desse modo, o estudo da história e da cultura dos povos tradicionais. A pesquisa histórica sobre os povos tradicionais é uma contribuição para uma maior visibilidade social desses sujeitos.

70. Mobilidades Urbanas em Tempos Modernos: Migrações, Sociabilidades e Modernização na Cidade Contemporânea

Coordenadores:

Descrição:    

As cidades, em sua grande maioria, atraíram e continuam a atrair na contemporaneidade um grande número de indivíduos, seduzidos pelas oportunidades (reais ou fantasiosas) de conseguir novas e melhores condições de vida pautadas por uma economia monetária que a tudo envolve; pelas probabilidades de encontros e desencontros num ambiente que conjuga tanto liberdade de movimentos e garantia de anonimato, quanto tratamento igualitário e afirmação de singularidades; pelas possibilidades de deslizamentos através de fronteiras e de territórios ora permeáveis, ora intransponíveis, nem sempre visíveis e palpáveis, mas claramente sentidos e por vezes embaralhados. Com isso, as cidades conformam panoramas em ininterrupta transformação material e simbólica, reunindo indivíduos de diferentes procedências e hábitos e impulsionando processos de modernização descontínuos que correm paralelos ou se cruzam em velocidades diferentes, panoramas estes que se assemelham e se integram naquilo que pode ser denominado de um mercado mundial de cidades, mas que, ao mesmo tempo, animam a produção de identidades culturais singulares a cada uma delas, proporcionadas pelas experimentações sempre renovadas e plenas de incertezas do viver urbano, das mobilidades e das potencialidades por ele ensejadas nos tempos modernos, assim como pelas distintas maneiras de narrá-las e de recordá-las.

Bibliografia:    

ARANTES, Antônio A. (org.). O espaço da diferença. Campinas: Papiruas, 2000.
BIDOU-ZACHARIASEN, Catherine (org.). De volta às cidades: dos processos de gentrificação às políticas de “revitalização” dos centros urbanos. São Paulo: Annablume, 2006.
BRESCIANI, Maria Stella (org.). Palavras da cidade. Porto Alegre: UFRGS, 2001.
BRESCIANI, Stella e NAXARA, Márcia (orgs.) Memória e ressentimento: indagações sobre uma questão sensível. Campinas: UNICAMP, 2001.
CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34 e EDUSP, 2000.
CASSIN, Bárbara, LORAUX, Nicole, e PESCHANSKI, Catherine. Gregos, bárbaros, estrangeiros: a cidade e seus outros. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. Petrópolis: Vozes, 1994.
ELIAS, Norbert e SCOTSON, John L. Os estabelecidos e os outsiders. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
GRIMSON, Alejandro. Fronteras, naciones e identidades (la periferia como centro). Buenos Aires: La Crujia, 2000.
HALL, Stuart. Da diáspora (identidade e mediações culturais). Belo Horizonte: UFMG, 2003.
JEUDY, Henri Pierre. Espelho das cidades. Rio de Janeiro: Casa da palavra, 2005.
LEPETIT, Bernard. Por uma nova historia urbana. São Paulo: EDUSP, 2002.
LEFEBVRE, HENRI. O direito a cidade. São Paulo: Centauro, 2001
MICHAELSEN, Scott e JOHNSON, David E. Teoria de la frontera (los limites de la política cultrual) . Barcelona: Gedisa, 2003.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. O imaginário da cidade. Porto Alegre: UFRGS, 1999.
SARLO, Beatriz. Tempo passado (cultura da memória e guinada subjetiva). São Paulo e Belo Horizonte: Companhia das Letras e UFMG, 2007.
SENNETT, Richard. Carne e pedra: o corpo e a cidade na civilização ocidental. Rio de Janeiro: Record, 2003.
SIMMEL, Georg. As grandes cidades e a vida do espírito, In: Mana, vol.11, no. 2, PPG em Antropologia Social - Museu Nacional da UFRJ, Outubro de 2005.

Justificativa:    

A proposta deste simpósio temático tem como ponto de partida os intercâmbios realizados por um conjunto de pesquisadores(as), de várias partes do país e de distintas instituições de ensino e/ou pesquisa, e com diferentes formações acadêmicas e inclinações teórico-metodológicas, que já há alguns anos, com base em reflexões historiográficas, tem procurado se articular para socializar experiências, compartilhar pesquisas e bibliografias e incentivar a difusão da produção acadêmica em torno da temática das cidades contemporâneas, com suas múltiplas implicações e significações, para o que, inclusive, vem apresentando regularmente iniciativas deste teor em eventos científicos como o Simpósio Nacional de História.
Agora, para este XXV Simpósio Nacional de História, foi decidido formular uma proposta que procurasse articular o debate acerca da história das cidades contemporâneas com os processos de migração populacional e de modernização urbana, situando-os num contexto temporal caracterizado, por um lado, por conferir às cidades um conjunto de referentes materiais e simbólicos que as torna muito semelhantes umas às outras (fluxos de veículos e de indivíduos, sinais de trânsito, cartazes de propaganda, lojas comerciais e shoppings), no âmbito do que tem sido chamado de um mercado global de cidades, e, por outro lado, pelo incentivo à designação (por parte de governantes, de entidades, de literatos) de particularidades definidoras de cada cidade e de cada grupo sociocultural que as habita. Assim, este simpósio temático possibilitaria partilhar reflexões sobre meios citadinos variados, mas que se articulam pelo interesse em focalizar o curso, e as conseqüências, de migrações e modernizações que têm transformado as cidades, interpretando as temporalidades que instituem e nas quais, simultaneamente, inscrevem, na medida em que favorecem novos modos de mobilidade e de sociabilidade no meio urbano, bem como novas formas de descrevê-los e de lembrá-los na contemporaneidade.

71. Relações de Gênero e Interculturalidade

Coordenadores:

Descrição:    

Os estudos de Gênero e os estudos culturais têm se revelado uma área de pesquisa profícua A interculturalidade pensada juntamente com a perspectiva relacional de gênero torna-se importante instrumento epistemológico, necessário para se analisar possíveis transformações nas identidades culturais. As análises de conceitos como raça, etnia, classe, geração, relações de poder, natureza X cultura atravessadas por relações de gênero nos permitem entender as sociedades contemporâneas naquilo que elas apresentam como processos e artefatos culturais e nas práticas de significação de um tempo que redefine fronteiras.

Bibliografia:    

BHABBA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: EDUFMG, 1999.
BOURDIEU, Pierre. Observações sobre a História das Mulheres. Lisboa: Dom Quixote, 1995.
BUTLER, Judith.Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
COLLING, Ana Maria. A construção histórica do masculino e do feminino. In: Gênero e Cultura. Questões Contemporâneas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.
_____. Discursos construindo os sexos na cultura. In: Abordagens Interculturais. Porto Alegre: Martins Livreiro-Editor, 2008.
FLEURI, Reinaldo M. Multiculturalismo e interculturalismo nos processos educacionais. In: Didática, currículos e saberes escolares. Rio de Janeiro: DP & A. 2000.
FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade. A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
HALL, Stuart. Da Diáspora: identidade e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003.
_____. A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções de nosso tempo. In: Educação e Realidade. Porto Alegre: UFRGS, 1997.
PERROT, Michelle. As mulheres e os silêncios da História. Bauru: EDUSC, 2005.
SILVA, Tomaz Tadeu (org.) Identidade e Diferença. A perspectiva dos estudos culturais. Vozes, 2007.
TEDESCHI, Losandro. Interculturalidade: a igualdade e a diferença em debate. In: Abordagens Interculturais. Porto Alegre: Martins Livreiro-Editor, 2008.
______. Interculturalidade e relações de gênero. In: Cadernos NAEI. Santo Ângelo: URI, 2007.

