Descrição:
Ao deparar com as comunidades negras descendentes de quilombos, e, considerando que a maioria delas esta nos mesmos espaços onde se localizaram ao longo de suas histórias, algumas inquietações se colocam: como sobreviveram às ações repressivas? Quais os mecanismos de resistência e identidade criados por essas sociedades quilombolas? Enfim, quais as suas experiências históricas? Perguntas que podem parecer simplistas, mas que remetem a uma questão no mínimo instigante: onde estavam os ex-quilombolas, esses agentes sociais que até então estiveram fora de cena na historiografia brasileira, deixando a vaga impressão de que junto com a destruição dos quilombos veio o fim da história dos quilombolas.
Bibliografia:
Afro-Ásia Nº 23, Dossiê Remanescentes de Quilombos. Salvador, CEAO, 2000.
FUNES, Eurípedes A. Nasci nas Matas Nunca Tive Senhor – História e Memória dos Mocambos do Baixo Amazonas. São Paulo: USP, tese de doutorado, 1995.
GOMES, Flávio. História de Quilombolas no Brasil. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.
PRICE, Richard, Sociedades Cimarronas – Comunidades esclavas rebeldes en las Américas. México: Siglo XXI, 1981.
CARRIl, Lourdes – Quilombos, Favela e Periferia – a longa busca da cidadania. São Paulo: Annablume, 2006.
O’DWYER, Eliane C. Quilombos: identidade étnica e territorialidade. Rio de Janeiro: FGV,
2002.
PRICE, Richard. First Time - the Historical Vision of an Afro-American People. Baltimore: The Johns H. University Press, 1983.
Justificativa:
Aspectos como esses, e outros, tornam necessária a compreensão de um processo histórico que passa pela resistência escrava, pela constituição dos quilombos e sua não destruição, mas concretização nas atuais comunidades negras. Temática muito pouco visitada pelos historiadores, sendo necessário: desembaraçar o emaranhado de fios que formam a malha textual, recuperando, mesmo em documentos oficiais, falas significativas dos mocambeiros; encontrar nos depoimentos elementos que dêem conta de um passado dos mocambos e, num tempo mais recente, da consolidação das comunidades; e compreender a construção de uma identidade étnica e cultural, bem como a constituição de uma territorialidade - elementos sig¬nificativos na definição de um espaço enquanto terra de ne¬gros. Objetivos
- dar visibilidade às temáticas relacionadas a memória, territorialidade, pertença e identidades quilombolas no campo da história.
- Refletir sobre as políticas públicas quanto identificação, demarcação e titulação de terras de quilombolas
- Possibilitar um balanço historiográfico sobre os estudos mais recentes sobre a temática em pauta