Justificativa:    

A interculturalidade orienta processos que têm por base o reconhecimento do direito à diversidade e à luta contra todas as formas de discriminação e desigualdade social e tentam promover relações dialógicas e igualitárias entre pessoas e grupos que pertencem a universos culturais diferentes. A interculturalidade pensada juntamente com a perspectiva relacional de gênero torna-se importante instrumentos epistemológico, necessário para se analisar possíveis transformações nas identidades culturais.
Os novos lugares e figuras de sujeitos que aí desabrocham são errantes, nômades e autocríticos. Desconfiam das identidades desde sempre dadas porque sabem que a história nada mais é que uma narrativa construída por relações de saber/poder que instituíram verdades.
Os estudos culturais e os estudos de gênero são análises que auxiliam a entender as sociedades contemporâneas naquilo que elas apresentam como processos e artefatos culturais e nas práticas de significação de um tempo que redefine fronteiras. A velha dicotomia entre global e local se dissolve, interpenetrando culturas e se modificando.
A proposta desde Simpósio Temático é reunir pesquisas e trabalhos que tematizem as relações de gênero, os estudos culturais e a interculturalidade. Questões de raça, de classe, de etnia, de geração que atravessam as relações de gênero são privilegiadas nesta proposta. O relativismo cultural e o gênero; as relações de poder que determinam os relatos históricos e o seu caráter de veracidade; a crítica aos dualismos hierarquizados; as tensões

72. Olhares Musicais: Outras Leituras e Experiências Musicais

Coordenadores:

Descrição:    

Na pesquisa acadêmica contemporânea a multidisciplinaridade torna-se fundamental na nova seara de possibilidades que se abre no campo historiográfico. Destarte, a música apresenta-se como enredo nesta composição realizada por antropólogos, lingüistas, filósofos, músicos e historiadores entre outros, na qual pretendemos contribuir com reflexões e debates realizados a partir das pesquisas feitas em torno desta temática.
O que argumentamos é que a música não se constitui apenas do arranjo combinado e significativo dos sons e silêncios, nem se restringe a si própria, mas que se instaura de forma mais ampla, dentro de universos sensíveis e referenciados no universo do humano e do experiencial, que absorve dos campos humanos sua “textura” e dentro deles re-elabora a própria experiência humana, tornando-a mais bela, e, assim, redimensiona a própria vida se constituindo ela própria em um vasto território de subjetividades e sentidos.
Desta forma, a experiência musical da qual falamos aqui, não é apenas aquilo que podemos sentir, e/ou neste caso, ouvir, e não é senão ela em si mesma, mas ela se fazendo em práticas de elaboração que possíveis em resposta às nossas aspirações, desejos, e, principalmente às nossas capacidades criativas, tanto no sentido de inventar os suportes materiais desta expressão, como no sentido de entendê-las em si.

Bibliografia:    

ATTALI, Jacques. Bruits. Essai sur l´économie politique de la musique. Paris: Presses Universitaires de France, 1977.
DAMASCENO, Francisco José Gomes.(Org.) Experiências Musicais. Fortaleza: EdUECE, 2008.
HANSLICK, Eduard. Do belo musical. SP: Ed. Da Unicamp, 1992.
HOBSBAWN, Erick. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
IKEDA, Alberto T. Música política: alguns casos latinosamericanos. Santiago: FONDART, 1999.
MARTINS, José de Souza. Música Sertaneja: dissimulação na linguagem dos humildes In.: Capitalismo e Tradicionalismo. SP: Pioneira, 1975.
MORAES, José Geraldo Vinci de. “Samba tem cadência. Digo a verdade. E até já chegou na universidade”. In.: DAMASCENO, Francisco José Gomes.(Org.) Experiências Musicais. Fortaleza: EdUECE, 2008. (prelo)
MORAES, J. Jota de. O que é música. SP: Brasiliense, 2001.
NASCIMENTO, Francisco Gerardo Cavalcante do. A Estética MangueBit: Uma Mutação na Indústria Cultural Brasileira da Década de 1990. in.: DAMASCENO, Francisco José Gomes.(Org.) Experiências Musicais. Fortaleza: EdUECE, 2008. (prelo)
NAPOLITANO, Marcos. Seguindo a canção: engajamento político e indústria cultural na MPB (1959-1969). SP: Anablume: Fapesp, 2001.
NAPOLITANTO, Marcos. Música & História - história cultural da música popular. Belo Horizonte, Autêntica, 2002.
PARANHOS, Adalberto. Novas bossas e velhos argumentos (tradição contemporaneidade na MPB). História e Perspectiva, Uberlândia, n. 3, p. 5-111, jul./dez. 1990.
PERRONE, Charles v. Letras e letras da música popular brasileira. Rio de Janeiro: Elo, 1988.
SANTAELLA, Lúcia. Et al. De sons e signos. Música, mídia e contemporaneidade. SP: EDUC, 1998.
SHUSTERMAN, Richard. Vivendo a Arte. O pensamento pragmatista e a estética popular. SP: Editora 34, 1998.
TATIT, Luís. A canção. SP: Atual, 1987.
TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. SP: Editora 34, 1998.
VAZ, Gil Nuno. História da música independente. SP: Brasiliense, 1988.

Justificativa:    

A produção historiográfica, de forma mais específica e das ciências sociais e humanas de modo mais geral, sobre música tem aumentado consideravelmente, como apontam leituras mais recentes, o que revela o interesse nesta área particular e sua importância. (Moraes apud Damasceno, 2008)
Vivências sonoras nas sociedades atuais apontam aos estudiosos, questionamentos acerca da importância desta temática nos estudos científicos mais recentes, sobretudo com relação a sua criação, produção, divulgação e recepção. (Cavalcante apud Damasceno, 2008)
A vasta bibliografia revela e justifica a importância do tema que tem sido tratado das mais diversas formas, inclusive sobre a própria noção de “experiência musical” que recentemente foi objeto de ST em Simpósio Nacional de História Cultural, com relativo sucesso, embora aqui o que se deseje seja delinear a noção em outra perspectiva.
Em nossa visão, a noção de música se amplia, e tem-se uma outra, a de experiência musical, que se entende dentro desse complexo quadro de fusão entre experiências de vida, eletividades afetivas, estéticas e práticas sócio-musicais. E também a dimensão de uma arte enquanto prática, saber-fazer específico, e como tal com uma categoria de agentes ou sujeitos que detém esse conhecimento. (Shustermann, 1998)
Esta arte transformada em experiência musical passa a ser construída de forma social por seus sujeitos, que atribuem significados a ela, extrapolando o campo de uma arte fechada em si mesma e se tornando o ponto de articulação entre suas concepções de mundo e suas experiências de vida, dadas no universo do sensível, e o mundo que os cercam.
Esta é a reflexão proposta, alvo da mira de cientistas sociais, em particular de nós historiadores.

73. Práticas de Memória e aprendizagens da história

Coordenadores:

Descrição:    

Este Simpósio propõe-se à reflexão sobre as práticas de memória e aprendizagens da história. Reúne trabalhos voltados à compreensão das potencialidades de aprendizagens da história no trabalho com fios de memória tecidos por disputas simbólicas, em que estão presentes gestos de esquecimento, exercícios de rememoração e intencionalidades educativas. Vincula-se aos estudos que configuram os diferentes espaços sociais como ambientes de memória e aprendizagem, encenando objetos culturais, práticas sociais e idéias sobre a história e a memória. Volta-se à compreensão das aprendizagens nos cenários sociais de memória, incluindo-se a escola, o museu e os centros de memória, – em sua dispersão e pluralidade. Pretende-se que os trabalhos inscritos ensejem discussões de caráter teórico e metodológico vinculadas a pesquisas em ambientes escolares e não escolares, com temáticas e objetos de investigação que se dedicam à compreensão dos mecanismos da rememoração, da compreensão do papel das sociabilidades na aprendizagem histórica e de valorização dos registros/artefatos culturais no trabalho com a memória. Considera-se pertinente a problematização sobre os múltiplos significados da memória – os significados sociais da memória, os paradoxos envolvidos nos atos de lembrança, a sua paradoxal relação com a história – privilegiando-se a relação e relevância destes significados para análise das aprendizagens da história na cultura escolar. Estarão reunidos neste simpósio trabalhos relativos à temática proposta, tanto sob a forma Projetos de Investigação como na forma de relatórios analíticos de pesquisas, relatos reflexivos de experiência, dissertações ou teses - em andamento ou concluídas

Bibliografia:    

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. Walter Benjamin, Obras escolhidas, Vol1: Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1993.
HUYSSEN, Andréas. Seduzidos pela Memória. Rio de Janeiro, Aeroplano.
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de . Para que serve um museu (entrevista). Revista de História (Rio de Janeiro), v. 2 n 19, p. 46-51, 2007.
RICOUER, Paul. A memória, a história e o esquecimento. Campinas: Unicamp, 2008.
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de . Do teatro da memória ao laboratório da história: a exposição museológica e o conhecimento histórico. Anais do Museu Paulista História e Cultura Material, São Paulo, n. 2, p. 9-42-75-84, 1994.
MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
______. O visível e o invisível. São Paulo: Perspectiva, 2005.
RAMOS, F.R. A danação do objeto; o museu no ensino de história. Argos, Chapecó, 2004.
MIRANDA, Sõnia Regina. So o signo da memória; cultura escolar, saberes docentes e história ensinada. São PauloEditora Unesp; Juiz de Fora: Editora UFJF, 2007.
Periódicos
Anais do Museu Paulista. ANAIS DO MUSEU PAULISTA: história e cultura material, São Paulo, ISSN 0101-4714.
Educação em revista. Dossiê Práticas de Memória e ensino de história. Belo Horizonte, n. 47, 2008.
Museus. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Museu: antropofagia da memória e do patrimônio, n.31, 2005. Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Departamento de Museus e Centros Culturais. 314p. v.:il
Musas, Revista Brasileira de Museologia. Iphan

Justificativa:    

Durante muito tempo, as reflexões relativas às práticas de memória estiveram apartadas do ensino e das aprendizagens da história. Neste Simpósio reúnem-se pesquisadores e professores que se dedicam à investigação dos gestos de memória nas aprendizagemns históricas, reencenando as contribuições das reflexões sobre as práticas de memória no trabalho docente e no cultivo de sensibilidades em que estão presentes os tempos e espaços de memória.

74. Instituições Políticas, Cultura Jurídica e Cultura Religiosa: História e Ética

Coordenadores:

Descrição:    

O simpósio temático enfocará estudos sobre cultura jurídica e cultura religiosa, e sobre suas relações com a história das idéias e das instituições políticas, numa perspectiva multidisciplinar. Esta tematização será discutida, tendo em vista o tema geral do XXV Simpósio Nacional de História e privilegiará as implicações entre ética, história e direito.
O objetivo geral deste simpósio temático é reunir condições para a consolidação de uma linha de trabalho multidisciplinar, e tem, como objetivos específicos:
1. discussão metodológica no campo das ciências sociais sobre as relações entre história, justiça, direito; cultura jurídica, cultura religiosa e as relações de força (política), inscritas no eixo temático da história das instituições e história do campo intelectual;
2. implementação de um canal de discussão sobre as instituições políticas, com especial destaque para o campo jurídico e o campo religioso.

Bibliografia:    

Antonio Manuel Hespanha. Poder e Instituições na Europa do Antigo Regime , Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1984.
Arno Wehling e Maria José Wehling. O Tribunal da Relação do Rio de Janeiro (1751-1808, Rio de Janeiro: RENOVAr, 2004.
Arno Wehling e Maria José Wehling. “A questão do direito no Brasil colonial (a dinâmica do direito colonial e o exercício das funções judiciais)”, In Gizlene Neder (org.). História & Direito: Jogos de Encontros e Transdisciplinaridade, Rio de Janeiro: REVAN, 2007.
Gizlene Neder e Gisálio Cequeira Filho. Idéias Jurídicas e Autoridade na Família, Rio de Janeiro: REVAN, 2007.
Gizlene Neder e Gisálio Cerqueira Filho. Criminologia e Poder Político: sobre Direitos, História e Ideologia, Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2006.
Loïc Wacquant. Punir os Pobres. A nova gestão da miséria nos Estados Unidos, 3ª. Edição, Coleção Pensamento Criminológico, Rio de Janeiro: REVAN/Instituto Carioca de Criminologia, 2007.
Michel Foucault. Vigiar e Punir, Petrópolis: Vozes, 1979.

Justificativa:    

A problemática que estamos levantando para discussão neste Simpósio Temático insere-se num quadro de indagações sobre a sociedade brasileira quanto às suas formas de produção de normas de (i)legalidade, atribuição de direitos, e todo um conjunto de práticas sociais, políticas e ideológicas inscritas no campo jurídico e no campo religioso, e seus efeitos na cultura política e nas práticas presentes nas instituições políticas. Compreende um leque abrangente e variegado de temas, abordagens e métodos da pesquisa histórica. O Simpósio Temático vincula-se ao Núcleo de Pesquisa sobre História do Direito e das Instituições (do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UNIRIO – e á UGF, coordenado por Arno Wehling) e ao Laboratório Cidade e Poder –LCP - (do PPGH em História Social da UFF, que tem focado suas atividades em estudos sobre controle social, direitos e cidadania, coordenado por Gizlene Neder).

75. História e Cultura da África e Afro-Brasileira

Coordenadores:

Descrição:    

A proposta de Simpósio Temático tem como objetivo congregar trabalhos de pesquisas e resultados de projetos acadêmicos voltados ao estudo de temáticas sobre a Historia e Cultura dos povos africanos, e a contribuição histórico-cultural destes povos para a formação da identidade nacional.

Bibliografia:    

BRAUDEL, Fernand. Civilização Material, Economia e Capitalismo - Século XV ao XVIII: o tempo do mundo. São Paulo: Martins Fontes, 1996 (3 volume).
FERNANDES, Florestan. A Integração do Negro na Sociedade de Classes. 3ª Edição. São Paulo: Ática, 1978, 814p (2 volumes).
FREYRE, Gilberto. Casa Grande e Senzala - Edição Comemorativa. 50ª edição. Rio de Janeiro: Global. 2005. 720p.
KI-ZERBO. História da África Negra. Volume I e II. 3ª Edição. Portugal: Publicações Europa-América, 2002. (Coleção Biblioteca Universitária).
MEILLASSOUX, Claude. Antropologia da Escravidão: o ventre de ferro e o dinheiro. Tradução, Lucy Magalhães; revisão técnica, Luiz Felipe de Alencastro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1995.
PAULA, Benjamin Xavier de; Perón, Cristina Mary Ribeiro (org). Educação, História e Cultura da África e Afro-brasileira. Uberlândia: PROEX/UFU; Franca/SP: Ribeirão Gráfica e Editora, 2008.
SOUZA, Neuza Santos. Tornar-se Negro: ou as vicissitudes da Identidade do Negro. São Paulo: Graal, 1983. 88p (Tendências, 4)

Justificativa:    

Nos países e populações de matrizes africanas (na África e na América), desde o processo de colonização até os nossos dias, várias foram às teorias e práticas sociais disseminadas no interior dessas sociedades a partir de uma referência branca/eurocentrista que buscava, e ainda busca, a negação do negro enquanto sujeito capaz de construir uma identidade própria. Assim, a sua identidade e alteridade vêm sendo constantemente negadas, e, em substituição, criados os mitos sobre essas populações, visando substituir a identidade pelo mito, a alteridade pela anexação subalterna, criando-se mecanismos ideológicos fundadores de fetiches de inúmeras naturezas.
Num primeiro momento, o processo de escravização dos negros africanos se deu em meio ao desenvolvimento do mercantilismo enquanto regime econômico e social que dinamizou as relações entre as potencias européias tendo em vista a superação da crise vivida na transição do antigo regime feudal para uma nova ordem capitalista.
No Brasil, a abolição da escravidão não significou um reconhecimento da contribuição cultural, social e histórico das populações de origem africana, mas sim, a perpetuação de um sistema de segregação racial que sustentado na pratica da imigração européia e no campo teórico nas teorias eugênicas de Silvio Romero (1937) e Nina Rodrigues (1905) não permitiram ao negro a integração do negro a sociedade brasileira e o reconhecimento da sua contribuição histórico-cultural para a formação do nosso pais.

76. História no Cinema/ História do Cinema

Coordenadores:

Descrição:    

Esse Simpósio procura dar prosseguimento ao trabalho iniciado e publicado em 2005, http://mnemocine.com.br/cinema/histindex.htm. A proposta é discutir as diversas abordagens sobre a relação entre a História e o Cinema, com os pesquisadores que têm se ocupado da atividade cinematográfica, a partir da análise de suas práticas – dentro e fora da tela.
Entre as várias aproximações possíveis em torno dessa relação, destacamos primeiramente as pesquisas sobre a História do Cinema, no Brasil e no mundo. A pesquisa historiográfica sobre cinema tem ido além de historiar formas e técnicas, ou a trajetória de artistas, temáticas ou gêneros. Tem compreendido os vários níveis da produção, circulação e fruição das imagens.
Pensamos ainda a relação Cinema e História pelos cenários sociais e culturais gerados a partir de uma ampla circulação de imagens nas cidades desde início do século XX. O que significa considerar o cinema como prática social, como história cultural ou como evento cultural. Nesse sentido, incluímos os estudos de cinema que o vêem como uma experiência estética da modernidade, uma nova cultura visual, e uma determinada visão a respeito da técnica, do entretenimento, da educação, entre outras questões. Concebendo o cinema como parte de um complexo cultural a reflexão sobre sua produção e recepção nos remete a pensar as convergências com a mídia impressa, com o rádio, com a televisão e mais recentemente com a Internet.
Pensamos também nos estudos sobre as múltiplas encenações da História realizadas pelo Cinema. Trata-se de refletir como, num dado contexto histórico, o cinema reconstrói uma realidade. Tanto pela ficção, como pelo documentário, a realidade persistentemente foi representada pelo cinema. Esse fato nos coloca diante de uma série de questões para reflexão relacionadas ao conceito de representação, a relação sujeito/objeto, convenção/invenção, ficção/realidade.

Bibliografia:    

BERNARDET, Jean-Claude. Historiografia clássica do cinema brasileiro; metodologia e pedagogia. São Paulo, Annablume, 1995.
BORDWELL, David. On the history of film style. Harvard: University Press, 1999.
CAPELATO, Maria Helena; MORETTIN, Eduardo; SALIBA, Elias (orgs) História e Cinema - Dimensões Históricas do Audiovisual. São Paulo: Alameda, 2007
CATELLI, Rosana E. Dos “Naturais” ao documentário: cinema educativo e a educação do cinema, entre os an0os de 1920-1930. São Paulo: tese de doutorado, UNICAMP, 2007.
CHARNEY, Leo e SCHWARTZ, Vanessa R. O cinema e a invenção da vida moderna. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
COSTA, Flávia Cesarino. O primeiro cinema: espetáculo, narração, domesticação. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2005
FERRO, Marc – Cinema et Histoire, (nova edição aumentada) Gallimard, Paris, 1997
GAUDREAULT, André - Au Seuil De L'histoire Du Cinema : La Cine. Paris : CNRS, 2008
GOMERY, Douglas e ALLEN, Robert – Film and History: theory and practice, Boston, Mc Graw-Hill, 1993
GUNNING, Tom. The world as object lesson: cinema audiences, visual culture and St. Louis world’s fair, 1904. Great Britain: Film History, v.6, 1994.
LAGNY, Michele – De L´Histoire Du Cinema - Methode Historique et Histoire du Cinema. Paris : Armand Colin, 1997
NINEY, François. Lépreuve du réel à lécran: essai sur lê príncipe de réalité documentaire. Bruxelles: De Boeck & Lacier, 2004.
RAMOS, Fernão. História do cinema brasileiro. São Paulo: Art. Ed, 1990.
SHOHAT, Ella e STAM, Robert. Crítica da imagem eurocêntrica. São Paulo: Cosac Naify, 2006.
SCHVARZMAN, Sheila. Ir ao cinema em São Paulo nos anos 20. Revista Brasileira de História, vol.25, n.49, São Paulo, jan/jun, 2005.
SCHVARZMAN, Sheila. Humberto Mauro e as imagens do Brasil. São Paulo: Editora da UNESP, 2004.
SEVCENKO, Nicolau (org.). História da Vida Privada no Brasil. República: da Belle Époque à era do rádio. v.3. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

Justificativa:    

O Simpósio História do Cinema/ História no Cinema propõe a reflexão sobre a relação entre História e Cinema, buscando compreender a inserção social e os significados históricos das práticas cinematográficas. Tal tema pode ser analisado por diferentes perspectivas, que ao serem expostas nesse simpósio contribuirão para um amplo debate.
O cinema, desde o seu início, despertou a curiosidade e o interesse de diversos setores da sociedade. Médicos, cientistas, educadores, políticos, artistas, entre outros, refletiram e inventaram técnicas e usos para as imagens cinematográficas. Nesse sentido, a reflexão sobre o cinema alinha-se a uma História Cultural que o integra a um sistema cultural, composto pelas diversas mídias, tecnologias da comunicação e indústrias culturais.
A partir do cinema problematizam-se questões presentes na sociedade contemporânea, como aquelas vinculadas à sociedade do entretenimento, às novas tecnologias, às políticas culturais e ao mercado. Pelas imagens em movimento podemos também pensar os desdobramentos históricos da criação artística e seus vínculos com as demandas políticas, sociais e econômicas.
Sendo assim, convidamos os professores e pesquisadores a participarem do evento e trazerem sua contribuição ao debate.

77. Igreja, Sociedade e Relações de Poder na Idade Média

Coordenadores:

Descrição:    

Nossa proposta de ST visa aprofundar a discussão sobre as relações entre a Igreja e a sociedade na Idade Média, com ênfase nos discursos de poder, tanto em nível micro quanto macro. Desejamos refletir acerca de como a Igreja se estruturou no medievo, em suas múltiplas dimensões; como se relacionou com as instâncias de poder urbano, senhorial, real, imperial; como influenciou e normatizou a sociedade; como caracterizou e dialogou com os “outros” – excluídos e marginalizados-; como interferiu na construção de discursos de gênero; como contribuiu, ou interditou, a criação artística; como dialogou com a justiça, dentre outras questões. A metodologia adotada pelo ST será a apresentação das comunicações, agrupadas pelas coordenadoras pela proximidade temática, seguida de discussões.

Bibliografia:    

AIGRAIN, R. L'Hagiographie: Ses sources, ses methodes, son histoire. Paris: s/ ed, 1953.
ASHTON, G. The Generation of Identity in Late Medieval Hagiography. Speaking the Saint. London and New York: Routledge, 2000.
BARBERO DE AGUILERA, A. La Sociedad Visigoda y su Entorno Histórico. Madrid: Siglo XXI, 1992.
BROWN, Peter. Corpo e Sociedade. O homem, a mulher e a renúncia sexual no início do Cristianismo. Rio de Janeiro: Zahar, 1990.
BURNS, J.H (Ed.). Medieval Political Thought. Cambridge: Cambridge University Press, 1988.
FOINTAINE, Jacques. Génesis y originalidad de la cultura hispánica en tiempos de los visigodos. Madrid: Encuentro, 2002.
GARCIA VILLOSLADA, Ricardo. (Dir.) Historia de la Iglesia en España. Madrid: BAC, 1979; 1982. T. 1 e 2.
GAUCHER, E., DOUFOURNET, J. (Eds.) L’Hagiographie. Revue des Sciences Humaines, n. 251, v. 3, jul./ set de 1998.
GONZÁLEZ ROLÁN, T.; SAQUERO, P.; LÓPEZ FONSECA, A. La tradición clásica en España (siglos XIII-XV): bases conceptuales y bibliográficas. Madrid: Clásicas, 2002.
PÉREZ MARTÍN, Antonio. La respublica christiana medieval: pontificado, imperio, reinos. In: El Estado español y su dimensión histórica. Barcelona, 1984. p. 59-128.
PÉREZ-EMBID WAMBA, J. Hagiología y sociedad en la España Medieval: Castilla y León (Siglos XI-XIII). Huelva: Universidad de Huelva, 2002.
PRODI, Paolo. Uma História da Justiça. Do pluralismo dos tribunais ao moderno dualismo entre a consciência e o direito. Lisboa: Estampa, 2002.
SANTIAGO CASTELLANOS. La hagiografia visigoda. Domínio social y proyección cultural. Logroño: Fundación San Millán de la Cogolla, 2004.
TIERNEY, Brian. Religion and the growth of constitutional thought (1150-1650). Cambridge: Cambridge University Press, 1982.
VAUCHEZ, André. La espiritualidad del Occidente medieval (siglos VIII-XII). Madrid: Catedra, 1985.
WAGNER, Anne. Les saints et l’histoire. Sources hagiographiques du haut moyen Âge. Paris: Bréal, 2004.

Justificativa:    

Ao propormos o ST Igreja, Sociedade e Poder na Idade Média, objetivamos dar prosseguimento ao trabalho iniciado XII Encontro Regional, 2006, ocasião em que dirigimos o ST Hagiografia e poder na Idade Média. As atividades ali desenvolvidas foram intensificadas e ampliadas no último Encontro Nacional, 2007, e no XIII Regional, 2008, nos STs relacionados à Igreja e às relações de poder na Idade Média. Nas três oportunidades pelo menos uma das duas coordenadoras do Programa de Estudos Medievais (PEM-UFRJ) - Leila Rodrigues da Silva e Andréia Cristina Lopes Frazão da Silva - esteve à frente da coordenação em parceira com algum colega de outra instituição, conforme indicação da organização da associação.
Visando não repetirmos as conclusões tradicionais e meramente descritivas, buscamos a ampliação de espaços que motivem o aprofundamento do debate historiográfico; o enfoque de novos objetos e fontes inéditas, e a incorporação de abordagens originais no tocante à teoria e à metodologia.
Nossa proposta de ST pretende aprofundar a discussão sobre as relações entre a Igreja e a sociedade na Idade Média, com ênfase nos discursos de poder. Desejamos refletir acerca de como a Igreja se estruturou no medievo, em suas múltiplas dimensões; como se relacionou com as instâncias de poder urbano, senhorial, real, imperial; como influenciou e normatizou a sociedade; como caracterizou e dialogou com os “outros” – excluídos e marginalizados-; como interferiu na construção de discursos de gênero; como contribuiu, ou interditou, a criação artística; como dialogou com a justiça, dentre outras questões. A metodologia adotada pelo ST será a apresentação das comunicações, agrupadas pelas coordenadoras pela proximidade temática, seguida de discussões. A proposição deste ST insere-se no conjunto de atividades do PEM-UFRJ (www.pem.ifcs.ufrj.br), ao qual as duas proponentes, professoras Leila Rodrigues da Silva (UFRJ) e Maria Filomena Da Costa Coelho (Unb) se vinculam.

78. A Educação e a Formação da Sociedade Brasileira

Coordenadores:

Descrição:    

As investigações sobre História da Educação multiplicaram-se a partir da década de 1990, em virtude principalmente da ação de grupos de pesquisa que se formaram nos programas de pós-graduação em História e em Educação e pelo apoio sistemático de agências de pesquisa. Na área de História as pesquisas têm buscado, por exemplo, a compreensão de políticas públicas, disciplinamento social, formação de representações, relação trabalho e educação, etc. No campo da educação as investigações envolvem a formação de sistemas de ensino, instituições escolares, cultura escolar, responsabilidade social da educação, formação e organização de professores, etc. Complementarmente, destacam-se, na História e Historiografia da Educação, dois fenômenos interessantes: a inserção crescente de historiadores de formação nessa área, bem como a produção do conhecimento nesse campo respaldada em diferentes linhas historiográficas, notadamente de cunho cultural. Essas constatações, entre outras, explicitam a crescente integração dessas duas áreas do conhecimento – História da Educação e História, stricto sensu. Destaque-se ainda que os novos estudos promoveram um mapeamento das fontes de interesse para a História da Educação, as quais vêm se tornando matrizes para dissertações e teses, ao lado da publicação de livros, artigos, apresentação de trabalhos em congressos, etc. Uma das conseqüências tem sido o sensível aumento do conhecimento sobre a trajetória e o papel da educação na sociedade brasileira, em especial nos séculos XIX e XX. Outra, a multiplicação de estudos regionais e locais, permitindo uma compreensão mais abrangente e diversificada do espaço histórico-educacional brasileiro. Ao mesmo tempo, estes trabalhos têm desencadeado um diálogo com outras áreas do conhecimento histórico, na medida em que identificam e discutem a imbricação entre o “mundo” da educação e os “mundos” do trabalho, da cultura, da ética, das relações de poder, das representações, na sociedade burguesa ocidental.

Bibliografia:    

GERMANO, José W. Estado Militar e Educação no Brasil (1964-1985). São Paulo: Cortez, 2007.
LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes & VEIGA, Cynthia Greive (org.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
NAGLE, Jorge. Educação e Sociedade na Primeira República. Rio de Janeiro: DP&A editora, 2003.
PAIVA, Vanilda. História da educação popular no Brasil. São Paulo: Loyola, 2003.
SAVIANI, Dermeval. História das idéias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2007.
SAVIANI, Dermeval e outros (org.). História e História da Educação: o debate teórico metodológico atual. Campinas/SP. Autores Associados/HISTEDBR. 1998.
VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática, 2007.

Justificativa:    

Este simpósio apresenta-se como um facilitador do intercâmbio do conhecimento produzido pela comunidade científica que se debruça sobre temáticas histórico-educacionais. Busca, também, aproximar e articular a continuidade dos estudos na área de História da Educação, possibilitando, inclusive, pelo debate, a formação de grupos interinstitucionais de pesquisa. Neste sentido, consideramos importante a abertura de espaço para a discussão, no interior do Simpósio da ANPUH, da produção que envolve as relações entre educação e formação da sociedade, notadamente brasileira.

79. Memória, Narrativas (Auto)Biográficas e Literatura de Testemunho no Cone Sul da América

Coordenadores:

Descrição:    

O estudo da história política da América Latina das quatro últimas décadas permite perceber a realização de um processo comum, o qual está marcado por uma série de rupturas institucionais em diferentes países do Continente em um curto espaço de tempo. Especialmente ao longo da primeira metade dos anos 1960 e na primeira metade da década de 70, vários foram os golpes de Estado perpetrados, pelos quais foram derrotados majoritariamente regimes democráticos cujo modo de acesso ao poder haviam sido as eleições. Se no Brasil, a ruptura política foi menos traumática nos primeiros anos do novo regime (1964-1968), no Chile e na Argentina – apenas para citar dois casos representativos -, não obstante a mais curta duração das ditaduras (17 e 7 anos respectivamente) relativamente à experiência brasileira (de 20 anos), é possível designar àqueles países a consumação imediata de Estados terroristas.
A proposta de Simpósio Temático que ora submetemos à avaliação da Comissão Organizadora do XXV Simpósio Nacional de História da ANPUH tem em vista o acolhimento de comunicações de pesquisa que trabalhem centralmente com as narrativas relacionadas ao período histórico das ditaduras civil-militares pelas quais passou o cone sul da América. Neste sentido, estamos considerando tanto as investigações que se realizam no campo disciplinar da História, quanto pesquisas que envolvam outras áreas de conhecimento que estabeleçam diálogo com o conhecimento histórico (comunicação, letras, artes, filosofia, ciências sociais, psicologia). A questão central que orienta o Simpósio circunscreve-se à memória produzida sobre aquelas circunstâncias, tenham sido elas contemporâneas aos acontecimentos – notadamente as décadas de 60, 70 e 80 -, ou engendradas entre a crise daqueles regimes políticos e os dias atuais. Narrativas historiográficas, jornalísticas, literárias, artísticas, são alguns dos lugares privilegiados de construção da memória que estamos vislumbrando.

Bibliografia:    

AVELAR, Idelber. Alegorias da derrota. A ficção pós-ditatorial e o trabalho do luto na América Latina. Belo Horizonte: UFMG, 2003.
ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
GEERTZ, Clifford. Obras e vidas. O antropólogo como autor. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2005.
GOMES, Ângela de Castro (org). Escrita de si, escrita da história. Rio de Janeiro: FGV, 2004.
HUYSSEN, Andréas. Seduzidos pela memória: arquitetura, monumentos, mídia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2000.
LIMA, Luiz Costa. História. Ficção. Literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
MALARD, Letícia. Literatura e dissidência política. Belo Horizonte: UFMG, 2006.
MARISTANY, José Javier. Narraciones Peligrosas. Resistencia y adhesión en las novelas del Proceso. Buenos Aires: Editorial Biblos, 1999.
MATE, Reyes. Memórias de Auschwitz. Aualidade e política. São Leopoldo: Nova Harmonia, 2005.
RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Ed. Da UNICAMP, 2007.
RODEGHERO, Carla S. Capítulos da Guerra Fria. O anticomunismo brasileiro sob o olhar norte-americano (1945-1964). Porto Alegre: Ed. Da UFRGS, 2007.
SAID, Edward. Reflexões sobre o exílio e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
SARLO, Beatriz. Tempo passado. Cultura da memória e guinada subjetiva. São Paulo/Belo Horizonte: Companhia das Letras/Ed.UFMG, 2007.
SELIGMANN-SILVA, Márcio (org). História, memória, literatura. O testemunho na era das catástrofes. Campinas: ed. Da UNICAMP, 2003.
SELIGMANN-SILVA, Márcio (org). Palavra e imagem: memória e escritura. Chapecó: Argos, 2006.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. O local da diferença. Ensaios sobre memória, arte, literatura e tradução. São Paulo: Ed. 34, 2005.
SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
TODOROV, Tzvetan. Em face do extremo. Campinas: Papirus, 1995.
WHITE, Hayden. El contenido de la forma. Narrativa, discurso y representación histórica. Barcelona: Paidós, 19

Justificativa:    

Desde o ocaso dos regimes ditatoriais na América Latina – e havendo iniciado antes dele -, tem crescido enormemente a produção memorialística sobre os denominados “anos de chumbo”. No Brasil, a anistia política - ocorrida cerca de cinco anos antes do fim do regime militar – contribuiu para a deflagração de uma série de publicações que começam a refletir sobre a experiência do exílio e da militância. Políticos, jornalistas, professores, clérigos escrevem tanto sobre o período que antecedeu o golpe, quanto sobre as circunstâncias do desterro e do retorno, no caso dos exilados políticos. Esta situação, guardadas as especificidades próprias de cada país, assumiu feições similares em alguns países da América do Sul, especialmente na Argentina, no Chile e no Uruguai. A publicação em 2005 de Tiempo Pasado – Cultura de la memoria y giro subjetivo -, de Beatriz Sarlo, representa, em nosso ponto de vista, um momento significativo da reflexão intelectual sobre as práticas de memória, seus usos e abusos, em uma perspectiva crítica. As discussões políticas que estão envolvendo, nos últimos meses, alguns dos mais destacados representantes dos poderes executivo e judiciário, no Brasil – para ficar no exemplo mais próximo – acerca da abrangência da “Lei da Anistia”, não são completamente estranhas àquilo que para alguns pode ser denominado de “excesso de memória”. Para além das questões jurídicas que tocam a este debate, para o historiador também se faz imprescindível refletir criticamente sobre o seu fazer, tanto no que concerne às abordagens possíveis deste fenômeno, do ponto de vista epistemológico, quanto a respeito das implicações éticas de seu empenho profissional nesta polêmica seara. Neste sentido, fazer a crítica historiográfica das maneiras pelas quais tem se realizado a produção dos historiadores acerca desta temática – das relações entre as ditaduras e a memória – significa inserir-se positivamente em um debate político candente do qual não podemos ficar à parte.

80. História Política: Idéias, Práticas e Instituições

Coordenadores:

Descrição:    

Quais as conexões entre práticas e representações políticas? Como as investigações históricas sobre idéias, instituições e práticas políticas podem convergir para uma compreensão "totalizante" da política? Tomando a política como um fenômeno que se expressa em várias dimensões, a proposta deste Simpósio Temático é congregar pesquisadores interessados em investigar o passado para fins de interpretação e compreensão de idéias, práticas e instituições políticas. Esta proposta deve explorar um diálogo que tem se mostrado frutífero entre teóricos da política e historiadores, numa perspectiva que prima pela complementaridade de estudos realizados nos âmbitos disciplinares da teoria política e da história do pensamento e dos eventos políticos. Esta orientação histórica da reflexão sobre a política conduz o pesquisador a problemas típicos do trato com o passado, indicando a necessidade de um diálogo sistemático entre a produção historiográfica no campo da política, especialmente no âmbito da história do pensamento político, e a teoria política contemporânea. Assim, investigar a política lidando com suas múltiplas configurações, dispersas temporalmente e geograficamente, contextualizando e interpretando seus significados transforma-se em um empreendimento que se encontra além de estritas amarras disciplinares. Assim, este Simpósio Temático objetiva criar um espaço multidisciplinar para exposição e discussão de pesquisas substantivas e metodológicas que confluam para uma interpretação de cunho histórico do processo de elaboração e circulação de idéias, práticas e instituições políticas.

Bibliografia:    

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LCT, 1989.
GEERTZ, C. Nova Luz sobre a Antropologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
KOSELLECK, R. Futuro Passado. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006.
PETTIT, P. Republicanism: A Theory of Freedom and Government. Oxford: Oxford University Press. 1997.
ROSANVALLON, P.Por uma história conceitual do político (nota de trabalho). Revista Brasileira de História, vol. 15, n. 30, 1995.
SILVA, R. “Convenções, intenções e ação lingüística na história da teoria política: Quentin Skinner e o debate metodológico contemporâneo.” Trabalho apresentado no V Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política. Belo Horizonte: FAFICH-UFMG, 2006. Disponível em: http://starline.dnsalias.com/abcp/cadastro/atividade/arquivos/21_7_2006_16_34_52.pdf
SKINNER, Q. As fundações do pensamento político moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
TUCK, R. História do pensamento político. in: BURKE, P. (org.). A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1992.

Justificativa:    

A história é um recurso para a compreensão da política, seja investigando as idéias políticas do passado ou ocupando-se das ocorrências ambientadas e relacionadas a idéias do passado. Trata-se de reivindicar a historicidade da política, manifesta inclusive na teoria política que, como lembra Geertz (2001:191) citando Quentin Skinner e John Pocock, é "um guia para perplexidades particulares, prementes, locais e ao alcance da mão." Aqui, sugerem-se duas linhas de investigação. Uma que procure tematizar as idéias políticas; e outra que esteja preocupada com acontecimentos práticos e institucionais da política.
Apropriando-nos do raciocínio proposto por Geertz (1989:14), trata-se de compreender a ocorrência do passado através da análise do seu contexto, que estabelece o significado da ocorrência. A história política resulta das narrativas que estabelecem os nexos entre contextos históricos particulares, configurados pela dialética entre idéias, práticas e instituições políticas.
De acordo com Wittgenstein, inspirador de toda uma variedade de formulações teóricas que procuram recuperar a centralidade da noção de significado para o estudo da dinâmica sociopolítica, a linguagem é parte constitutiva de uma forma de vida, não meramente uma expressão. A tarefa do historiador das idéias seria indicar de forma adequada o que os autores estavam fazendo quando escreveram seus textos (Skinner, 1996:13). Estas preocupações podem ser identificadas num debate protagonizado por influentes historiadores do pensamento político cujas idéias contribuíram para a recuperação do interesse na dimensão histórica e interpretativa da teoria política nas décadas recentes (Tuck, 1992 e Silva, 2006). Deve-se também atentar para a retomada recente, entre teóricos da política, de uma tradição intelectual do republicanismo, obnubilada desde o começo do século XIX em função da supremacia do pensamento liberal (Pettit, 1997).

81. Relações Internacionais dos Estados Americanos: História e Historiografia Contemporâneas

Coordenadores:

Descrição:    

O Simpósio tem como objetivo agregar os estudos acerca das relações internacionais dos Estados Americanos no mundo contemporâneo (séculos XX e XXI) na esfera das consonâncias e dissonâncias políticas e econômicas, nas interfaces da cultura, da ideologia e das variadas manifestações da identidade frente aos tempos de globalização, analisadas no âmbito da história e da historiografia respectiva.

Bibliografia:    

BUENO, Clodoaldo; CERVO, Amado Luiz. História da Política Exterior do Brasil. São Paulo: Ática, 1992.
CERVO, Amado Luiz. Relações Internacionais da América Latina. Velhos e Novos Paradigmas. Brasília: IBRI, 2001.
LEMOS,Maria Teresa Toríbio;BAHIA, Luis Henrique Nunes;BARROS,José Flávio Pessoa de. Relações Internacionais .Brasil: cinco séculos de memória e história.Rio de Janeiro: Uer,Intercon,Nuseg, 1999.
MERLE, Marcel. Sopciologia de las relaciones internacionales. Alianza Editorial: Madrid, 1991.
RODRIGUES, José Honório;SEITENFUS, Ricardo. Uma história diplomática do Brasil ( 1531-1945).Rio de Janeiro: Civilização Brasileira: 1995.
SARAIVA, José Flávio Sombra (org) Relações Internacionais. Dois séculos de história. Brasília: IBRI, 2001, v. I e II.
WENDZEL, Robert L. Relações Internacionais. Brasília:Editora Universidade de Brasília, 1985.

Justificativa:    

O Simpósio “Relações Internacionais dos Estados Americanos: história e historiografia contemporâneas”  se apresenta como um espaço de discussão acerca das pesquisas na área História das Relações Internacionais, considerando o enfoque interdisciplinar como vetor de agregação dos trabalhos.O tema pretende ser o fio condutor de reflexões históricas e historiográficas sobre o papel dos Estados e demais grupos que constituem o cenário das Relações Internacionais no panorama do século XX e XXI. Os conflitos, as propostas de integração, a formação dos blocos regionais e sub-regionais, a atuação das elites não-estatais, a posição dos governos, o viés econômico, político, militar, cultural e ideológico do relacionamento dos Estados Americanos, no âmbito continental e intercontinental pretendem ser sugeridos como tópicos de abordagem deste Simpósio. Da mesma forma, as discussões contemplam a apresentação das diferentes concepções teóricas e metodológicas da área.
Por último, o Simpósio pretende viabilizar aos pesquisadores, que até o momento estão atuando de forma isolada, a oportunidade de adesão ao GT História das Relações Internacionais, constituído desde 2007 no âmbito da ANPUH/RS, que posteriormente pretende pleitear a inserção na ANPUH nacional.

82. Biografias e Autobiografias: escritas, narrativas e invenções de si

Coordenadores:

Descrição:    

Pretendemos reunir pesquisas que discutem teórico-metodologicamente o tema. Baseadas em diferentes tipologias de fontes (histórias de vida, memoriais, epístolas, arquivos pessoais, literatura, diários íntimos, coleções, cadernos de classe) tais pesquisas se voltam para a fronteira História/Memória revelando sensibilidades e emoções na construção formativa e identitária do sujeito. Propomos debater metodologias possíveis de permitir uma compreensão simultânea da fonte como tal e como objeto de pesquisa que investigam construções de uma narrativa de si representadas em como formas de escritas (auto)biográficas. Diferentes experiências de subjetividade podem ser repensadas e resignificadas, pois tais fontes revelam a síntese do cultivo de uma "verdade" mais interior, que no plano do imaginário corresponde a uma verdade pessoal mais autêntica que sincera. Para tanto, é preciso que se observem procedimentos para que se possa discernir entre o documento e a pessoa que o produziu, bem como as os diferentes debates que congregam os estudos centrados na Memória, na História Oral e outras diferentes formas de registros que revelam sensibilidades e emoções. Pressupomos que o sujeito que se estuda com essa abordagem tem a necessidade de construção de uma imagem de si, para si e para os outros, construída em torno de representações fundamentadas na intenção de preparar o porvir em uma espécie de arqueologia do eu com intenção autobiográfica. O indivíduo e seu grupo precisam se apoiar em representações, inclusive de si mesmo. Tais representações inscrevem-se por marcas no cotidiano desses sujeitos possibilitando investigações de cunho biográfico e autobiográfico. Essas formas de registro de um presentepassadoporvir revelam uma determinada compreensão da realidade social, transformada em narrativa por seus autores, podendo ser apreendida pela pesquisa a partir de questões sobre a temporalidade histórica presentes em concepções como memória, identidade, subjetividade e realidade.

Bibliografia:    

ABRAHÃO, Maria Helena Menna Barreto Memórias, Narrativas e Pesquisa Autobiográfica. História da Educação (ASPHE), Pelotas: v. 14, n. 1, p. 79-95, 2003.
BOURDIEU, Pierre. A ilusão biográfica. In: FERREIRA, Marieta de Moraes & AMADO, Janaína. Usos e abusos da História Oral. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1998.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano – Artes de Fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
HALBWACHS, Maurice. A memória Coletiva. São Paulo: Editora Vértice, 1968.
JOSSO, Marie Christine Experiências de vida e formação. Lisboa: Educa, 2002
LEITE, Juçara Luzia . Construção identitária e livro didático regional de História: uma prática geracional de escrita de si. In: OLIVEIRA, Margaria Maria Dias de; STAMATTO, Maria Inês. (Org.). O livro didático de História: políticas educacionais, pesquisas e ensino. Natal: EDUFRN, 2007, v. , p. 189-198.
NÓVOA,António; FINGER, Mathias. O método (auto)biográfico e a formação. Lisboa: MS/DRHS/CFAP, 1988.
NÓVOA, António (org.). Vida de professores. Porto: Porto, 1995.
OLIVEIRA, I. B. ; OLIVEIRA, I. B. . Saudades e Desejos dos Verdes Anos: escritos e escrituras de si na literatura de José Lins do Rego. In: ANAIS. XII Encontro Estadual de História, 2006, Cajazeiras. História e Multidisciplinaridade: fronteiras e deslocamentos. Campina Grande : UEPB. v. 01. p. 61-61
SCHMIDT, Benito. O Gênero Biográfico no Campo do Conhecimento Histórico: trajetória, tendências e im-passes atuais. ANOS 90. Porto Alegre, n.6, p165-192, dez.1996.
SOUZA, Elizeu Clementino. O conhecimento de si: Estágio e narrativas de formação de professores. Rio de Janeiro: DP&A, Salvador, BA: UNEB, 2006.

Justificativa:    

As pesquisas biográficas e autobiográficas tomaram grande vulto a partir do final do século XX, inicialmente com o objetivo de visibilizar os “excluídos da História” . Aos poucos, esse sentido se ampliou com a possibilidade de contribuição formativa e identitária do sujeito através da construção histórica. Atualmente, essas pesquisas apresentam-se como um campo em expansão e suas questões teórico-metedológicas têm sido debatidos, revelando um imbricamento de diferentes áreas do conhecimento, como a História, a Psicologia, a Lingüística, a Filosofia, a Educação, as Artes, dentre outros saberes. Esse movimento é fruto da insatisfação gerada pela superação das grandes explicações estruturais que não contemplam a vida cotidiana como espaço de conflitos e transformações. O enfoque teórico metodológico que propomos se faz necessário devido à íntima relação que as pesquisas biográficas e autobiográficas guardam com a fronteira História/ Memória. Esta última, se torna componente essencial do trabalho do pesquisador no sentido de construção de elementos que possibilitem a compreensão de seu objeto de estudo reconhecendo uma realidade social de múltiplas formações. Dessa forma, propomos reunir neste Simpósio Temático, pesquisadores que desenvolvem investigações sobre as formas de escrita, narrativa e invenções de si através de estudos de (auto) biografias. Ao discutir fontes e métodos da pesquisa (auto) biográfica, nos interessa destacar a importância desse sujeito (auto) biografado e as formas com as quais se inscreve e se inventa em um presente possível através de uma comunicação interpessoal recíproca entre pesquisador e narrador. Assim sendo, a necessidade de encontrar mediações que permitam o trabalho com o sujeito, compreendido como singular e plural, considerando emoções e sensibilidades inseridas historicamente na vida cotidiana investigada partir de suas contradições, justifica a nossa proposta de trabalho.

84. História, Natureza e Território

Coordenadores:

Descrição:    

Em 2005, no XXIII Simpósio Nacional de História, foram organizados dois simpósios temáticos dentro da mesma linha: “História, Sociedade e Ambiente” e “História Ambiental – Balanços e Perspectivas”. Durante o evento ocorreram reuniões entre os organizadores de ambos os simpósios. Em abril de 2006, durante o III Simpósio organizado pela Sociedade Latino-americana e Caribenha de História Ambiental (SOLCHA), que ocorreu na Espanha, os participantes brasileiros decidiram pela apresentação de uma única proposta para 2007. Seguindo essa orientação foi proposto e aceito o simpósio temático História, Natureza e Território, no XXIV Simpósio Nacional da ANPUH. Em 2008, os participantes de Londrina se fizeram presente no IV Simpósio Latino-americano e Caribenho de Historia Ambiental, que ocorreu entre 28 a 30 de maio, na UFMG, em Belo Horizonte. No Encontro decidiu-se pela reapresentação do simpósio temático na XXV encontro nacional da ANPUH com o objetivo de garantir o espaço para a História Ambiental e seu desenvolvimento no país.

Bibliografia:    

ARRUDA, Gilmar (org.). Natureza, fronteiras e territórios. Londrina, Ed. da UEL, 2005. CASSETI, Valter. Ambiente e apropriação do relevo. São Paulo: Contexto. 1991. COLLINGWOOD R.G. Ciência e Filosofia: a idéia de natureza. Lisboa, Presença, 1986. CROSBY, A. Imperialismo Ecológico - A Expansão Biológica da Europa, São Paulo, Companhia das Letras, 1993.
Cronon, William. A Place for Stories: Nature, History, and Narrative. Journal of American History, v. 78, n. 4 v. 78, p. 1347-1376, march, 1992.
DEAN, W. A Ferro e Fogo, São Paulo, Companhia das Letras, 1996.
DIAMOND, Jared. Armas, germes e aço. Rio de Janeiro: Record, 2002.
DRUMMOND, José Augusto. A História Ambiental: temas, fontes e linhas de
pesquisa. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 4, n. 8,1991.
DUARTE, Regina Horta. História & Natureza. Belo Horizonte, Autêntica, 2005.
Espindola, Haruf Salmen. Sertão do Rio Doce. Bauru, EDUSC, 2005.
ESPINDOLA, Haruf Salmen. Sertão do Rio Doce. Bauru, EDUSC, 2005.
LEFF, Enrique. Epistemologia ambiental. São Paulo: Cortez, 2001.
MERCHANT, Carolyn. Gender and Environmental History. Jornal of American History, 4 (March 1990): 1117-1121, p. 1121.
PÁDUA, José Augusto. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (1789-1888). Rio de Janeiro, Zahar, 2002.
RAFFESIN, Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática,s/d.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço, técnica e tempo, razão e emoção. 3.ed. São Paulo: Hucitec, 1999.
SOJA, Edward.. Geografias Pós-Modernas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 1993.
TURNER, F. O Espírito Ocidental contra a Natureza - Mitos, História e as Terras Selvagens, Rio de Janeiro, Campus, 1990.
WHITHEAD, Alfred N. O conceito de natureza. São Paulo, Martins Fontes, 1994.
WORSTER, Donald. History as Natural History: Na Essay on Theory and Method. Pacific Historical Review v. 53, n. 1, pp. 1-19, fev.1984.

Justificativa:    

Território é definido e delimitado a partir de relações de poder e de apropriação do espaço. Os territórios se formam heterogêneos, justapostos e sobrepostos, fundados nas contradições sociais, relações de poder, diversidade cultural, relações ambientais e biodiversidade. Território é relação e está ligado à idéia de domínio, ao poder e ao controle do acesso, independente se a referência é um poder estatal, de grupo ou de empresa. De modo algum pode ser desconsiderada a entre sociedade, natureza e território. São importantes os estudos que examinam como as atitudes humanas e suas atividades atuaram para transformar a paisagem e como as pessoas alteraram o mundo ao seu redor e quais foram às conseqüências dessas alterações para as comunidades naturais e humanas. Algumas questões são colocadas em relevo: como as várias atividades humanas dependeram historicamente e interagiram com o mundo natural? Como os fenômenos e os recursos naturais amoldaram padrões de vida humana de diferentes regiões? Destacam-se estudos relacionados aos aspectos históricos, demográficos e ambientais da formação territorial; aos fenômenos migratórios; aos processos de ordenamento sanitário e de saúde pública; aos aspectos normativos, ideológicos e de mentalidade; às relações com populações nativas, às questões de identidade cultural; às relações entre sociedade, técnica e território; entre outros. Interessam as mudanças de concepção e atitude em relação à natureza; percepções sobre o mundo ao redor e se fixam os significados e de como esses amoldam a vidas culturais e políticas.

85. Sensibilidade Moderna e Valores em Mutação na Literatura e nas Artes

Coordenadores:

Descrição:    

Séculos da noção de pertencer a uma era “moderna” criaram na história das sociedades ocidentais uma verdadeira tradição do novo, apurando o sentimento de se viver num universo instável, em constante mutação. Tal sentimento no campo dos valores éticos costuma ser fonte de angústia, ao retirar dos indivíduos as referências que deveriam garantir-lhes alguma estabilidade nas relações sociais. As letras e as artes têm sido campo privilegiado para a expressão dos sentimentos ambivalentes que acompanham a percepção da mudança constante e da falta de terreno sólido. Este Simpósio Temático se propõe a reunir trabalhos que se debrucem sobre as diversas linguagens artísticas como fonte de interpretação histórica a partir das sensibilidades diante do que é percebido como “tempos modernos”.

Bibliografia:    

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. 7ª ed, São Paulo: Brasiliense, 1994.
__________. Rua mão de única. 5ª ed, São Paulo: Brasiliense, 1994.
__________. Charles Baudelaire, um lírico no auge do capitalismo. 6ª ed, São Paulo: Brasiliense, 1994.
BOLLE, Willi. Fisiognomia da metrópole moderna. 2ª ed, São Paulo, Edusp, 2000.
CANDIDO, Antonio. Ficção e confissão. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2006.
_________. Educação pela noite. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2006.
_________ Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2006.
CHARTIER, Roger et al. La sensibilité dans l’histoire. Gérard Monfort, 1987.
FARGE, Arlette. Des lieux pour l’histoire. Paris: Seuil, 1997.
FEBVRE, Lucien. Pátria e honra. Riode Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.
GAGNEBIN, Jeanne Marie. História e narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva, 1994.
JAMESON, Fredric. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo: Ática, 2004.
KOTHE, Flávio (org.). Walter Benjamin. São Paulo: Ática, 1985.
LE GOFF, Jacques et al. História: novos problemas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995.
LIMA, Luiz Costa. Por que literatura? Rio de Janeiro: Vozes, 1969.
LOPES, Antonio Herculano, PESAVENTO, Sandra Jatahy, e VELLOSO, Monica pimenta (orgs.). História e linguagens: texto, imagem, oralidade e representações. Rio de Janeiro: 7Letras / Casa de Rui Barbosa, 2006.
PESAVENTO, Sandra J. et al (orgs.). Sensibilidades e sociabilidades: perspectivas de pesquisa. Goiânia: UCG, 2008.
__________ e LANGUE, Frédérique (orgs.). Sensibilidades na história: memórias singulares e identidades sociais.Porto Alegre: UFRGS, 2007.
SENNET, Richard. O declínio do homem público. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.
SIMMEL, Georg. Questões fundamentais de sociologia: indivíduo e sociedade . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

Justificativa:    

Nas últimas décadas, a produção historiográfica tem feito um extraordinário esforço de expansão de seus temas, fontes e perspectivas, que tem permitido leituras bem mais complexas do fenômeno social. O que se convencionou chamar de “nova história cultural” (para diferenciar da tradicional história da cultura) ganhou espaço crescente no interesse dos pesquisadores, dialogando com a antropologia, a psicologia, a semiologia, as artes, os estudos de gênero e da diversidade cultural, os estudos de performance, entre muitas outras áreas. Um dos ganhos importantes desse esforço foi a relativização de oposições como público e privado, real e imaginário, emoção e razão. Nesse sentido, cresceu também uma atenção mais específica a uma história das sensibilidades, capaz de perceber algo do que se perde diante do documento “frio” – a paixão, as fantasias, os desejos e os medos que movem homens e mulheres em suas ações. Há alguns anos, no seio das reuniões nacionais e regionais da Anpuh, e em especial no do GT Nacional de História Cultural, temos promovido a troca de experiências e reflexões nessas áreas, e em particular na sua interface com as linguagens artísticas. A literatura e a arte, enquanto dimensões do imaginário, a despeito de seu flerte com o mundo social, não podem ser vislumbradas como meras reproduções dos elementos neles presentes. Nesse sentido, a relação entre literatura, arte e sociedade adquire contornos dialéticos, sendo impossível separá-las como se fossem entidades autônomas. A proposta temática do próximo Simpósio Nacional da Anpuh – história e ética – casa-se à perfeição com tais preocupações, na medida em que a normatividade valorativa caminha junto com a razão e a sensibilidade na conformação da experiência do vivido: ética estética e política. O Simpósio Temático Sensibilidade moderna e valores em mutação na literatura e nas artes propõe pensar sobre valores éticos em mutação circundando a sensibilidade artística do criador.

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